Tantos infortúnios juntos cheiram a apocalipse. Ou escatologia. Como há quase uma semana, ainda continuo a chorar ao ver algumas imagens de destruição maciça. Tenho pavor a desastres naturais. Somos demasiado frágeis! Em espécie de homenagem a gente tão, aparentemente, civilizada, e como a desgraça não atrai nada de positivo, aqui fica um vídeo com factos curiosos.
Apetece-me aqui, hoje, inaugurar uma espécie de uma nova secção. Vou chamar-lhe "Hoje apetece-me..." E hoje apetece-me dizer que tenho vergonha de pertencer a um povo que se une para defender assassinos confessos.
Além disso, apetece-me agradecer o piropo do meu gajo!...
Chegamos ao fim de um ano infausto, que dos poucos factos positivos que teve foi a aprovação do casamento em homossexuais, e entramos naquele que ainda se afigura pior... Não há resoluções que resistam... Enfim, aproveitem, divirtam-se enquanto podem. E, mais uma vez, refiro-me aqui a Shortbus. Para quem não viu, delicie-se; quem já viu, reveja. Ponho agora o final do filme, mas o que interessa mesmo é a música. A interpretação é de Justin Bond e da Hungry March Band, mas o original pertence a Scott Matthew (o barbudo que também aparece no excerto):
and as your last breath begins you find your demon's your best friend and we all get it in the end
Até fiquei fodido comovido com o apoio ou solidariedade manifestada pela hierarquia católica a este padre pedófilo! E com a lata do gajo, também... caso para dizer que ainda há pessoas puras e inocentes neste mundo. Há coisas fantásticas, não há?
Os três vídeos de hoje são imperdíveis! Sobretudo para os (re)verem quando acharem que a vossa vida é uma porcaria! A sério, para ver e partilhar (e invejar, já agora) a forma bem humorada como é possível lidar com a sua própria deficiência e tirar partido da adversidade: além de ser linda e simpática, Aimee Mullins encarna uma força de vontade das mais positivas, inspiradoras e surpreendentes que já vi por aí. Os três vídeos têm legendas em português.
Já aqui pus um texto eloquente de Teixeira de Pascaes sobre ortografia. Depois, ocorreu-me uma pergunta: o nome Luís António Verney alguma vez passou sob as vossas vistas? Conhecem-no? Sabem que foi o mais ilustre dos estrangeirados portugueses, certo? E conhecem a sua obra prima? O Verdadeiro Método de Estudar?
Pois bem, dêem uma vista de olhos e horrorizem-se: «omens», «oje», «avendo»… Enfim, podem argumentar que não havia acordo ortográfico, que nem sequer se pensava nisso. Claro que não, não havia necessidade para tanto, mas constatem mesmo assim como Verney se preocupa com a ortografia. Confesso: eu gostei mesmo foi da passagem marcada na imagem acima, em que se refere ao "c" mudo. Cito: “porque Ato, é mui boa palavra, e todos a-intendem.” Nem mais. Não é um mimo? Uma delícia. Uma preciosidade. Podem ler O Verdadeiro Método... no Google Books ou na Biblioteca Nacional Digital.
Professor Doutor (e padre, já agora) Fernando Cristóvão fala sobre o acordo ortográfico. Para o ouvir até ao fim e com muita atenção (dá para perceber que o testemunho já tem algum tempo, mas não perdeu nenhuma pertinência). A propósito, dêem uma vista de olhos pelo texto da Isabela: «A língua portuguesa é de borracha».