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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

..:: agora, sim! ::..


Deolinda, Movimento Perpétuo Associativo



Todas as comparações são por norma redutoras. Mas gosto disto [Un político abiertamente gay, hombre clave del próximo Gobierno alemán]. Por cá, é a euforia por ter sido eleito por fim um (repito: unzinho) deputado assumidamente gay (e todos nós sabemos como é e será o único, não sabemos?). Além disso, parece que está salva a pátria. Não me dá que pensar. Já que o futuro é risonho, apetecia-me simplesmente que fossemos, enquanto povo, mais destros e menos umbiguistas.


[a sobejamente conhecida foto/montagem foi colhida no Spectrum]


Chegou. Viu.

[caricatura de Henrique Monteiro]

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

..:: celebration ::..


Madonna, Celebration com fãs à mistura
[visto aqui]


p.s.: vale a pena ler as perguntas e respostas da Mami na Le Cool Magazine. Ficam aqui algumas: «1-É preciso ser Queer para se ir ao Queer? Não
2-Tenho que ir às sessões com amigos do mesmo sexo? Se quiseres
3-Vou encontrar gente famosa? Sim, entre outros Amália, António Variações, Judy Garland (a Diva), Francis Bacon…
(...) 5-Posso ir vestido de mulher? Também
(...) 7-O que é que eu faço se estiver a morrer de curiosidade mas não tiver coragem para entrar? Finges que vais beber um Cosmopolitan ao andar de cima e dás uma vista de olhos
8-E se eu não gostar delas curtas? Tens longas também (...)»

domingo, 12 de julho de 2009

..:: homossexuais no estado novo ::..

Não se esqueçam de hoje comprar o Público por causa da reportagem de São José Almeida na Pública!


sexta-feira, 8 de maio de 2009

..:: partilha II ::..

Recebi por email o texto abaixo sobre o acesso ao casamento civil. Achei por bem colocá-lo à disposição de quem possa não ter lido nada sobre o assunto. Podem conferir no Público ou no Destak, entre muitos outros periódicos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

..:: entrevista ::..

Há já algum tempo que tencionávamos colocar aqui a entrevista que demos à Anabela Mota Ribeiro e que saiu na Pública de 22 de Março. Parece-nos ser agora uma boa altura, até como forma de agradecer os vossos comentários às entradas anteriores. Colocamo-la aqui, sobretudo, para quem não teve oportunidade de a LER em papel. Sim, LER... as entrevistas lêem-se. Escusam de se demorar em exercícios hermenêuticos das fotos da Clara Azevedo: somos nós e para perceber os motivos de 'escondermos' o rosto, basta LER o que dissemos (e não dissemos só o que foi publicado, mas a limitação de caracteres impôs limites).




sábado, 21 de março de 2009

≈≈ domingo, 'estaremos' na Pública ≈≈

Confirmando o que alguns já perceberam: sim, é verdade, amanhã estamos felizes juntos na Pública. Na entrevista de Anabela Mota Ribeiro, com fotografias de Clara Azevedo, falamos de nós e da nossa vida em comum, algo de que muito nos orgulhamos. Talvez sirva para alguma coisa. Afinal, um longo caminho faz-se de pequenos passos...
Se tiverem curiosidade...


Ah, mandamos postais autografados a 10€ cada. Vêm aí as férias, não é?...




We have a dream: entre muitos outros, este é um dos sonhos: falarmos de nós de cara "destapada", sem cortes ou close ups.


***


Num comentário deixado nos Comyxturados:

«Reforçamos o que deixámos escrito no comentário ao vosso comentário no FJ: muito obrigado. Na verdade, também nós ficámos orgulhosos de nós próprios. Pensamos que transparece a absoluta "normalidade" da nossa vida e, sobretudo, que as pessoas podem ser felizes fora da matriz mais visível. Se o que fizemos pode ajudar alguém, então ficamos ainda mais orgulhosos e felizes! O que nos deixa (também) contentes é o facto de ver como as amizades se vão mantendo e aprofundando.»

sábado, 7 de fevereiro de 2009

..:: ᴙɘⱴΐᵴⱦɐṩ adufe ::..



Apesar de não ser da minha zona, o adufe faz parte do meu mundo de afectos. É um daqueles instrumentos que me faz vibrar e regressar ao passado. Descobrir a revista homónima foi uma daquelas surpresas boas e difíceis de igualar. Trata-se de uma revista cultural local (Idanha-a-Nova), mas é muito mais que isso e muito graças ao grafismo muito apelativo. Só lamento não ter conseguido descobrir um link para a revista, embora apresente aqui a capa do número que consegui. Descubram-na, procurem-na, devorem-na, sobretudo as gentes beirãs! E não se arrependerão de a coleccionar!


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

..:: diaristas, cronistas e bloguistas ::..

Porque escrever é comunicar. Porque todos os que andamos por aqui fazemos isso. Vale a pena ler, reflectir e pensar nas palavras de Isabel Leal!
E boa semana!

[para ampliar o texto, utilizem a lupa, ou o + e -]


Read this document on Scribd: Isabel Leal, Diaristas, cronistas e bloguistas


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

..:: carta a meus colegas sobre as saudades do futuro ::..

No silêncio da casa, escuto as paredes que me lembram como o ano passado foi um ano difícil. Provavelmente, o mais difícil na minha imberbe experiência docente. Talvez pela dificuldade, a entrega foi diferente até porque sempre joguei na defensiva e no resguardo dos sentimentos, técnica de salvaguarda. No ano passado, os acontecimentos propiciaram que fosse diferente e dei-me a oportunidade de deixar que os colegas chegassem à minha beira, lá está, porque os alunos e os contextos o permitiram. Afinal, até vou ter saudades deles; no entanto, este email é para vós e para confessar que é sobretudo de vós que vou sentir falta.
Não me peçam para vos visitar porque em princípio não o farei: custa-me demasiado o contexto: ver-vos, rever os alunos que foram meus e que me chamam professor mesmo já não o sendo, sentir que aquele espaço que durante um ano foi o meu já não o é (nunca foi, mas apropriei-me dele como pude para que o fosse), que aqueles professores já não são os meus colegas com quem deixarei de trocar desabafos, resultados e sensações de quase trauma.
No início, achei que não aguentaria, mas cheguei ao fim; contudo, se tal foi possível é porque vos tive como colegas. Ao fim de tanto tempo a acontecer-me o mesmo (todos os anos, escola, colegas e alunos diferentes), é com alguma satisfação que me vejo a integrar-me bem, embora muito tenha contribuído a vossa simpatia, o vosso acolhimento e os vossos sorrisos. Não sei se estive à altura dos acontecimentos (agora também já pouco interessa), mas tentei não desiludir nenhum de vós, ser profissional e responsável, e ainda poder contagiar-vos com o meu sorriso, uma máscara como qualquer outra (mas uma máscara sincera).
Gostei demais de vos conhecer e de convosco me ter cruzado e partilhado 10 meses de trabalho. Apesar de ser só um professor de BOM, gostei muito de trabalhar convosco; perdoem-me a imodéstia, mas espero que tenha sido recíproco, e que, embora indelevelmente, vos tenha marcado. Ter saudades deve ser isto: acordar e saber que não vou ter convosco. Em todo o caso, continuamos todos por aqui e não me esquecerei de vós e, ao contrário dos sete anos lectivos anteriores, se a memória ameaçar falhar-me, tenho a poesia e o filme feito sobretudo para vós e, como bem perceberam, uma despedida comovida. Até poderei esquecer-me dos vossos nomes, mas nunca dos rostos e das experiências, de como foi um ano para mim tão intenso e cheio de antíteses e oximoros.
Votos de bom trabalho, muita paciência, os alunos exigem e precisam do melhor de vós (de nós) – a ministra não! –, sempre com o objectivo do sucesso, sempre no encalço da felicidade (noutro patamar, a avaliação do desempenho veio para semear justamente a infelicidade, mas isso é outra história). Nós vemo-nos por aí! Isto não é uma despedida!

[texto enviado num dos dias de Setembro a uma selecção de colegas da escola onde estive o ano passado. só acrescento que este também não é um ano lectivo fácil, não por causa dos alunos mas de uma ministra autista que inundou e inunda as escolas de burocracia e aparece na comunicação social a afirmar que a culpa é dos professores ou que só têm de preencher duas folhas. repito: autista! e mentirosa, é que ela sabe bem o que pede com as ordens que envia para as escolas. a falta de tempo seja para o que for já se nota e faz mossa na minha vida pessoal e não tenho horário completo.]



[visto inicialmente aqui]




terça-feira, 11 de novembro de 2008

..:: ops, alegre e a sinistra ::..



Manuel Alegre tocou na chaga. A vítima não gostou. Nem ela nem os caudatários correligionários, mas registo admirado (ou talvez não) a lucidez: “farto de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos”. A propósito disto tudo, da espuma e do abismo, da degradação da cultura democrática e da indecência, Fernando Alves, ontem, em Sinais na TSF (e aqui em .mp3).


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

..:: ad rem ::..

O latim é uma língua riquíssima, mas morta (o Vaticano já não conta), embora capaz de fazer alterar a forma de raciocínio de tão complexa que é. Em tons de gozo comedido, dizíamos que para uma regra havia dúzias de excepções e excepções às excepções, pois raras são as regras que não têm excepções (e quando apareciam, apetecia fazer uma festa). Claro que nem toda a gente romana falava ou percebia o latim clássico (literário), usavam, sim, o latim vulgar do qual nos chegou a maior parte do nosso vocabulário (aproximadamente 80%, e o inglês tem quase tantas palavras de latim quanto das Langues d'oïl e só depois do germânico, graças às constantes investidas normandas sobre os anglos e saxões).

Pois bem, um absurdo: coisa.
Coisa em latim diz-se res, rei (res publica, de onde vem república, significa literalmente «a coisa pública»). Ensinou-nos o professor de latim (que era padre), ainda no secundário em Castelo Branco, que mandar «alguém ad rem» é mandar esse mesmo alguém para a coisa. Faz sentido. Agora, leiam a expressão latina ao contrário, invertendo a ordem das letras. Faz mais sentido ainda. Oportunamente, lembrei-me da expressão e apetece-me lançar uma pergunta retórica: senhores deputados da nação defensores da moral e que não vislumbram oportunidade oportunismo para diluir uma injustiça social, e se fossem todos ad rem? Que tal, hein? Provavelmente, ainda é pouco perante esta notícia tão auspiciosa...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

..:: uma visão muito ₥ṅᵷⱥ da realidade ::..

O texto que se segue não é meu, mas da nossa querida Monga, heterossexual orgulhosa e que nos conhece bem. Tenho-me lembrado dela e deste texto a roçar o humorístico que, posso dizer, nos foi "oferecido" por causa desta entrada (respondendo a cada uma das alíneas). O texto é longo; quis truncar algumas partes, mas acho que não, segue inteirinho mesmo que, entretanto, eu tenha vindo a perder o humor. Espero que tenham paciência para ele e reconheçam o mérito da Monga.
Agora, mongo, mas muito mongo mesmo, espantem-se, é este texto de opinião que o C reproduziu (só lendo... doutra forma ninguém acredita - cf. ainda a resposta de Manuel António Pina). Pelos vistos, já não bastava este... raispartam estas alimárias (e tenho que confessar - a um padre, já agora - como e quanto adoro esta palavra).



A homossexualidade

Tema sempre quente em debate, a homossexualidade já não espanta ninguém (excepto a minha avó), todavia a grande maioria das pessoas, pelo menos em Portugal, sobretudo aquelas que se dizem «abertas» a tudo, aceitando as semelhanças e diferenças, defendem muito pouco os direitos dos homossexuais. Sim, porque homossexualidade é uma coisa, direitos dos homossexuais é outra muito diferente, e até aquelas pessoas que sacodem o capote, que são as que dizem «o que os outros fazem e gostam não me diz respeito» (como se isso fosse possível…) não sabem bem com que linhas se cosem as reivindicações dos homossexuais.

Antes de mais, para aceitar o diferente como igual é preciso ser-se inteligente. E a seguir corajoso.
Se estudarmos a história do mundo, das mentalidades, a homossexualidade sempre existiu (a minha avó garante a pés juntos que no tempo do Salazar não havia homossexuais). Há no entanto que distinguir que mesmo aqueles que aceitam isto como um dado adquirido são patetas ao ponto de neglicenciarem os direitos dos homossexuais como um assunto a pôr na mesa. Sim, uma coisa é dizermos que nada temos a ver com os hábitos sexuais do vizinho, outra é dizermos que o vizinho tem os mesmos direitos que nós.
Como sempre, os mitos sobre a homossexualidade obedecem a uma visão estreita, dogmática, às vezes muito parva. É como falar das outras raças, da cor da pele ou dos direitos da mulher. Tudo muito bonito até ao dia em que se exige que as coisas passem para o papel. É ver os tipos e tipas que aceitam a diferença a reclamar.
Vamos aos mitos, visto que ando numa de listagens:

1) A homossexualidade é uma doença.
Em primeiro lugar, qual será a pertinência da questão? Se fosse uma doença, a pessoa tornar-se-ia menos digna? Em segundo, não há de facto provas de que o seja. Imensas espécies animais praticam a homossexualidade. Se Deus é perfeito certamente não terá criado essas espécies por «erro». Mas já vamos à religião…

2) Os homossexuais são pervertidos e poligâmicos.
Vamos lá… os heteros não ficam atrás, pois não? No outro dia vi um programa sobre sado-masoquismo que me deixou maldisposta. Um velho gordo pagava a duas mamalhudas para lhe porem um açaime e o colocarem numa casota de cão. O velho ladrava, obedecia, era queimado com velas, entre outros rituais perversos, como lhe cuspirem na boca. Bastou-me para perceber que cada um tem os seus hábitos e alguns são bastante estúpidos. Outros são indignos porque violam o bem-estar das outras pessoas (como apalpar senhoras no autocarro ou metro).
A questão da poligamia até me dá calafrios. Os números indicam que, nos casamentos heteros, os pares de cornos proliferam. Como diria uma amiga minha, monogamia na teoria, poligamia na prática.

3) Legalizar o casamento homossexual é desvirtuar a validade do casamento heterossexual.
Agora os heteros deram em palhaços invejosos. Ai que os gays querem direitos e estragam os nossos casamentos! Este é um argumento filho-da-puta. Como se o casamento hetero não fosse uma instituição falida, fora de moda, completamente acabada. Deixem lá os homossexuais tentarem fazer melhor, já que nós, os heteros casadoiros, não fomos capaz.


4) Os homossexuais são pedófilos (não podem, por isso, adoptar).
Toda a gente sabe que uma grande fatia dos pedófilos são homossexuais que nunca se assumiram como tal e fingem que são heteros. A outra parte compõe-se de heterossexuais (casados ou não) perversos que se estimulam sexualmente com crianças. Isso é doença. Molestar seja quem for é sempre doença.

5) Uma criança precisa de um modelo masculino e outra feminino para ser saudável.
Sim, houve teorias que disseram isso, algumas freudianas. Pai e mãe são também modelos afectivos e sexuais. Mas quando alguém não tem um deles, que faz? Enlouquece? Considera-se amputado, do ponto de vista afectivo e sexual, para sempre? Não creio. Qualquer pessoa, quando não tem um modelo em casa, procura fora de casa. Já agora era muito bom que questionássemos que nem sempre pai e mãe são bons modelos. Às vezes uma das partes (ou ambas) carregam um belo par de cornos e ninguém vem questionar se isso é bom ou mau para as crianças…

6) Os gays vão estimular na criança um comportamento homossexual.
Amei! Agora ser gay é pertencer a uma seita divina! Se eu, papá, sou gay, ele, filho, tem de ser gay! Entendo porque se diz isto, é fácil perceber. Os heteros desde sempre que estimularam na criança comportamentos heteros, alguns bem estúpidos. Carrinhos para os meninos, bonecas para as meninas. Perguntar onde está a pilinha. Perguntar quem é a tua namorada ou o teu namorado? Incitar a criança a responder quantas namoradas/namorados tem, etc. Mas nunca vi um gay dizer a uma criança «quando cresceres vais ser igual a mim, gostar de pilinhas, brincar com elas». Já agora porque é que um gay, sabendo que faz parte de uma minoria, gostaria que um filho fizesse parte da mesma minoria, sofrendo discriminações constantes e dificuldades? Agora ser gay é ser cruel, não? Só nos faltava mais esta…

7) A Igreja não concorda com a homossexualidade.
É um facto. Agora a Igreja tem pena, já não discrimina, só tem compaixão e anda cheia de perdão. Coitadinho do gay… Como coitadinhos dos pobres, das putas, dos drogados, etc. Para a Igreja mais vale contrariar o que somos e fingir o que não somos, sob a capa de um casamento hetero falsificado. Mentir e ser um impostor já pode ser. Ser gay é que não.

8) O casamento hetero é válido porque se destina à reprodução, ao contrário da união homossexual.
Numa época em que, devido ao stress, à alimentação, às doenças, a fertilidade tem decrescido em larga escala, este argumento é uma patacoada. Nem todos os casais hetero querem filhos, já agora. Outros querem e não os podem ter. Portanto, esses casamentos são o quê? Falsos porque não há filhos? Olha que treta! Este argumento reduz a união homem-mulher a um único objectivo: procriar. E reduz a união homossexual a um outro objectivo: sexo.


9) Legalizar o casamento gay estimula comportamentos homossexuais.
Adoro! Olha as gajas cheias de medo que os seus gajos dêem em bichas! «Maria, o meu amigo Manuel casou-se com o Jacinto. Também quero! Vou tornar-me gay!». Mas isto é verosímil? Mais uma vez estamos a balizar as coisas pelo ponto de vista hetero, neste caso feminino, que é o de «se as minhas amigas casam, eu também quero casar!». E depois dá asneira da grossa. Agora nunca ouvi «se ele é gay também quero ser». Parece o clube do tupperware!


10) Os gays têm comportamentos show-off, femininos, exuberantes.
É uma ideia que ainda prevalece das paradas gay, de alguns gays mais berrantes, os ditos «maricas». Mas se formos comparar, anda muito hetero por aí igual ou pior, e não adoptam, pasme-se!, têm mesmo filhos e ninguém os proíbe de se reproduzirem!


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

..:: palavras que nos inquietam ::.. Bertolt Brecht

Já quase todos ouviram citar Brecht a propósito do rio e das margens. Nas voltas dos livros, reencontrei-o e aqui vai, seguido de um poema perturbador de tão irónico.


DA VIOLÊNCIA

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem. (p. 71)













EPÍSTOLA SOBRE O SUICÍDIO

Suicidar-se
É coisa corriqueira.

Pode-se falar nisso à mulher a dias
Discutir com um amigo os prós e os contras.
Há que evitar um
Certo pathos simpático.
Mas não é preciso fazer disto um dogma.
No entanto, parece-me preferível
O pequeno bluff do costume.
Estar farto de mudar de roupa, ou melhor:
A mulher pôr-lhos
(O que faz um certo efeito aos que se impressionam com essas coisas
E não é demasiado bombástico).
De qualquer modo
Não se deve dar a impressão
De que se dava
Muita importância a si mesmo. (p. 53)


Bertolt Brecht »» in Poemas »» tradução, selecção, estudos e notas de Arnaldo Saraiva »» Lisboa »» Presença »» 1973

sábado, 4 de outubro de 2008

..:: poᴉs não! ::..

O DN de hoje apresenta um dossier sobre o casamento entre homossexuais. Na edição online é possível aceder aos textos «Não vejo nada de fracturante em mim» de Fernanda Câncio e «Não podemos esperar que a sociedade mude» assinado por Alexandra Carreira. Com testemunhos vários, entre eles, os de Sara Martinho, Eduardo Pitta, António Serzedelo e Eduarda Ferreira.

Vale a pena conferir na edição impressa/ passar pelo dois artigos disponibilizados online!


Pois, nós não vemos mesmo nada de fracturante em nós! Ah, pois não!


Podemos esperar?

NÃO,

NÃO PODEMOS!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

..:: júnior ::..

A revista brasileira JUNIOR comemora neste mês o seu primeiro aniversário com a sétima edição que chega hoje às bancas. Aqui estão quatro fotografias exclusivas tiradas nas dunas de Cabo Frio que fazem parte do editorial Homens de Areia, com quatro dos modelos brasileiros mais bonitos (Lucas Malvacini, Felipe Torreta, Bernardo e Felipe Anibal). As fotos são de Didio. Parabéns à JUNIOR e obrigado pela distinção.






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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

..:: ᴙɘⱴΐᵴⱦɐṩ com'out trḝs ::..



Deuses e mitos

Além da abordagem sobre os deuses olímpicos de 2008 (as fotos do Phelps estão excelentes), há nesta Com'Out um mito que me fez erguer o sobrolho e sobre o qual há muito que queria ter tecido algumas considerações sobre. Gosto de ler a opinião dos outros (por exemplo, a crónica de António Balzeirão é um bom exemplo disso, cf. p. 98), mas não gosto de maniqueísmo, de branco ou preto, de ter de escolher, assim à cabeça, entre dois (às vezes, nem mesmo entre três é fácil), o que acontece no confronto das duas opiniões antagónicas expostas na página 11. Repito-me: há muitas cores no mundo, caramba!
Com efeito, a Com'Out nas páginas 11 e 17 aborda a questão: ser-se + feminin@/+ masculin@ ou ainda + passivo/+ activo. Parece ser o momento, até porque a Sara reflecte sobre o assunto. De facto, feminino e masculino são conceitos um pouco vagos e que tantas vezes nos são aplicados (ou nós próprios os auto e hetero-aplicamos) de forma arbitrária e subjectiva. Há várias décadas que a crise dos géneros atingiu vários níveis do saber e da vida e com repercussões extraordinárias que levam, por exemplo, à fluidez e maleabilidade de fronteiras.
Isto interfere directamente com a questão dos papéis: perguntaram ao Will se dava ou levava, por exemplo. Como se a vida se resumisse a isso: dar ou levar. Lembro-me do adágio que aplico aqui como ouro sobre azul: quem vai à guerra, dá e leva! Por muito que os papéis sejam estanques, nunca são assim lineares e simplistas ao ponto de simplesmente dar ou levar*. Às vezes penso que devo ser tão óbvio que nunca me abordaram com essa dúvida, se o fizessem responderia como não gosto de rótulos, muito menos dos que se referem ao + feminin@/+ masculin@ e tão-pouco do + passivo/+ activo. Não consigo definir-me dessa forma; afinal, valorizo mesmo a versatilidade (a todos os níveis, ok - mesmo que não a aplique) e dizerem-nos que eu tenho o perfil de dona de casa e de fêmea na cama e o Zé de macho não encaixa em nada do que somos no nosso quotidiano. É de facto, um mito que não dá com nada.
Por falar em casa, há tarefas em que o Zé é melhor e para as quais não tenho paciência, mesmo implicitamente já definimos isso há muito tempo. Por exemplo, o Zé nasceu com portentosos dons. Um deles é o da bricolage. Da minha parte, quando me meto nessas coisas pode suceder uma das seguintes situações com o mesmo resultado: 1) parto o objecto ou deixo-o irrecuperável; 2) fica tudo mal feito e termina no caixote do lixo. Bem, a verdade é que até sou eu quem quase sempre limpa o pó... portanto, de vez em quando há qualquer coisita que vai para o lixo ou que fica alterada: o São Sebastião, por exemplo, está a ficar sem setas!
Eu sei que as pessoas em geral, por uma questão de organização e sobrevivência, precisam de ter tudo compartimentado, rotulado, segundo as convenções que lhes foram incutidas para saberem inclusive onde se situam e que terreno pisam, mas será demais perceberem que é possível evoluir (até mudar... sim, mudar!), que nem tudo se rege pela sua visão do mundo ou encaixa nas medidas com que traçaram a sua suposta estabilidade (social, emocional, etc.)?



* Existe ainda aquela casta de alguma boa gente que reproduz um preconceito fantástico: o de que gays/homossexuais (leia-se maricas, paneleiros, larilas, etc. e tal) são os que assumem o papel de passivo numa relação sexual. Espero que um dia descubram como estão redondamente enganados e que, mais um adágio, tão ladrão é o que vai à loja como o que fica à porta. Trata-se de um raciocínio tão fantástico mas tão fantástico que, para os que o advogam, lamentavelmente, a minha cabecinha não encontra explicação sequer possível. Como termina a Cidália: oh, God make me good, but not yet!



ADENDA: vale a pena ler o editorial «Tristes figuras» sobre os enrustidos da nossa praça: «Cada um sabe de si. Acreditamos que se houvesse um coming out geral não seriam suficientes todas as páginas dos jornais e revistas portuguesas para publicarem os nomes. O que provoca uma certa indignação é muitas dessas ditas figuras se exibirem na praça pública inventando namoros, fabricando mentiras a troco da aceitação da sociedade. Em Portugal ainda se continua a pagar um preço muito alto pela saída do armário. E muitos concluem que mais vale continuar a ser sócio do clube dos hipócritas, do que ser excluído do circo, onde estão condenados a desempenhar eternamente o mesmo papel...»