Mostrar mensagens com a etiqueta in memoriam. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta in memoriam. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de setembro de 2011

sem título

para ir ouvindo e vendo com calma, música e fotos para este dia [25 fotos da Magnum]


Kronos Quartet, WTC 9/11


Live, Overcome


Leonard Cohen, On That Day


Kronos Quartet, Awakening


Tori Amos, I Can't See New York


Ryan Adams, My Blue Manhattan Rescue Me


Bruce Springsteen, My city of ruins


Pearl Jam, I Am Mine

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

you are welcome to elsinore

O poema de Cesariny é belíssimo, de cortar respiração e pulmões. Nesta leitura, neste vídeo, nesta música, tudo se conjuga para não ficarmos indiferentes. «You Are Welcome to Elsinore» de Mário Cesariny lido por Sónia Tavares: "Entre nós e as palavras, os emparedados / e entre nós e as palavras, o nosso querer falar" [cf. poema]. Esta entrada serve também para lembrar o autor, quatro anos depois da sua morte.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

o José e Pilar de Miguel Gonçalves Mendes

Não tencionava falar do assunto, mas com esta entrada e agora com esta exortação resolvi contrariar a agenda e a minha própria vontade. Bem sei que o impacto causado pela divulgação que aqui faço é nenhuma, mas vale pelo menos a intenção. Vão ver José e Pilar. E ainda mais depois do apelo que o realizador divulgou aqui pois a afluência tem sido reduzida.

Antes de mais, vimos no sábado o filme documentário José e Pilar do Miguel Gonçalves Mendes, quando a NATO se encimeirava e a avenida se manifestava. E ainda antes de mais: já gostávamos muito do realizador por causa de Autografia, o filme documentário/ entrevista sobre/ com Mário Cesariny.
Agora, José e Pilar. Constato que não foi só no passado que voltámos costas aos nossos valores: aconteceu assim com quase todos os nossos bons escritores, aqueles que os próprios estrangeiros, sobretudo brasileiros, aprenderam a gostar muito antes de nós. Assim se passa com Saramago, assim se passou com o filme Ensaio sobre a Cegueira e assim se passa agora com esta obra inqualificável de Miguel Gonçalves Mendes.
Inqualificável, pois tem qualidades que vão além do qualificável, muito além do tempo gasto/ganho nos 128 minutos que dura o filme. Sim, não consigo descrever como me fez bem aquele encontro com Pilar e com Aquele escritor, sobre quem tinha tantos preconceitos há uns anos atrás. Porque, afinal, foi um encontro comigo próprio - e é disso que se trata: um encontro connosco próprios, é impossível não pensarmos em nós, nas nossas relações diárias, no poder, na fragilidade do corpo, na proximidade da morte, na volatilidade da vida, do que morre e do que fica, do encontro e da perda. Com música ao nível das palavras, com encontros e cansaço, com energia para dar e vender e com uma noção muito urgente de que o que importa - o que nos sobrevive - é muito pouco, mas pode ser muito, tem momentos de grande comoção, em que é impossível não sermos tocados (e nada tem que ver com ideologia política!).
Acreditem, ver um homem de aparência dura e circunspecta como Saramago assim tão dado ao afecto cúmplice é comovente e exemplar. Claro que considerando a sua escrita se percebe que não podia ser de outra maneira, por ser tão humana, tão preocupada com a individualidade e, mormente, com a individualidade da mulher. Citando Pilar del Rio, sem dúvida que se trata de um documentário "delicado, poético e dolorosamente real".

Deixo-vos os trailers brasileiro e português que são ligeiramente iguais:





«Sinopse»

«A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río.

Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo – ou, pelo menos, em torná-lo melhor.

José e Pilar revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, “tudo pode ser contado de outra maneira”.»

domingo, 14 de novembro de 2010

quando formos grandes, queremos ser assim : Henryk Górecki

Henryk Mikołaj Górecki
[6 de Dezembro, 1933 † 12 de Novembro, 2010]



Apercebi-me ontem que tinha morrido anteontem o compositor de uma das obras que amo: Sinfonia nº 3 (Sinfonia da Lamentações) de Henryk Górecki. Já anteriormente aqui tinha posto duas entradas, mas, se não se lembram, ora ouçam estes três excertos:






sexta-feira, 18 de junho de 2010

uma vida simples?



José de Sousa Saramago
[Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Lanzarote, 18 de Junho de 2010]

segunda-feira, 31 de maio de 2010

notas telegráficas

1 # Foi publicada A LEI que altera o código civil. »»



2 # Ferreira Gullar, com 80 anos, ganhou o prémio Camões. Gostei! »»
Narciso e Narciso

Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que ao outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.
(...)

Ferreira Gullar, Obra Poética. Quasi Edições, 2003, p. 393-394



3 # Clint Eastwood faz hoje 80 anos.



4 # A artista plástica Louise Bourgeois, nascida a 25 de Dez. de 1911, morreu a caminho dos 99 anos. »»

Louise Bourgeois, numa fotografia de Robert Mapplethorpe (1982)



4 # Esta entrada também segue sem comentários que não tenho nem para me coçar.

domingo, 16 de maio de 2010

17.05.2010 ☆ ouro sobre azul



Não ouvi o discurso, mas retive o essencial: CASAMENTO APROVADO! Este sim, é um dia profundamente histórico: subitamente, eis que o dia anti-homofobia se torna o nosso dia com menos descriminação. E o Zé já me disse que SIM! ☺

Gosto muito do electro-pop deste duo inglês. Já tinha posto
aqui um vídeo, mas a adesão parece ter sido nenhuma. Por isso insisto, olhem que vale a pena esperar que o vídeo cresça e ver/ouvir Better than love.






HURTS, Better Than Love

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

quando formos grandes, queremos ser assim : Alexander McQueen

Lee Alexander McQueen
[16 de Março, 1969 † 11 de Fevereiro, 2010]



Chego a casa e constato que Alexander McQueen foi hoje encontrado morto em casa. Tenho pena. Apesar de eu não falar muito de moda, gostava dele e das suas criações. Morreu hoje. Tinha 40 anos. Afinal, ainda se morre jovem por aí. Provavelmente de suicídio. E hoje descobri por este vídeo, um holograma tridimensional com Kate Moss projectado num desfile seu (outra versão).



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

quando formos grandes, queremos ser assim : Rosa Lobato de Faria

Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria
[20 de Abril, 1932 † 2 de Fevereiro, 2010]


Chego a casa e diz-me o Zé que morreu. Tenho pena. Muita! Afinal, além de muitas outras coisas por que se dividiu, escreveu um dos romances de temática homossexual/gay de que mais gosto. Falo de A Alma Trocada. Rosa Lobato de Faria foi também, como escreveu Eduardo Pitta, uma Senhora. Sem muito ruído, aproveito a ocasião para voltar a essas entradas antigas onde citei passagens do romance.
Entrada 1 ► ► Entrada 2 ► ► Entrada 3 ► ► Entrada 4 ► ► Entrada 5 ► ► Entrada 6 ► ► Entrada 7 ► ► Entrada 8 ► ► Entrada 9 ► ►
E de entre elas, destaco aqui as duas que se seguem:

Finalmente o prazer. Farrapos de fantasias eróticas de toda uma vida, numa espiral onde rodopiavam emoções, sensações, esquecimento próprio, loucura, aceitação do animal em mim, do grito, da fome, da liberdade de ser e saber que se é. Apesar. Mau grado. Não obstante. Que se lixe.
Finalmente o prazer. Tantas vezes sonhado, imaginado, desejado, pressentido. Puro e irracional. Irresponsável. A fúria da descoberta e depois a paz. Essa paz desconhecida, completa, apaziguadora. Pela primeira vez na vida, a plenitude.
Dormi sobre isto e acordei feliz.
Rosa Lobato de Faria » A Alma Trocada (Porto: Asa) » 2007 » p. 7



Cheiravas a feno e não sabias que o coração é um barco no tempo. Quando as aves do Verão demandarem o Sul virás devagar, abrirás a porta verde-escura e esperarás em vão pelo frémito do meu corpo. Não voltarei a passar o renque das azáleas, o muro onde o sol nasce, a chuva, para morrer nos teus braços.
Rosa Lobato de Faria » A Alma Trocada (Porto: Asa) » 2007 » p. 164

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

em memória dos nossos

As pedras perseguem-nos
e, com elas, melancolias e mitos.

Vestígios de um tempo inscrito
nas vozes solitárias.

Eduardo Pitta »» Poesia Escolhida (Círculo de Leitores) »» p. 95
{ler mais aqui}







Jan Garbarek & The Hilliard Ensemble, Parce mihi domine
(de Christobal de Morales 1500-53) Officium [1994]

domingo, 18 de outubro de 2009

quando formos grandes, queremos ser assim .:. Stephen Gately



Stephen Patrick David Gately

[17 de Março, 1976 † 10 de Outubro, 2009]













Andrew Cowles and Stephen Gately at their civil partnership ceremony in March 2006. Photograph: Rex Features











sábado, 17 de outubro de 2009

o teu panegírico!

A narradora de A República dos Sonhos começa assim a sua história:
«Eulália começou a morrer na terça-feira.»


Começar um romance assim é como chegar junto do leitor e dar-lhe de imediato uma bofetada, surpreendendo-o. Eu, pelo menos, fiquei nem sei se comovido, se chocado. Mas cativou-me. O romance é um dos mais conhecidos da brasileira Nélida Piñon. E Eulália morre lá para o final, umas 730 e tal páginas depois.

Aquariana, a caminho dos 52 anos, acordou na manhã de 17 de Julho com visão dupla. Foi para o Hospital da Luz. Não sei se começou a morrer aí, se antes. A verdade é que desde nascermos somos seres para a morte, Heidegger dixit. No hotel Hospital da Luz, comunicaram-lhe a descoberta de uma massa no interior do cérebro e a partir daí deram-lhe vários diagnósticos. Todos errados. Para descontrair, e se era uma massa, dizia que tinha de ser espaguete. Não queria ver as pessoas com pena dela. Soube depois que podia ser uma tuberculose cerebral(?) ou um tumor. Nunca nada de concreto. No Hospital dos Capuchos, duas semanas antes da morte, deram-lhe o diagnóstico definitivo: linfoma. Nessa altura já estava em coma. Mas já antes sabia que ia morrer e não estava preparada.

Mulher da viola d'arco. Arquitecta que preferiu entregar-se às artes do ensino. Bem, nós não estávamos preparados, essa é que é essa! Tínhamos concertos para assistir num futuro qualquer. Tínhamos um quadro meu com dedicatória e tudo para lhe oferecer. Tínhamos um postal e selo destinados para lhe mandar. Ah, e havia o nome com que às vezes me chamava: Zoninho. Achava piada - ela e eu. Era o -inho do costume, mas não em Paulo, pois gostava de ser diferente e pegou na particularidade do meu endereço de email. Em homenagem, por aqui, virtualmente, rebaptizo-me em sua memória: serei o Zoninho.

Uma semana depois, ainda o meu luto. A alma mais enrugada e a óbvia constatação de que há partidas sem regressos. E de que a morte não tem nada de simples nem linear.

Uma vez, perguntou-me quem me tinha feito tanto mal para eu ser assim: imediatamente sorridente mas tão contorcido, tão enrugado e partido por dentro. Respondi que não sabia e fui sincero, acho que ninguém; embora desconfie que a minha memória arranja mecanismos de ocultação bastante eficientes e, à distância, tudo fica minimizado, reduzido a pormenores de caricatura e humor negro. Acabávamos a conversar sobre aquilo que eu achava que motivava as pessoas a cruzarem-se e a desenvolverem laços ou a desprenderem-se mais tarde desses mesmos laços, seguindo caminhos diferentes, com o sentido de missão cumprida.

E encerro o assunto com a sensação de que tanto entre nós os três ficou por dizer/fazer. Muito provavelmente teremos de nos encontrar em vidas futuras para terminar o enredo. Encerrando o assunto, só espero que não seja moda! Sim, é a 2ª pessoa ligada ao ensino que esteve nesse 1º piquenique nas Caldas e que em 2009 morreu por causa de cancro. Sim, está nesta fotografia e era, como o Zé lhe chamou, um verdadeiro furacão: tinha energia para dar e vender. Agora não tem mais.



Foi um prazer! Sentimos a tua falta! Fazes-nos falta!
Bem-hajas por tudo o que nos deste!








p.s. 1 ► Escrevi duas entradas particulares sobre si: uma explicação sobre como nos conhecemos »» e um comentário por altura do seu quinquagésimo aniversário »»
p.s. 2 ► Há quatro comentários particulares e especiais que nos deixou: várias coisas, incluindo o ensino »» + a amizade e as alianças que eu e o Zé passámos a usar »» + a homossexualidade e a hipocrisia (seguido de um comentário do Catatau) »» + o último comentário assinado como "a cota" »»

domingo, 11 de outubro de 2009

Família e Amigos

Chegou pela mão do Paulo, colegas na mesma escola. Confesso que o início não foi fácil. Por um lado havia o furacão e, por outro, um Caranguejo avesso a coisas muito repentinas. Houve momentos em que não soube compreendê-la, é certo. Mas, que diabo, as amizades também são feitas de "arrufos", ou não?
Durante o velório, no meio das conversas, percebi o quão pouco tantas vezes os familiares mais próximos percebem sobre nós. E não nos entendem. Não percebem nada!
Como isso me entristece. Dá que pensar sobre o valor da Amizade. Que estranha ligação é esta que se estabelece entre as pessoas que está, tantas vezes, para além dos elos biológicos?

Já agora, o seu último email dizia:

Recebi…

Não sei quem escreveu…

Gostei…

Divulgo…

FELICIDADE

"A felicidade faz-se assim, cozinha-se nos intervalos das ausências, enquanto vamos largando o lastro de algumas pessoas e antecipando outras que chegam, adivinhando-as de expectativas intactas. É também olhar para quem fica e está dentro de nós, é cuidar e ser cuidado, tendo-se prazer na tarefa.

A felicidade é um momento aqui e outro acolá, é um vazio preenchido, é a palavra certa sob a luz ideal, é a sensação triunfante de controlo sobre algo que nos andava a fugir. É o inesperado exercício da liberdade, e é o alívio de dizer a verdade, de amar apenas a quem o coração manda. E de ser correspondido na dança palaciana do amor, que implica uma coreografia minuciosa e acertada.

A felicidade é a sincronia, o emparelhamento, a coincidência e a congeminação dos astros; é o triunfo do não quando a resposta não pode ser sim, é o alívio de estarmos no caminho certo e a certeza infantil do pote de ouro no fim do arco-íris, mesmo quando não acreditamos em contos de fadas.

A felicidade é sabermo-nos libertar das felicidades antigas, velhas e gastas, e conseguirmos rasgar fotografias com leveza na alma, em especial as que nunca chegaram a ser tiradas."

Existe!



***
Fica aqui Bobby McFerrin, outro génio que não só nos recomendou como nos ofereceu o DVD onde está este momento incrível


[Bobby McFerrin, Ave Maria]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ciao!

Digo-vos que devem clicar no play (quem quiser, obviamente, mas Trilok Gurtu é muito bom)

Trilok Gurtu, Nanda (To My Mother) [pelo Arkè String Quartet]





A morte é simples e absolutamente anti-natural. Fácil de entender. Dizem que é o fado. Preferia que não fosse assim, mas até na data acertei. Ontem, no Coliseu, já sentados, à espera de Amália Hoje, às 21:12, recebo a mensagem: «A nossa amiga já partiu». Partiu! Abrupta, quase fulminante, intensa como ela bem sabia ser. Dois dias antes do piquenique organizado pelo Algbiboy, percebeu que não estava bem e que era grave, embora não soubesse do quê. Talvez afónico, não tenho palavras nem tempo. Não tenho. Muitos dos que nos lêem conviveram com com ela pelo menos no 1º piquenique do Algbiboy e no jantar de blogues deste ano, apesar de nunca ter tido blogue. Mas, e sem qualquer bazófia, é uma grande mulher, uma grande mãe, uma grande professora. Uma GRANDE Amiga. Humilde, mas um GRANDE ser humano. Mais tarde, escreverei mais sobre ela; agora, repito uma última frase que lhe escrevi há dois anos nesta entrada: «Ultimamente, temos falado muito pouco e sinto a sua falta. Where are you, dear?»