diz-se por aí que a vida é um palco.teatro.mas também podia ser muitas outras coisas. por exemplo, umfilme. um qualquer.é só escolher o género.lembro-me que, hoje, podia ser dia de ir ao cinema.mas hoje não.hoje, na verdade, estou só triste.
O mês de Janeiro levou-nos por duas vezes ao Grande Auditório da Gulbenkian. Foram duas noites para lembrar. A 14 de Janeiro, vimos, pela terceira vez, a Soprano Ute Lemper, desta vez com a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo Maestro Lawrence Foster. O espectáculo "De Berlim a Paris" trouxe música de Paul Hindemith (Abertura da ópera Neues vom Tage), Kurt Weill (Die Moritat von Mackie Messer, Song of Mendeley, Youkali, J'attends un navire, Saga of Jenny), Hanns Eisler (Der Graben, Das Wasserrad), Norbert Schultze (Lili Marleen), Friedrich Hollaender(Lola), Erik Satie / Claude Debussy (Gymnopédie nº 1), Jacques Brel (Je ne sais pas, Amsterdam, Ne me quitte pas, Chanson de Jacky), Édith Piaf (Milord, Padam) e John Kander (Cabaret, All that Jazz). Um must de que fica aqui um cheirinho que alguém filmou à socapa e colocou no You Tube.
Adoramos a Ute, pois claro. O concerto com orquestra sinfónica prometia e não podíamos faltar. A interpretação (com direito a lágrimas) de Ne me quitte pas é uma das mais vivas memórias dessa noite.
A 31 de Janeiro, vimos, pela primeira vez, o Al-Kindi Ensemble, com Julien Jâlal Eddine Weiss (kanun, direcção), no espectáculo Stabat Mater Dolorosa, homenagem cristã e muçulmana a Maria. O programa reuniu cerca de vinte figuras, incluindo um coro bizantino, derviches sírios e o cantor soufi Sheikh Habboush. Uma limpeza de alma!
Para animar estes dias escuros e frios, fica esta excelente sugestão
(e surpreendente, também)
que coube ao Special K para o jantar de blogues do ano passado. Entretanto, por aqui vai uma pausa para o muito trabalho!
Acabadinhos de sair, estes vídeos de Ricky Martin com as versões em inglês e em espanhol: The Best Thing About Me Is You // Lo Mejor De Mi Vida Eres Tú. Apesar de não gostar muito da música, os vídeos são todo um tratado!
Ontem, por causa dos vídeos com a Shirley Bassey, estávamos no youtube quando apareceu um registo com uma música que o Zé referiu como muito bonita: "Send in the clowns" ("Que entrem os palhaços"):
"Send in the Clowns" (numa tradução livre, Que Entrem os Palhaços) é uma canção de Stephen Sondheim, composta para o musical A Little Night Music de 1973. É uma balada lenta e tristonha, na qual a personagem Desiree reflete sobre as ironias e desapontamentos de sua vida.
Nunca a tinha ouvido e o meu Zé mostrou-me várias versões; e, afinal, tudo o que é cantor já a cantou (ele, inclusive). Como ele frisou, a versão da Shirley Bassey é muito, muito boa (da versão da Barbra Streisand, não gostei tanto). Também gostei muito da Glenn Close; e ponho ainda aqui a ligação para a versão de Renato Russo porque o vídeo tem a letra traduzida. Ora, oiçam. [p.s. obrigado ao Sôfrego que também notou a ausência desta música na selecção das 7 músicas que tinha feito da Shirley]
Ontem, pode não parecer, a música "Send in the clowns" veio ao meu encontro para me comover como a morte macabra foi de encontro a Carlos Castro. Música e assassinato têm tudo a ver. Chamem o CSI.
Isto é só festa... talvez inspirado no vídeo de ontem (ou deverei dizer já do ano passado?), o israelita Yehonathan - de quem já aqui tinha posto dois vídeos não sei há quantos séculos atrás. Ignorem as previsões e os pressentimentos pessoais e tenham um excelente 2011!
Chegamos ao fim de um ano infausto, que dos poucos factos positivos que teve foi a aprovação do casamento em homossexuais, e entramos naquele que ainda se afigura pior... Não há resoluções que resistam... Enfim, aproveitem, divirtam-se enquanto podem. E, mais uma vez, refiro-me aqui a Shortbus. Para quem não viu, delicie-se; quem já viu, reveja. Ponho agora o final do filme, mas o que interessa mesmo é a música. A interpretação é de Justin Bond e da Hungry March Band, mas o original pertence a Scott Matthew (o barbudo que também aparece no excerto):
and as your last breath begins you find your demon's your best friend and we all get it in the end
Apresento-vos a mais famosa e (das que conheço) mais bonita das Cantigas de Santa Maria. Fazendo parte do repertório religioso, estas cantigas têm a autoria atribuída a Afonso X de Castelo, o Sábio, e, já agora, avô de D. Dinis - o nosso poeta lavrador. Como as cantigas de amigo, de amor, de escarnho e maldizer, entre outras composições profanas, as cantigas de Santa Maria foram escritas naquela que era a língua culta da Península Ibérica: o galaico-português.
Santa Maria Strela do Dia - 100 -
Esta é de loor.
Santa Maria, Strela do dia, mostra-nos via pera Deus e nos guia.
Ca veer faze-los errados que perder foran per pecados entender de que mui culpados son; mais per ti son perdõados da ousadia que lles fazia fazer folia mais que non deveria.
Santa Maria...
Amostrar-nos deves carreira por gãar en toda maneira a sen par luz e verdadeira que tu dar-nos podes senlleira; ca Deus a ti a outorgaria e a querria por ti dar e daria.
Santa Maria...
Guiar ben nos pod' o teu siso mais ca ren pera Parayso u Deus ten senpre goy' e riso pora quen en el creer quiso; e prazer-m-ia se te prazia que foss' a mia alm' en tal compannia.
Henryk Mikołaj Górecki [6 de Dezembro, 1933 † 12 de Novembro, 2010]
Apercebi-me ontem que tinha morrido anteontem o compositor de uma das obras que amo: Sinfonia nº 3 (Sinfonia da Lamentações) de Henryk Górecki. Já anteriormente aqui tinha posto duas entradas, mas, se não se lembram, ora ouçam estes três excertos:
Às vezes, o meu Zé sai-se com "rebola a bola, você diz que dá, que deu; rebola a bola, você na bola não deu". Pelo que me foi possível perceber é um tema tradicional do Norte de Portugal. No meio, descobri esta versão/ variante da Carmen Miranda. Vá tentem imitar-lhe a rapidez. E ela não toma só a letra nacional... reparem bem nas cores predominantes da sua indumentária. Parece coincidência, não é?!