Eu, que tenho ligeira aversão aos possessivos apensos às pessoas próximas – como se fossem objectos –, passei a gostar, no entanto, de dizer o meu Zé.
E o meu Zé é especial – todos os zés e marias de todos aqueles que amam devem sê-lo (mas se até os que não têm zés ou marias têm dias especiais…).
Hoje é o dia do meu Zé, que por ser meu é superiormente especial. O dia em que as nuvens se curvaram para revelar o sol que iluminou, desde o primeiríssimo instante, os olhos de céu cheios do meu Zé – que são também o meu céu, afinal.
Hoje é o dia pacífico em que a bioquímica proporcionou que chegasse primoroso, inteiro, fiel, destro. Doce e azedo. Amargo e perfeitamente perfeito. Tal como o são os seres bons e belos... e imperfeitos. Portanto, existe nele o meu paraíso, mesmo que às vezes me esqueça disso. Mas acordo depois e regresso-lhe como filho pródigo.
Assim, tu que te tornaste a minha pátria, o meu latifúndio, a minha casa, a minha segunda pele, ouve-me: que todos os teus dias tenham a polpa da felicidade e possas colher em cada um deles sustento suficientemente saciante para transformar os espinhos do caminho no suave bálsamo das árvores rumorejantes e generosas.
Sabe que dobrar desta forma a vida contigo é ________!
Há dias assim. Dias cheios de toda a plenitude do mundo, em que partir é chegar com as mesmas, e afinal diferentes, mãos de todas as horas, mãos marcadas de tão cheias que estão, de tão carregadas que vêm.
Hoje é esse dia. Muitos parabéns, meu amor!