José de Sousa Saramago
[Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Lanzarote, 18 de Junho de 2010]
Recebi…
Não sei quem escreveu…
Gostei…
Divulgo…
FELICIDADE
"A felicidade faz-se assim, cozinha-se nos intervalos das ausências, enquanto vamos largando o lastro de algumas pessoas e antecipando outras que chegam, adivinhando-as de expectativas intactas. É também olhar para quem fica e está dentro de nós, é cuidar e ser cuidado, tendo-se prazer na tarefa.
A felicidade é um momento aqui e outro acolá, é um vazio preenchido, é a palavra certa sob a luz ideal, é a sensação triunfante de controlo sobre algo que nos andava a fugir. É o inesperado exercício da liberdade, e é o alívio de dizer a verdade, de amar apenas a quem o coração manda. E de ser correspondido na dança palaciana do amor, que implica uma coreografia minuciosa e acertada.
A felicidade é a sincronia, o emparelhamento, a coincidência e a congeminação dos astros; é o triunfo do não quando a resposta não pode ser sim, é o alívio de estarmos no caminho certo e a certeza infantil do pote de ouro no fim do arco-íris, mesmo quando não acreditamos em contos de fadas.
A felicidade é sabermo-nos libertar das felicidades antigas, velhas e gastas, e conseguirmos rasgar fotografias com leveza na alma, em especial as que nunca chegaram a ser tiradas."
Existe!

e agora, Catatau? esperamos coordenadas para o que havemos de fazer? sim, tens de saber: esperamos as coordenadas para o nosso percurso! que é feito do teu sorriso franco e limpo? e do humor único? e da cumplicidade? nosso querido Catatau, ontem percebi que tudo de repente. que tudo de repente podia ficar em silêncio. e o silêncio basta? não! e quem nos comentará com a sabedoria, a amizade e o tempo que tu tão particularmente tinhas? mas pior que esse silêncio de circunstância virtual é saber que já não atenderás o telefone. que não virás ter connosco, nem todos nós poderemos andar quilómetros e quilómetros para ir ter contigo onde quer que estivesses, ainda que saibamos que agora estás em todo o lado. mas uma imitação de omnipresença não nos chega. e a verdade da ausência é uma dor imensurável. porque já não poremos devagar a nossa mão no teu peito para ouvir o respirar da terra. ontem, Catatau, entendi o que não queria perceber. hoje, estive triste como um barco negro ao sol. e o inevitável. é verdade que nós juntos, eu e o Zé, já perdemos tanta gente por causa de cancro que a morte se tornou um crime banal. e de cada vez, Catatau, é a mesma lança que nos atravessa de lado a lado. e esvaímo-nos, Catatau! contigo. mas as nossas pequenas dores deixam de fazer qualquer sentido. não te esqueças: estamos à espera das coordenadas para o nosso percurso! conforta-nos saber que a nossa entrevista te causou "enorme orgulho e prazer". não nos esquecemos. aonde quer que vás, nós vamos contigo. para onde quer que vás, nós iremos lá ter! além do fim do mundo. só precisamos das tuas coordenadas. não nos esquecemos que, por vezes, num segundo se evolam muitos anos! e a mesma pergunta, Catatau: porquê?
meilė mīlestība miłość pag-ibig rakkaus szerelem tình yêu tlazohtiliztli αγάπη любов любовь љубав юрату אהבה ליבע حب عشق محبت ప్రేమ സ്നേഹം ආදරය ความรัก ᑕᑯᑦᓱᒍᓱᑉᐳᖅ ፍቅር 사랑 愛Há muito que nutro grande admiração por Aznavour. Aprecio o seu poder interpretativo e a forma como este, finalmente, cidadão arménio manobra as palavras. Mas este post não é para falar dele mas do meu Valentim. Quero deixar-lhe aqui este Je t’aime a.i.m.e. para lhe dizer o inevitável. A canção fala de alguém que pretende expressar-se pelas palavras mas que esbarra nas dificuldades da língua a cada passo. Está aqui tudo: o cuidado na escolha do papel e da tinta, a escolha transpirada das palavras, o borrão de tinta, o amarrotar da folha, o recomeçar, … E está aqui também o desistir e optar por formas mais pragmáticas. Por isso, meu querido, vamos ao que interessa (au diable mon stylo): amo-te, e mais nada!
Je t’aime A.I.M.E
Je t'écris c'est plus romantique
Comme un amant du temps jadis
Sur un papier couleur de lys
A l'encre bleue, et je m'applique
Quand ma plume, manque de chance,
Fait en sortant de l'encrier
Une tache sur le papier
Que je déchire et recommence
Je t'aime A.I.M.E.
T'aime le cœur en feu
Faut-il un X à feu ?
Ça me pose un problème
Allez je barre feu
Mais je garde je t'aime
Je t'aime A.I.M.E.
Simplement j'y ajoute
Ces mots "A la folie"
Mais soudain j'ai un doute
Folie avec un L
Un seul L ou bien deux ?
Deux ailes serait mieux
Tellement plus jolies
Et bien sûr plus vivant
Vivant, comme une envie
Que le bonheur agrafe
Comme un papillon bleu
Au cœur d'un amoureux
Inquiet de l'orthographe
A l'école j'étais le cancre
Dont on ne pouvait rien tirer
Guettant l'heure de la récré
L'œil fixe et les doigts tachés d'encre
Aujourd'hui je me désespère
J'ai des lacunes et je le sais
Mais amoureux il me vient des
Velléités épistolaires
Je t'aime A.I.M.E.
Et je n'ai foi qu'en toi
Comment écrire foi
Privé d'un dictionnaire
Il y a tant de fois
Dans le vocabulaire
Je peine et je m'en veux
Allez je place un S
Mieux vaut peut-être un E
Franchement ça me stresse
Et mon foie fait des nœuds
Des heures d'affilée
Penché sur le papier
Je corrige et rature
Puis j'envoie tout valser
Maudissant l'écriture
Ecœuré j'abandonne
Au diable mon stylo
Je dirais tous ces mots
Tranquille au téléphone
Je prends le combiné
Compose un numéro
Je n'ai plus de problèmes
Allo, amour, allo
Oui oui c'est encore moi
Pour la énième fois
Qui t'appelle, tu vois
Pour te dire : "Je t'aime"