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sexta-feira, 18 de junho de 2010

uma vida simples?



José de Sousa Saramago
[Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Lanzarote, 18 de Junho de 2010]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

para a Lara

As aulas vão chegando ao fim. Pelo menos algumas. Mas continuo ainda sem tempo para deambular por aqui. Esta entrada é, então, e sem grandes explicações, para a Lara. Poderia dedicar-lhe Lispector, ou Colasanti, ou Viviane Mosé. Ou outra qualquer grande mulher escritora. Eis que não resisti a mais um poema da enérgica Viviane Mosé, desta vez trata-se da "Receita para arrancar poemas presos" em duas versões ao vivo. Não sei se já tinha dito, mas esta entrada é para a Lara por hoje simplesmente me ter feito sorrir mais do que é habitual.




“Receita para arrancar poemas presos”



A maioria das doenças que as pessoas têm

São poemas presos,
Abcessos, tumores, nódulos, pedras são palavras calcificadas,
São poemas sem vazão,
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado,
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima.

Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema.

Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.

Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de Espírito Santo.

Eu venho do Espírito Santo
Eu sou do Espírito Santo
Trago a vitória do Espírito Santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.

sábado, 17 de outubro de 2009

o teu panegírico!

A narradora de A República dos Sonhos começa assim a sua história:
«Eulália começou a morrer na terça-feira.»


Começar um romance assim é como chegar junto do leitor e dar-lhe de imediato uma bofetada, surpreendendo-o. Eu, pelo menos, fiquei nem sei se comovido, se chocado. Mas cativou-me. O romance é um dos mais conhecidos da brasileira Nélida Piñon. E Eulália morre lá para o final, umas 730 e tal páginas depois.

Aquariana, a caminho dos 52 anos, acordou na manhã de 17 de Julho com visão dupla. Foi para o Hospital da Luz. Não sei se começou a morrer aí, se antes. A verdade é que desde nascermos somos seres para a morte, Heidegger dixit. No hotel Hospital da Luz, comunicaram-lhe a descoberta de uma massa no interior do cérebro e a partir daí deram-lhe vários diagnósticos. Todos errados. Para descontrair, e se era uma massa, dizia que tinha de ser espaguete. Não queria ver as pessoas com pena dela. Soube depois que podia ser uma tuberculose cerebral(?) ou um tumor. Nunca nada de concreto. No Hospital dos Capuchos, duas semanas antes da morte, deram-lhe o diagnóstico definitivo: linfoma. Nessa altura já estava em coma. Mas já antes sabia que ia morrer e não estava preparada.

Mulher da viola d'arco. Arquitecta que preferiu entregar-se às artes do ensino. Bem, nós não estávamos preparados, essa é que é essa! Tínhamos concertos para assistir num futuro qualquer. Tínhamos um quadro meu com dedicatória e tudo para lhe oferecer. Tínhamos um postal e selo destinados para lhe mandar. Ah, e havia o nome com que às vezes me chamava: Zoninho. Achava piada - ela e eu. Era o -inho do costume, mas não em Paulo, pois gostava de ser diferente e pegou na particularidade do meu endereço de email. Em homenagem, por aqui, virtualmente, rebaptizo-me em sua memória: serei o Zoninho.

Uma semana depois, ainda o meu luto. A alma mais enrugada e a óbvia constatação de que há partidas sem regressos. E de que a morte não tem nada de simples nem linear.

Uma vez, perguntou-me quem me tinha feito tanto mal para eu ser assim: imediatamente sorridente mas tão contorcido, tão enrugado e partido por dentro. Respondi que não sabia e fui sincero, acho que ninguém; embora desconfie que a minha memória arranja mecanismos de ocultação bastante eficientes e, à distância, tudo fica minimizado, reduzido a pormenores de caricatura e humor negro. Acabávamos a conversar sobre aquilo que eu achava que motivava as pessoas a cruzarem-se e a desenvolverem laços ou a desprenderem-se mais tarde desses mesmos laços, seguindo caminhos diferentes, com o sentido de missão cumprida.

E encerro o assunto com a sensação de que tanto entre nós os três ficou por dizer/fazer. Muito provavelmente teremos de nos encontrar em vidas futuras para terminar o enredo. Encerrando o assunto, só espero que não seja moda! Sim, é a 2ª pessoa ligada ao ensino que esteve nesse 1º piquenique nas Caldas e que em 2009 morreu por causa de cancro. Sim, está nesta fotografia e era, como o Zé lhe chamou, um verdadeiro furacão: tinha energia para dar e vender. Agora não tem mais.



Foi um prazer! Sentimos a tua falta! Fazes-nos falta!
Bem-hajas por tudo o que nos deste!








p.s. 1 ► Escrevi duas entradas particulares sobre si: uma explicação sobre como nos conhecemos »» e um comentário por altura do seu quinquagésimo aniversário »»
p.s. 2 ► Há quatro comentários particulares e especiais que nos deixou: várias coisas, incluindo o ensino »» + a amizade e as alianças que eu e o Zé passámos a usar »» + a homossexualidade e a hipocrisia (seguido de um comentário do Catatau) »» + o último comentário assinado como "a cota" »»

domingo, 11 de outubro de 2009

Família e Amigos

Chegou pela mão do Paulo, colegas na mesma escola. Confesso que o início não foi fácil. Por um lado havia o furacão e, por outro, um Caranguejo avesso a coisas muito repentinas. Houve momentos em que não soube compreendê-la, é certo. Mas, que diabo, as amizades também são feitas de "arrufos", ou não?
Durante o velório, no meio das conversas, percebi o quão pouco tantas vezes os familiares mais próximos percebem sobre nós. E não nos entendem. Não percebem nada!
Como isso me entristece. Dá que pensar sobre o valor da Amizade. Que estranha ligação é esta que se estabelece entre as pessoas que está, tantas vezes, para além dos elos biológicos?

Já agora, o seu último email dizia:

Recebi…

Não sei quem escreveu…

Gostei…

Divulgo…

FELICIDADE

"A felicidade faz-se assim, cozinha-se nos intervalos das ausências, enquanto vamos largando o lastro de algumas pessoas e antecipando outras que chegam, adivinhando-as de expectativas intactas. É também olhar para quem fica e está dentro de nós, é cuidar e ser cuidado, tendo-se prazer na tarefa.

A felicidade é um momento aqui e outro acolá, é um vazio preenchido, é a palavra certa sob a luz ideal, é a sensação triunfante de controlo sobre algo que nos andava a fugir. É o inesperado exercício da liberdade, e é o alívio de dizer a verdade, de amar apenas a quem o coração manda. E de ser correspondido na dança palaciana do amor, que implica uma coreografia minuciosa e acertada.

A felicidade é a sincronia, o emparelhamento, a coincidência e a congeminação dos astros; é o triunfo do não quando a resposta não pode ser sim, é o alívio de estarmos no caminho certo e a certeza infantil do pote de ouro no fim do arco-íris, mesmo quando não acreditamos em contos de fadas.

A felicidade é sabermo-nos libertar das felicidades antigas, velhas e gastas, e conseguirmos rasgar fotografias com leveza na alma, em especial as que nunca chegaram a ser tiradas."

Existe!



***
Fica aqui Bobby McFerrin, outro génio que não só nos recomendou como nos ofereceu o DVD onde está este momento incrível


[Bobby McFerrin, Ave Maria]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ciao!

Digo-vos que devem clicar no play (quem quiser, obviamente, mas Trilok Gurtu é muito bom)

Trilok Gurtu, Nanda (To My Mother) [pelo Arkè String Quartet]





A morte é simples e absolutamente anti-natural. Fácil de entender. Dizem que é o fado. Preferia que não fosse assim, mas até na data acertei. Ontem, no Coliseu, já sentados, à espera de Amália Hoje, às 21:12, recebo a mensagem: «A nossa amiga já partiu». Partiu! Abrupta, quase fulminante, intensa como ela bem sabia ser. Dois dias antes do piquenique organizado pelo Algbiboy, percebeu que não estava bem e que era grave, embora não soubesse do quê. Talvez afónico, não tenho palavras nem tempo. Não tenho. Muitos dos que nos lêem conviveram com com ela pelo menos no 1º piquenique do Algbiboy e no jantar de blogues deste ano, apesar de nunca ter tido blogue. Mas, e sem qualquer bazófia, é uma grande mulher, uma grande mãe, uma grande professora. Uma GRANDE Amiga. Humilde, mas um GRANDE ser humano. Mais tarde, escreverei mais sobre ela; agora, repito uma última frase que lhe escrevi há dois anos nesta entrada: «Ultimamente, temos falado muito pouco e sinto a sua falta. Where are you, dear?»





segunda-feira, 5 de outubro de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

..:: obrigado [#1] ::..



Afinal, venha lá o próximo! Este ano, marcámos o jantar para mais tarde mas com uma grande antecedência. Supostamente (era nossa intenção), os interessados teriam mais tempo para marcarem nas agendas. Depois de vários fogos-fátuos, chegámos a uma lista de 50 participantes. De repente, a lista foi diminuindo com desistências e desaparecimentos à última hora, em cima da hora ou mesmo depois da hora. Acabámos em 36. Menos que a contagem inicial, mas bons; afinal, só fizeram falta os presentes. Não me esqueci do que me disse o ano passado o Pinguim: as pessoas foram, de certa forma, 'escolhidas' por nós e, daí, ter resultado tão bem. E relembro ainda que o ano passado fomos 33; que, tal como no ano passado, também não conhecíamos pessoalmente assim tanta gente; que acabámos por escolher um local que privilegiasse o convívio; que o facto de terem faltado algumas presenças já antes confirmadas encareceu a conta que todos nós presentes tivemos de pagar. Aborrecido, no mínimo. Mas é assim que aprendemos. Inclusive, a conhecer as pessoas e a precavermo-nos. Temos - eu e o Zé - ainda de reforçar que o mérito da organização é toda do Pinguim, grande comunicador e dinamizador!
A conselho da Keratina, escolhemos fazer o jantar fora de Lisboa, no restaurante Guilho que fica na Amadora (cf. localização). Comemos e bebemos bem, tivemos o espaço só para nós, o que facilitou imenso o convívio e o conhecimento mútuo, ao contrário do ano passado; pois pudemos circular entre nós, conversar mais (mesmo que ainda me sinta às vezes um bocado 'apertado' entre estranhos), comer a ritmos diferentes, entrar nas conversas uns dos outros.
Não preparámos nada, mas o Ophiuchus e a Nocturna brindaram-nos com um momento de partilha e leitura delicioso. Recebi, como outros, do Ophiuchus um bloco para (intenção dele) escrever cartas de amor. É lindo! Prometo que o farei! À mão e no computador. Para finalizar, houve um número improvisado, mas não de somenos gabarito, com o carago do cartão de multibanco da Celeste. Aquilo é que foi, hein?!
Saímos às 2h do Guilho e parte de nós acabou a destilar no Maria Lisboa. E venha o próximo jantar, piquenique, seja o que for. Eis a lista de felizes convivas:


A... http://euporaquigay.blogspot.com/
Algbiboy http://minhaluz.blogs.sapo.pt/
André Benjamim http://andrebenjamim.blogspot.com/
Carametade http://xxxdddxxx.blogspot.com/
Carlos http://carlos-secretgardenmysoulisgreen.blogspot.com/
Celeste http://cumcaragoceleste.blogspot.com/
enGine throbs http://enginethrobs.wordpress.com/
F & X http://comyxtura.blogspot.com/
F3lixP http://sinest3sia.blogspot.com/
Falcão Peregrino http://utopico.blogs.sapo.pt
Fernando http://percursos-fernando.blogspot.com/
Grito Mudo http://gritomudo.wordpress.com
H2omens http://h2omens.blogspot.com/
Individual(mente) http://individualmente.blogspot.com/
Innersmile http://innersmile.livejournal.com/
Keratina http://vicioserealidades.blogspot.com
Lampejo http://avoltadafogueira.blogspot.com
Mário http://omeuoutroblog.blogspot.com/
Nocturna http://perdida-na-noite.blogspot.com/
Ophiuchus http://ophiuchus-threedecades.blogspot.com/
Paulo http://valkirio.blogspot.com/
Pinguim http://wwwdejanito.blogspot.com/
Rui sem blog
S.M. http://asminhasfacesocultas.blogspot.com/
Smile http://sinfoniadohorizonte.blogspot.com/
Special K http://loverbiboyblog.blogspot.com/
Teresa sem blog
Tongzhi http://tong-zhi.blogspot.com/
Will http://looking-for-grace.blogspot.com/
Zé & Paulo http://andmyman.blogspot.com/

★★★

Houve várias pessoas de quem muito sentimos a falta e, tal como há um ano, e de cor, enumero: a Anabela, a Denise, a Monga, o Luís Galego, o Rainha e o Graphic, o Graduated Fool, a Vanessa, o Luís e o Gonçalo, os LittleTB & MrTBear, o Manuel Braga Serrano, o X_Bear, o Oz, o The Unfurry Swear Bear, o TheTalesMaker, o Brama, o Cristms, o Hydra, o Kapitão, a Natacha, o Maurice, o Max, o Músico Guerreiro, o Mikael, o Socrates, o Héliocoptero, mais @s respectiv@s. E muitos outros que não nomei. Tenho muita pena, mas espero que noutra oportunidade possam mesmo aparecer. Sentimos a vossa falta!

domingo, 3 de maio de 2009

≈≈ mãe ::..

António Variações, Deolinda de Jesus



A minha mãe,
É a mãe mais bonita,
Desculpem, mas é a maior,
Não admira, foi por mim escolhida,
E o meu gosto, é o melhor,
E esta é a canção mais feliz,
Feliz eu que a posso cantar,
É o meu maior grito de vida
Foi o seu grito, o meu despertar,
Canção de mãe é sorrir,
Canção berço de embalar,
Melodia de dormir,
Mãe ternura a aconchegar,
Canção de mãe é sorrir,
Gosto de ver e ouvir,
Voz imagem de sonhar,
Imagem viva lembrança,
Que faz de mim a criança,
Que gosta de recordar

A minha mãe,
É a mãe mais amiga,
Certeza, com que posso contar,
E nem por isso, sou a imagem que queria,
Mas nem sempre me soube aceitar,
Razão de mãe é dizer,
Mãe cuidado a aconselhar,
Os cuidados que hei-de ter,
As defesas a cuidar,
Saudade mãe é escrever,
Carta que vou receber,
Noticia de me alegrar,
Cartas visitas encontros,
Essa troca que nós somos,
Este prazer de trocar,
Canção de mãe é sorrir,
Gosto de ver e ouvir,
A ternura de cantar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

..:: palavras que nos salvam ::.. David Mourão-Ferreira

E por vezes


« E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos »




David Mourão-Ferreira »» Obra Poética: 1948-1988 »» Lisboa »» Presença »» 1996 »» p. 269



quarta-feira, 15 de abril de 2009

..:: parabéns, Monga! ::..

À falta de inspiração até para dizer "parabéns!", ficam aqui as palavras da nossa Monga de há dois anos atrás. E como o tempo passa! Vá lá que algumas palavras ficam e alguns sentimentos se solidificam. Relembramos-te assim, rejubilante, nos teus 30 anos. Sei que dois anos depois as tuas coisas mudaram muito. Dizem que é a vida e quem somos nós para desconfiar. Portanto, muitos parabéns carneira Monga!





Queridos amigos:
Há 30 anos, no dia 15 de Abril de 1977, eu nasci. Estou certa de que isso não alterou a maior parte da política internacional e que se calhar já havia, nesse tempo, problemas na faixa de Gaza (desde que me lembro de ser gente que existem…). Alterou, decerto, a vida da minha mãe, do meu pai, do meu irmão, dos meus avós. Portanto, amigos, a faixa de Gaza não mudou, mas a vida de todos estes intervenientes e de muitos outros modificou-se.
Estou a fazer 30 anos e creio que a vida deles se tornou melhor. (...)
O meu irmão atrasou o meu crescimento em larga escala, porque me empurrou muitas vezes contra a parede quando eu era muito pequena (diz a minha avó), fez dos meus triciclos bicicletas com turbo ligado e colocou todas as minhas bonecas e ursos em posições de fazer corar qualquer estrela porno. (...)
Há 30 anos atrás estou certa de que a minha mãe me saudou com um lindo sorriso, até porque eu era muito rechonchuda. 24 anos depois tive de aprender a perdê-la numa morte que todos podemos considerar como «prematura», mas que, dizem as estatísticas, é extremamente vulgar: cancro da mama. (...)
Isto é uma coisa que veio com os 30 anos: o mau feitio, ou, numa versão altamente melhorada «agora ninguém manda em mim». (...)
É altura de falarmos dos amigos. Um por um mudaram o meu trilho, o meu percurso, cada qual com uma qualidade ou um defeito ou um ensinamento, ou mesmo com a abertura de novas possibilidades. (...) Mas acredito que o meu percurso é ainda incipiente, está muito no início, por isso venham daí…



domingo, 5 de abril de 2009

≈≈ uma par†e da memória de ti, catatau ::..

À semelhança de outros, vasculhei os comentários à procura das tuas palavras, Catatau. É uma selecção que termina com o último comentário que nos deixaste, imagino que ainda desconhecendo completamente a dimensão do abismo que te esperava. Também procurei as fotos que te fiz. E para quê? Afinal, se alguma vez a memória nos falhar, ficam as tuas palavras, sinais, marcas de ti, da tua passagem, do tempo em que o sol iluminava ainda todo o teu rosto com a luz límpida das almas puras. Do tempo anterior, portanto, a terem-te apagado a luz. Agora, vamos procurar-te sorridente entre as estrelas. Mas não te esqueças de quem fica (e sabes a quem me refiro) e tanto te ama. Ah, e de como esperamos as coordenadas!






»» O aplauso vai todo para vocês, rapazes. Conseguiram um feito memorável - o primeiro de vários, espero - juntar tanta gente diferente com tanto em comum. Os laços da blogosfera atam-se mais em presença. Ficam mais cúmplices.
É verdade. Não tenho blog. Mas não tenho blogosfear, ah ah ah. ;)
Um abraço de quem esteve, sentado, de costas, mas a sentir o calor humano de uma mesa em U. »»





»» Também prefiro a prudência. Além disso, nada me é mais caro do que os prazeres da revelação do outro. Até porque é linda a capacidade de construção das relações, sejam para a vida, sejam com prazo de validade. Mesmo quando ficam impróprias para consumo - mútuo ou não - já somos mais do que aquilo que éramos. Sou a favor da entrada sólida - mesmo que demorada - insinuante (mesmo que sinuosa), gratificante e preenchedora dos laços que vamos acumulando ao longo da vida. E quem nunca ficou enriquecido pela descoberta dos outros, que atire o primeiro post. :) »»





»» Este testemunho deixa-me com uma ponta de emoção! Ó pá, gosto de celebrações, pronto! Lembrem-se que têm uma vida inteira linda, a construir-se à medida que os vossos olhos vão alcançando o horizonte. O meu horizonte vai fazer o dobro do vosso e por isso digo-vos: vale muito, muito a pena! Vale a felicidade! :) »»





»» Do que te leio (e nunca nego à partida algo que desconheço), palpita-me que tenho oxcitocina para dar, vender e mandar para Espanha. E tenho muita sorte por ter um círculo - pequeno, é certo - de amizades onde há oxitocina a rodos, para dar, vender e ser de todos! :D
Em relação ao retrato que fazes de ti e da beleza da dedicatória ao JC e ao D só posso dizer uma coisa: ou muito me engano, mas além do inequívoco piquinho a azedo, vocês destilam oxitocina por tudo quanto é poro, he he he he. »»





»» Pois eu ainda vou ver se consigo ir... quem sabe!... De qualquer forma já aqui ficam os parabéns ao Algiboy, pelo menos pelo grande empenho! :)
As carochas estão um must, mas é a primeira vez que vejo caralhos com olhos. Dá-me a impressão que o Entroncamento está a perder a mística... »»





»» Realmente estamos todos de parabéns: fazemos um grupo todo pimpão! :)
Mas a Palma de ouro do Festival das Caldas (chama-lhe "palma", chama!...), vai inteirinha para a co-produção do Miguel/Carlos que souberam fazer-nos sentir em casa, felizes, contentes, juntos e prontos para mais do mesmo!
Em relação ao pic-nic, só tenho uma palavra: "quando-é-que-é-o-próximo-com-esta-gente-boa-e-com-quem-mais-se-quiser-juntar"?
(Ai, que eu hoje estou para lá de palavroso.) »»





»» E é tão bom morrer assim para renascer tantas mais vezes... »»





»» Compreendo perfeitamente - e tenho dado muito uso no último mês - o estoicismo com que se tem de afivelar as caras numeradas de A a Z, socialmente aceitáveis. Esconder "the dark side of" é frequentemente um suplício.
Olha, também fiz a 1ª TAC da minha vida esta semana! E com injecção de contraste, ora toma! :D »»

≈≈ wisdom ≈≈

Porque às vezes pensamos que não podemos fazer nada.
Porque às vezes pensamos que sabemos tudo.
Porque às vezes temos medo de dizer que amamos.
Porque às vezes esquecemo-nos de ser humildes.
E por tantos outros "às vezes"...

Food for thought!




Recebido via e-mail. Obrigado, Filipa.

sábado, 4 de abril de 2009

≈≈ catatau ::..

e agora, Catatau? esperamos coordenadas para o que havemos de fazer? sim, tens de saber: esperamos as coordenadas para o nosso percurso! que é feito do teu sorriso franco e limpo? e do humor único? e da cumplicidade? nosso querido Catatau, ontem percebi que tudo de repente. que tudo de repente podia ficar em silêncio. e o silêncio basta? não! e quem nos comentará com a sabedoria, a amizade e o tempo que tu tão particularmente tinhas? mas pior que esse silêncio de circunstância virtual é saber que já não atenderás o telefone. que não virás ter connosco, nem todos nós poderemos andar quilómetros e quilómetros para ir ter contigo onde quer que estivesses, ainda que saibamos que agora estás em todo o lado. mas uma imitação de omnipresença não nos chega. e a verdade da ausência é uma dor imensurável. porque já não poremos devagar a nossa mão no teu peito para ouvir o respirar da terra. ontem, Catatau, entendi o que não queria perceber. hoje, estive triste como um barco negro ao sol. e o inevitável. é verdade que nós juntos, eu e o Zé, já perdemos tanta gente por causa de cancro que a morte se tornou um crime banal. e de cada vez, Catatau, é a mesma lança que nos atravessa de lado a lado. e esvaímo-nos, Catatau! contigo. mas as nossas pequenas dores deixam de fazer qualquer sentido. não te esqueças: estamos à espera das coordenadas para o nosso percurso! conforta-nos saber que a nossa entrevista te causou "enorme orgulho e prazer". não nos esquecemos. aonde quer que vás, nós vamos contigo. para onde quer que vás, nós iremos lá ter! além do fim do mundo. só precisamos das tuas coordenadas. não nos esquecemos que, por vezes, num segundo se evolam muitos anos! e a mesma pergunta, Catatau: porquê?




com citações de Carlos Drummond de Andrade, Eduardo Pitta, Fernando Pessoa,
David Mourão-Ferreira e Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, 3 de abril de 2009

..:: « e se tudo, de repente? » ::..

« A vida é uma ferida?
O coração lateja?
O sangue é uma parede cega?
E se tudo, de repente? »


Eduardo Pitta »» Poesia Escolhida »» p. 185 [ mais ]







[escutado aqui]
[decidi acrescentar o poema para dar mais sentido ao vídeo]

segunda-feira, 9 de março de 2009

..:: convite irrecusável ::..


Frans Floris, Banquete dos Deuses, 1550



Tal como há um ano atrás, aqui vimos para, em conjunto com o Pinguim, te convidarmos para jantarmos felizes juntos no dia 9 de Maio.

Falta revelar o local (Lisboa) e a hora, coisa que faremos mais próximo da data, bem como o modo de nos comunicares que podemos contar contigo.
A antecedência é mesmo para ires reservando na tua agenda a noite desse dia.

O convite é especialmente dirigido a tod@s os que nos seguem, às mulheres, aos novos, aos velhos, aos assim-assim...
E aos que têm reservas e se escudam numa suposta timidez, repetimos: não precisas de ter blogue, de pertencer a determinado partido {com ou sem setas ou rosas}, género ♀ ♂ (basta que tenhas um), religião † ≈ ‡ (desde que não queiras converter nenhum de nós), cor ☻☺ ou orientação sexual (o que é isso?).




O que queremos mesmo é contar contigo, ok!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

..:: Eles Vivem! by ₥ṅᵷⱥ ::..

Confesso: não resisti, fiz uma pausa no trabalho e vi (e fiquei satisfeito com) o Prós e Contras. E para quem não viu o programa, pode revê-lo aqui. Depois do malhanço incrível sobre os outros desgraçados cinzentos com cheiro a mofo sobretudo pela Fernanda Câncio, pelo Miguel Vale de Almeida, pela Isabel Moreira, pelo Daniel Oliveira e pelo Rui Tavares, repesco um texto da nossa querida Monga do coração. Já anteriormente aqui tinha colocado uma entrada cujo conteúdo e mérito era todo dela. Acontece que ela deixou de escrever no antíteses e transparências (não sei se alguma vez repararam: a sua última entrada lá é sobre mim e o Zé) para se dedicar num outro espaço restrito. E dedica-se mais do que a atenção que lhe temos dado. A Monga escreve bem, muito bem, com um ritmo e sensibilidade incomuns. Repito para quem não sabe e não a conhece: a Monga é hetero orgulhosíssima! E fiel amiga, e, em síntese, um ser humano bem formado. A semana passada deixou-nos um comentário para que a lêssemos e lá fui buscar o texto que aqui citamos na íntegra. Inspirem! Inspirem-se.









Eles Vivem!

«Este é o nome de um dos meus filmes favoritos do John Carpenter. Um filme estranho, quase absurdo, mas a atirar para a verdade. Refere um povo alienígena que toma conta do planeta Terra. Até aqui tudo ok. Mas os alienígenas estão camuflados e são vistos apenas por uns óculos escuros especiais descobertos no lixo por um homem das obras com crise existencial. Os alienígenas mandam também mensagens subreptícias, do género «Cala-te e obedece!», «Trabalha para a proliferação da espécie! Reproduz-te!». O filme lembra os regimes repressivos.

A Igreja é como estes alienígenas. Anda por aí, subreptícia, a fingir que já não tem força nenhuma, a fingir que não é política, que só se preocupa com «questões sociais», a tentar ser politicamente correcta. Não suporto a Igreja. De uma vez por todas, grite a verdade: que é suja e anti-tolerante para com os seus iguais. Ontem, falou um clérigo (não sei o posto dele na igreja, mas deve ser bispo, pois os que falam são quase sempre os bispos) que se manifestou totalmente contra o casamento homossexual, embora o Vaticano aceite as «relações homossexuais».
Primeiro: Hipócritas do caralho! Desculpem, mas são. Porque vê-se mesmo o que isto é. Isto é «deixa cá dizer ao povo, que é estúpido, que os homossexuais são iguais a nós – portanto até somos tolerantes -, casamento é que não». Mais valia a posição abertamente retrógada «fora com os homossexuais». Hipocrisia é que não. Nem todas as pessoas são burras. Eu não sou e percebi muito bem e que eu saiba, lá em casa, com ou sem curso superior e à excepção da minha provecta avó, que nestas coisas nem conta porque sempre teve amigos homossexuais mas diz que eles não existem (são como os ovnis com certeza…), toda a gente acha que a Igreja trata as pessoas como atrasadas mentais e lhes tenta impingir o que julga ser o melhor (para si mesma, enquanto instituição Igreja, por certo).
Dizia este padre que falou na televisão (o que faz dele uma pessoa importante, pois claro): uma união homossexual não pode nunca dar em casamento, o casamento é heterossexual, e portanto o que o Estado deve fazer é dar incentivos aos casais heterossexuais para terem «os filhos que desejam». Vamos analisar este discurso a roçar a ficção. Discurso falacioso, em primeiro lugar, porque desvia largamente a atenção para uma questão premente que nada tem que ver com isto: o apoio aos casais heterossexuais que querem ter filhos. Isto se tivermos em conta que nem todos querem ter filhos, hipótese que a Igreja nem contempla, ou, como eu vi num blogue, no outro dia, a união homossexual destina-se só ao «prazer sexual». Ainda bem que as bichas e as fufas são loucas desvairadas à procura de sexo «wild», porque nós hetero, além de super-fiéis, não somos nada loucos, nada pornográficos, é tudo pudico, o sexo faz-se debaixo dos lençóis e às escuras. Graças a tanta repressão social sobre a homossexualidade em louvor da heterossexualidade, quem serão os mais loucos? Os mais ou os menos reprimidos?
Os casais heterossexuais precisam de ajuda para criar os seus filhos; sim, esse tipo de infraestruturas faz parte de uma sociedade evoluída, mas como toda a gente bem sabe, é preciso condições para criar filhos e nem todos temos uma vida emocional e financeiramente estável para nos reproduzirmos. A Igreja vê isso? A Igreja não vê, não quer ver, que muitos de nós, heterossexuais, nem deveríamos pensar em filhos, mais valia nos inscrevermos em desportos de alto risco, abrir um blogue, viajar. Gosto muito da sinceridade de quem diz que não quer ter filhos porque quer fazer outras coisas da vida. Fica tudo a olhar (lá está a Igreja inculcada nas nossas vidas até à medula…), mas a realidade é esta: nem todos colocamos sequer a hipótese de nos reproduzirmos. Ámen.
A adopção, já se sabe, nem se fala na Igreja. Deve ser tabu e dos grandes. Olha agora um casal homossexual adoptar… uma vergonha ter dois pais ou duas mães. Estamos tão certos disso que nem vamos a Freud. Uma percentagem gigante de pessoas com disfuncionalidades e com doenças mentais mais comuns, como a depressão, provém de famílias heterossexuais, com pai e mãe presentes, fruto de um casamento heterossexual. Quando olho os meus (ainda) sogros à distância, percebo que muitos casais hetero são fraudulentos e prejudiciais aos filhos. Não se amam nem nunca se amaram, criaram uma relação fictícia à qual chamaram «família», na qual tentaram, durante décadas, acreditar, fazendo os filhos crer que, para além daquilo, pouco há. E há muito! Depender e ter necessidade não é amor. Recalcar frustrações e libertá-las nos filhos é intoxicá-los e torná-los incapazes de ter uma vida feliz. Lamento informar a Igreja (até porque a Igreja sabe, não quer é ver) de que os casais hetero falham, muitos são fraudes e educam os filhos segundo princípios caducos e desadequados. Porque não deixarem os homossexuais tentarem aquilo que nós, trolhas heterossexuais fechados em casamentos de fachada, nunca conseguimos? Vá lá, expliquem-me como se eu fosse uma criança de dois anos…»
Texto por fercris77



sábado, 14 de fevereiro de 2009

..:: porque hoje é o dia : cinquenta e uma maneiras de dizer amor ::..


[Carole Laure, Mirage Geisho - poema de Hervé Guibert || Wordle]


ái amo amore amour amuri armastus aşk ást cinta dashuria dragoste gràdh kærlighed kärlek khuyay kjærleik kjærlighet láska leefde liebe liefde ljubav ljubezen love məhəbbət meilė mīlestība miłość pag-ibig rakkaus szerelem tình yêu tlazohtiliztli αγάπη любов любовь љубав юрату אהבה ליבע حب عشق محبت ప్రేమ സ്നേഹം ආදරය ความรัก ᑕᑯᑦᓱᒍᓱᑉᐳᖅ ፍቅር 사랑

≈≈To my Valentine ≈≈

Há muito que nutro grande admiração por Aznavour. Aprecio o seu poder interpretativo e a forma como este, finalmente, cidadão arménio manobra as palavras. Mas este post não é para falar dele mas do meu Valentim. Quero deixar-lhe aqui este Je t’aime a.i.m.e. para lhe dizer o inevitável. A canção fala de alguém que pretende expressar-se pelas palavras mas que esbarra nas dificuldades da língua a cada passo. Está aqui tudo: o cuidado na escolha do papel e da tinta, a escolha transpirada das palavras, o borrão de tinta, o amarrotar da folha, o recomeçar, … E está aqui também o desistir e optar por formas mais pragmáticas. Por isso, meu querido, vamos ao que interessa (au diable mon stylo): amo-te, e mais nada!


Je t’aime A.I.M.E

Je t'écris c'est plus romantique
Comme un amant du temps jadis
Sur un papier couleur de lys
A l'encre bleue, et je m'applique
Quand ma plume, manque de chance,
Fait en sortant de l'encrier
Une tache sur le papier
Que je déchire et recommence

Je t'aime A.I.M.E.
T'aime le cœur en feu
Faut-il un X à feu ?
Ça me pose un problème
Allez je barre feu
Mais je garde je t'aime
Je t'aime A.I.M.E.
Simplement j'y ajoute
Ces mots "A la folie"
Mais soudain j'ai un doute
Folie avec un L
Un seul L ou bien deux ?
Deux ailes serait mieux

Tellement plus jolies
Et bien sûr plus vivant
Vivant, comme une envie
Que le bonheur agrafe
Comme un papillon bleu
Au cœur d'un amoureux
Inquiet de l'orthographe

A l'école j'étais le cancre
Dont on ne pouvait rien tirer
Guettant l'heure de la récré
L'œil fixe et les doigts tachés d'encre
Aujourd'hui je me désespère
J'ai des lacunes et je le sais
Mais amoureux il me vient des
Velléités épistolaires

Je t'aime A.I.M.E.
Et je n'ai foi qu'en toi
Comment écrire foi
Privé d'un dictionnaire
Il y a tant de fois
Dans le vocabulaire
Je peine et je m'en veux
Allez je place un S
Mieux vaut peut-être un E
Franchement ça me stresse
Et mon foie fait des nœuds
Des heures d'affilée
Penché sur le papier

Je corrige et rature
Puis j'envoie tout valser
Maudissant l'écriture
Ecœuré j'abandonne
Au diable mon stylo
Je dirais tous ces mots
Tranquille au téléphone
Je prends le combiné
Compose un numéro
Je n'ai plus de problèmes
Allo, amour, allo
Oui oui c'est encore moi
Pour la énième fois
Qui t'appelle, tu vois
Pour te dire : "Je t'aime"