
O meu perfil não engana: já me conta mais um ano. Cheguei há precisamente 33 anos, quando, na maternidade em Coimbra, me puxaram a cabeça com ferros. Já então era um monstro. Capricórnio com ascendente em Capricórnio, isto é, podia ser uma besta empedernida, mas tento não ser (pelo menos sempre). Para este ano, as previsões para os capricornianos não são nada famosas. Pensando melhor, são péssimas, embora não seja nada de novo. Acho que vou só ligar às partes boas e o resto que se lixe.
Estou com a mesma idade com que Jesus morreu e espero que isso não queira dizer nada.
Andei a escrever uns esboços sobre mim, mas afinal para quê? Sempre é melhor que sejam os outros a falar. A Fernanda antecipou-se com uma pinta que até já conseguiu fazer-me chorar. Se quiserem saber mais sobre mim, passem por lá, pelo antítese e transparências. De facto, minha querida, às vezes, acho que me perdia a pedir desculpa pela minha intempestividade toda, a ti e a toda a gente que preenche mais os meus dias.
A Diana deve ter razão, não caibo em mim. Gostava de ser diferente, de não me envolver tanto, de não sofrer por antecipação e debalde (e esfregona – acho que já fiz esta piada, mas tinha de a repetir ☻), de conseguir mudar o destino das pessoas, de lhes dar a felicidade de que precisam na exacta medida. Acho que já me vais conhecendo bem para saberes que sou assim, bastante dado à transparência e pouco à representação. Por isso, às vezes sou inconveniente; também gostava de mudar essa parte, além da ingenuidade que ainda vive em mim. Até eu fico parvo por ser assim.
Mais: porque hei-de ser tão trágico e melancólico? Em geral, os amigos sabem que tenho uma baixa auto-estima e uma acentuada tendência auto-destrutiva que se manifesta na exigência, na língua feroz, ácida, em achar que está tudo mal, sobretudo o que eu faço. Uma vez, a Teresa perguntou-me quem me tinha feito tanto mal para eu ser assim. Respondi que não sabia e fui sincero, acho que ninguém, embora desconfie que a minha memória arranja mecanismos de ocultação bastante eficientes e, à distância, tudo fica minimizado, reduzido a pormenores de caricatura e humor negro.
Estou com a mesma idade com que Jesus morreu e espero que isso não queira dizer nada.
Andei a escrever uns esboços sobre mim, mas afinal para quê? Sempre é melhor que sejam os outros a falar. A Fernanda antecipou-se com uma pinta que até já conseguiu fazer-me chorar. Se quiserem saber mais sobre mim, passem por lá, pelo antítese e transparências. De facto, minha querida, às vezes, acho que me perdia a pedir desculpa pela minha intempestividade toda, a ti e a toda a gente que preenche mais os meus dias.
A Diana deve ter razão, não caibo em mim. Gostava de ser diferente, de não me envolver tanto, de não sofrer por antecipação e debalde (e esfregona – acho que já fiz esta piada, mas tinha de a repetir ☻), de conseguir mudar o destino das pessoas, de lhes dar a felicidade de que precisam na exacta medida. Acho que já me vais conhecendo bem para saberes que sou assim, bastante dado à transparência e pouco à representação. Por isso, às vezes sou inconveniente; também gostava de mudar essa parte, além da ingenuidade que ainda vive em mim. Até eu fico parvo por ser assim.
Mais: porque hei-de ser tão trágico e melancólico? Em geral, os amigos sabem que tenho uma baixa auto-estima e uma acentuada tendência auto-destrutiva que se manifesta na exigência, na língua feroz, ácida, em achar que está tudo mal, sobretudo o que eu faço. Uma vez, a Teresa perguntou-me quem me tinha feito tanto mal para eu ser assim. Respondi que não sabia e fui sincero, acho que ninguém, embora desconfie que a minha memória arranja mecanismos de ocultação bastante eficientes e, à distância, tudo fica minimizado, reduzido a pormenores de caricatura e humor negro.
Ilustração de Joe Phillips colhida no Gay Tel-Aviv
O melhor e maior presente de todos os tempos
O melhor e maior presente de todos os tempos
É de carne, uma carne muito boa e um espírito inigualável, tem uns olhos magnéticos, muito mais do que um apêndice entre as pernas, beija como se tivesse medo de ser sugado e chama-se Zé. Ah, não o troco por nada.
Temos consciência de que encontros assim não são muito comuns ou duradouros. Tem resultado não por eu acreditar no amor eterno, mas porque é o que queremos e porque temos lutado por isso, ou seja, por nós. Já tivemos no nosso passado anterior uma boa dose de experiências e já passámos a fase das decepções. O facto de não sermos ciumentos ajuda e responsabiliza-nos bastante, obrigando-nos a agir com mais cuidado que o amor precisa de alimento e não de foice. Obrigado, Zé, sem ti, tudo me seria muito, mas muito mais difícil (até enfrentar a idade)!
Temos consciência de que encontros assim não são muito comuns ou duradouros. Tem resultado não por eu acreditar no amor eterno, mas porque é o que queremos e porque temos lutado por isso, ou seja, por nós. Já tivemos no nosso passado anterior uma boa dose de experiências e já passámos a fase das decepções. O facto de não sermos ciumentos ajuda e responsabiliza-nos bastante, obrigando-nos a agir com mais cuidado que o amor precisa de alimento e não de foice. Obrigado, Zé, sem ti, tudo me seria muito, mas muito mais difícil (até enfrentar a idade)!
Alguns capricornianos como eu
(a vermelho, os co-aniversariantes)
Jesus Cristo Francesco Scavullo Anthony Hopkins Federico Fellini Al Berto Eugénio de Andrade Molière Jude Law David Bowie Gérard Depardieu Oswald de Andrade Susan Sontag Denzel Washington Isaac Newton Portinari Ricky Martin Edgar Allan Poe Sade (Helen Folasade Adu) Janis Joplin Rita Lee Artur Albarran Ralph Fiennes Orlando Bloom Elvis Presley Mao Tse-Tung Simone Bittencourt de Oliveira Simone de Beauvoir Kate Moss Simone de Beauvoir Euclides da Cunha André Michelin Martin Luther King Mel Gibson Stanislaw Ponte Preta Guilherme Fontes Fernando Lopes Stephen Hawking Bob Bryar Jô Soares Melanie C Paul Cézanne David Lynch Umberto Eco Montesquieu Ava Gardner Marlene Dietrich




estrela da Tarde











































