sexta-feira, 10 de abril de 2009

..:: papa-lhaçada ::..


Directed by João Fazenda; Script by Spam Cartoon; Sound Design by José Condeixa; Animation by Ana Nunes; Produced by João Paulo Cotrim and André Carrilho.












quinta-feira, 9 de abril de 2009

..:: efémera ::..

Ando a tentar arrumar a "casa". Não tem sido tão fácil como costuma ser: tenho tanto que fazer e tão pouca motivação. Março esgotou-me, depois a partida do Catatau. O Zé fora. E o trabalho a acumular-se. Adio telefonemas. Burocracias. Esgoto-me. Em todo o caso, saibam que arrumar a casa passa também por vos visitar e repor a minha ausência. Mas o processo é demorado. Além da constatação de como tudo é muito breve e rápido. Efémero. E lembrei-me da efémera (do gr. ephemerós, «que dura um dia»). O vídeo publicitário vem a propósito.



Não encontrei versão com melhor qualidade... se preferirem, vejam a inglesa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

..:: palavras que nos salvam ::.. Eugénio de Andrade




PRIMEIRAMENTE


« Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus.
E é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, a solidão aberta nos dedos como um cravo.
Meu amor, amor de uma breve madrugada de bandeiras, arranco a tua boca da minha e desfolho-a lentamente, até que outra boca – e sempre a tua boca – comece de novo a nascer na minha boca.
Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e perguntar o que aconteceu.
»


Eugénio de Andrade »» Poesia »» Porto »» Fundação Eugénio de Andrade »» 2000 »» pp. 55-56


segunda-feira, 6 de abril de 2009

domingo, 5 de abril de 2009

≈≈ uma par†e da memória de ti, catatau ::..

À semelhança de outros, vasculhei os comentários à procura das tuas palavras, Catatau. É uma selecção que termina com o último comentário que nos deixaste, imagino que ainda desconhecendo completamente a dimensão do abismo que te esperava. Também procurei as fotos que te fiz. E para quê? Afinal, se alguma vez a memória nos falhar, ficam as tuas palavras, sinais, marcas de ti, da tua passagem, do tempo em que o sol iluminava ainda todo o teu rosto com a luz límpida das almas puras. Do tempo anterior, portanto, a terem-te apagado a luz. Agora, vamos procurar-te sorridente entre as estrelas. Mas não te esqueças de quem fica (e sabes a quem me refiro) e tanto te ama. Ah, e de como esperamos as coordenadas!






»» O aplauso vai todo para vocês, rapazes. Conseguiram um feito memorável - o primeiro de vários, espero - juntar tanta gente diferente com tanto em comum. Os laços da blogosfera atam-se mais em presença. Ficam mais cúmplices.
É verdade. Não tenho blog. Mas não tenho blogosfear, ah ah ah. ;)
Um abraço de quem esteve, sentado, de costas, mas a sentir o calor humano de uma mesa em U. »»





»» Também prefiro a prudência. Além disso, nada me é mais caro do que os prazeres da revelação do outro. Até porque é linda a capacidade de construção das relações, sejam para a vida, sejam com prazo de validade. Mesmo quando ficam impróprias para consumo - mútuo ou não - já somos mais do que aquilo que éramos. Sou a favor da entrada sólida - mesmo que demorada - insinuante (mesmo que sinuosa), gratificante e preenchedora dos laços que vamos acumulando ao longo da vida. E quem nunca ficou enriquecido pela descoberta dos outros, que atire o primeiro post. :) »»





»» Este testemunho deixa-me com uma ponta de emoção! Ó pá, gosto de celebrações, pronto! Lembrem-se que têm uma vida inteira linda, a construir-se à medida que os vossos olhos vão alcançando o horizonte. O meu horizonte vai fazer o dobro do vosso e por isso digo-vos: vale muito, muito a pena! Vale a felicidade! :) »»





»» Do que te leio (e nunca nego à partida algo que desconheço), palpita-me que tenho oxcitocina para dar, vender e mandar para Espanha. E tenho muita sorte por ter um círculo - pequeno, é certo - de amizades onde há oxitocina a rodos, para dar, vender e ser de todos! :D
Em relação ao retrato que fazes de ti e da beleza da dedicatória ao JC e ao D só posso dizer uma coisa: ou muito me engano, mas além do inequívoco piquinho a azedo, vocês destilam oxitocina por tudo quanto é poro, he he he he. »»





»» Pois eu ainda vou ver se consigo ir... quem sabe!... De qualquer forma já aqui ficam os parabéns ao Algiboy, pelo menos pelo grande empenho! :)
As carochas estão um must, mas é a primeira vez que vejo caralhos com olhos. Dá-me a impressão que o Entroncamento está a perder a mística... »»





»» Realmente estamos todos de parabéns: fazemos um grupo todo pimpão! :)
Mas a Palma de ouro do Festival das Caldas (chama-lhe "palma", chama!...), vai inteirinha para a co-produção do Miguel/Carlos que souberam fazer-nos sentir em casa, felizes, contentes, juntos e prontos para mais do mesmo!
Em relação ao pic-nic, só tenho uma palavra: "quando-é-que-é-o-próximo-com-esta-gente-boa-e-com-quem-mais-se-quiser-juntar"?
(Ai, que eu hoje estou para lá de palavroso.) »»





»» E é tão bom morrer assim para renascer tantas mais vezes... »»





»» Compreendo perfeitamente - e tenho dado muito uso no último mês - o estoicismo com que se tem de afivelar as caras numeradas de A a Z, socialmente aceitáveis. Esconder "the dark side of" é frequentemente um suplício.
Olha, também fiz a 1ª TAC da minha vida esta semana! E com injecção de contraste, ora toma! :D »»

≈≈ wisdom ≈≈

Porque às vezes pensamos que não podemos fazer nada.
Porque às vezes pensamos que sabemos tudo.
Porque às vezes temos medo de dizer que amamos.
Porque às vezes esquecemo-nos de ser humildes.
E por tantos outros "às vezes"...

Food for thought!




Recebido via e-mail. Obrigado, Filipa.

sábado, 4 de abril de 2009

≈≈ catatau ::..

e agora, Catatau? esperamos coordenadas para o que havemos de fazer? sim, tens de saber: esperamos as coordenadas para o nosso percurso! que é feito do teu sorriso franco e limpo? e do humor único? e da cumplicidade? nosso querido Catatau, ontem percebi que tudo de repente. que tudo de repente podia ficar em silêncio. e o silêncio basta? não! e quem nos comentará com a sabedoria, a amizade e o tempo que tu tão particularmente tinhas? mas pior que esse silêncio de circunstância virtual é saber que já não atenderás o telefone. que não virás ter connosco, nem todos nós poderemos andar quilómetros e quilómetros para ir ter contigo onde quer que estivesses, ainda que saibamos que agora estás em todo o lado. mas uma imitação de omnipresença não nos chega. e a verdade da ausência é uma dor imensurável. porque já não poremos devagar a nossa mão no teu peito para ouvir o respirar da terra. ontem, Catatau, entendi o que não queria perceber. hoje, estive triste como um barco negro ao sol. e o inevitável. é verdade que nós juntos, eu e o Zé, já perdemos tanta gente por causa de cancro que a morte se tornou um crime banal. e de cada vez, Catatau, é a mesma lança que nos atravessa de lado a lado. e esvaímo-nos, Catatau! contigo. mas as nossas pequenas dores deixam de fazer qualquer sentido. não te esqueças: estamos à espera das coordenadas para o nosso percurso! conforta-nos saber que a nossa entrevista te causou "enorme orgulho e prazer". não nos esquecemos. aonde quer que vás, nós vamos contigo. para onde quer que vás, nós iremos lá ter! além do fim do mundo. só precisamos das tuas coordenadas. não nos esquecemos que, por vezes, num segundo se evolam muitos anos! e a mesma pergunta, Catatau: porquê?




com citações de Carlos Drummond de Andrade, Eduardo Pitta, Fernando Pessoa,
David Mourão-Ferreira e Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, 3 de abril de 2009

..:: « e se tudo, de repente? » ::..

« A vida é uma ferida?
O coração lateja?
O sangue é uma parede cega?
E se tudo, de repente? »


Eduardo Pitta »» Poesia Escolhida »» p. 185 [ mais ]







[escutado aqui]
[decidi acrescentar o poema para dar mais sentido ao vídeo]

quinta-feira, 2 de abril de 2009

..:: palavras que nos salvam (muitas vezes) ::.. María Zambrano




«Não só de pão vive o homem, isto é, não só de Ciência e Técnica. Também poderia dizer-se que não só de Filosofia, mas tal coisa, ao falar-se das metáforas, não tem sentido, porque a Filosofia mais pura desenvolveu-se no espaço traçado por uma metáfora, a da visão e da luz inteligível.
(...) Por uma metáfora habitualmente entende-se uma forma imprecisa de pensamento. Dentro da poesia tem-se-lhe concedido, especialmente desde Paul Valéry, todo o seu valor. Mas a metáfora desempenhou na cultura uma função mais profunda, e anterior, que está na raiz da metáfora usada na poesia. É a função de definir a realidade inabarcável pela razão, mas propícia a ser captada de outro modo. É também a sobrevivência de algo anterior ao pensamento, pegada num tempo sagrado, e, portanto, uma forma de continuidade com tempos e mentalidades passadas, coisa tão necessária numa cultura racionalista. E a verdade é que, nos seus momentos de maior esplendor, a Razão nada teve que temer perante estas metáforas a que podemos chamar fundamentais.»





«O amor transcende sempre, é o agente de toda a transcendência. Abre o futuro; não o porvir, que é o amanhã que se pressupõe certo, repetição com variações do hoje e réplica do ontem. O futuro essa abertura sem limite, para outra vida que nos aparece como a vida de verdade. O futuro que atrai também a História. Mas o amor lança-nos para o futuro, obrigando-nos a transcender tudo o que concede. A sua promessa indecifrável desacredita tudo o que consegue, toda a realização. O amor é o agente de destruição mais poderoso, porque, ao descobrir a inanidade do seu objecto, deixa livre um vazio, um nada que é aterrador no princípio de ser apercebido. É o abismo em que se some não somente o amado, mas a própria vida, a própria realidade do que ama. É o amor que descobre a realidade e a inanidade das coisas, e que descobre o não ser e até o nada.»


María Zambrano »» A Metáfora do Coração e Outros Escritos »» trad. de José Bento »» Lisboa »» Assírio & Alvim »» 2000





«A pessoa faz-se no tempo, realiza-se no tempo.» » cf. aqui »




María Zambrano
[1904-1991]





quarta-feira, 1 de abril de 2009

≈≈ ideias ≈≈

Já sei que o Carnaval ainda foi há pouco e que o próximo vem longe, mas há ideias que vale a pena guardar. Esta é coisa para suscitar reacções capazes de levar qualquer um às lágrimas... Quem se atreve?



Imagem roubada aqui.

terça-feira, 31 de março de 2009

..:: avante ::..


Etienne Daho, Le Grand Sommeil (Sweetlight Remix) + Norman McLaren, Narcissus


Eis-me, acordado de um sono que parece ter durado séculos. Nem vale a pena explicar motivos para o período negro em falta de tempo que foram os últimos dois meses, embora adiante que valeu a pena e costuma dizer-se que quem corre por gosto não se cansa. Já descansei. Já destilei ácidos e méis suficientes para sobreviver mais uns meses.

Agradeço, obviamente, os vossos comentários e visitas nas entradas deste mês que foi o mais parco por aqui em produção de «conteúdos». E não podia deixar de esclarecer duas coisas:

1) o jantar de gente mais ou menos blogueira pretende ser um convívio, nunca, jamais o convívio exclusivo de homossexuais ou a organização de uma orgia homossexual, ou qualquer coisa congénere, ok!? Também temos muito pouco jeito para organizar casamentos (e baptizados); é fácil perceber que não gostamos de guetos e, portanto, excluir seja quem for de participar não há-de ser com certeza por motivos de ser homem ou mulher, ter x ou y anos, etc.;

2) o motivo por que não mostrámos os nossos rostos na entrevista é facilmente compreensível pela leitura da mesma. Quem nos conhece, identificou-nos facilmente, quem não nos liga um ao outro, ficou na mesma. Preferíamos que nem tivesse havido fotos, pois o importante era a mensagem de serena e calma normalidade. Nunca nos escondemos, nunca recusámos um encontro por receio de nos identificarem. Mais: quem me conhece sabe que já escrevi e publiquei diferentes análises que focam a homossexualidade e o homoerotismo, que falo publicamente do assunto. Ainda assim, não fomos nós que procurámos a entrevista e só podemos agradecer ao Amigo que se lembrou de nós e deu o nosso contacto à Anabela; e, embora tenhamos pensado no assunto, não revelar o rosto não foi um problema. Lembro-me de um colóquio de há uns anos na FCG chamado “O homem de costas”, sobre a anulação da identidade: se não estamos nas fotos (e estamos), estamos nas palavras, que foram muitas mais mas que a limitação de caracteres levou a Anabela Mota Ribeiro a reduzir a conversa à essência. Além disso, não somos estrelas, não pretendemos ser modelos de coisa nenhuma para nos exibirem como um mostruário.


Avante: esclarecidos que estão estes dois pontos, vou (tentar) actualizar o email, as entradas no google reader e comentar parcimoniosamente quem nos tem comentado (sim, vós escreveis tanto que me interrogo: como é que terei hipótese de ler seiscentas e tal entradas só na secção da «elite»?).

..:: livros e blogues na bertrand do chiado ::..


sábado, 21 de março de 2009

≈≈ domingo, 'estaremos' na Pública ≈≈

Confirmando o que alguns já perceberam: sim, é verdade, amanhã estamos felizes juntos na Pública. Na entrevista de Anabela Mota Ribeiro, com fotografias de Clara Azevedo, falamos de nós e da nossa vida em comum, algo de que muito nos orgulhamos. Talvez sirva para alguma coisa. Afinal, um longo caminho faz-se de pequenos passos...
Se tiverem curiosidade...


Ah, mandamos postais autografados a 10€ cada. Vêm aí as férias, não é?...




We have a dream: entre muitos outros, este é um dos sonhos: falarmos de nós de cara "destapada", sem cortes ou close ups.


***


Num comentário deixado nos Comyxturados:

«Reforçamos o que deixámos escrito no comentário ao vosso comentário no FJ: muito obrigado. Na verdade, também nós ficámos orgulhosos de nós próprios. Pensamos que transparece a absoluta "normalidade" da nossa vida e, sobretudo, que as pessoas podem ser felizes fora da matriz mais visível. Se o que fizemos pode ajudar alguém, então ficamos ainda mais orgulhosos e felizes! O que nos deixa (também) contentes é o facto de ver como as amizades se vão mantendo e aprofundando.»

segunda-feira, 9 de março de 2009

..:: convite irrecusável ::..


Frans Floris, Banquete dos Deuses, 1550



Tal como há um ano atrás, aqui vimos para, em conjunto com o Pinguim, te convidarmos para jantarmos felizes juntos no dia 9 de Maio.

Falta revelar o local (Lisboa) e a hora, coisa que faremos mais próximo da data, bem como o modo de nos comunicares que podemos contar contigo.
A antecedência é mesmo para ires reservando na tua agenda a noite desse dia.

O convite é especialmente dirigido a tod@s os que nos seguem, às mulheres, aos novos, aos velhos, aos assim-assim...
E aos que têm reservas e se escudam numa suposta timidez, repetimos: não precisas de ter blogue, de pertencer a determinado partido {com ou sem setas ou rosas}, género ♀ ♂ (basta que tenhas um), religião † ≈ ‡ (desde que não queiras converter nenhum de nós), cor ☻☺ ou orientação sexual (o que é isso?).




O que queremos mesmo é contar contigo, ok!


domingo, 8 de março de 2009

≈≈ 8 de Março ≈≈

Para lembrar tantas mulheres que se esquecem de si, uma reposição de Mia Couto:


Mulher

Solteira, chorei.

Casada, já nem lágrima tive.

Viúva, perdi olhos
para tristezas.

O destino da mulher
é esquecer-se de ser.


Maputo, 2005


in Idades Cidades Divindades, Lisboa: Caminho, 2007, p. 97


domingo, 1 de março de 2009

..:: não é ... e era bem melhor que fosse ::..


..:: interruptor ::..















Eis-nos!
Não sei se repararam, mas Fevereiro sobreviveu por aqui com entradas quase exclusivamente pré-programadas e agendadas; mas Março nem a isso terá direito. Se continuasse ao mesmo ritmo, seria uma falsa presença, portanto, desligo o botão. Entretanto, acompanho-vos no google reader e a meio de Março divulgaremos com o Pinguim um convite irrecusável.
Como tinha prometido, em Abril, deverá haver mais. Até lá, fortes e fartos ósculos e amplexos.