sábado, 27 de março de 2010

teatro • la vida es sueño

Julieta – Dei-te o meu amor antes que tu mo pedisses; e contudo queria tê-lo ainda.

Romeu – Querias tirar-mo? E para quê, meu amor?

Julieta – Só para ser generosa e dar-to outra vez. E contudo eu só desejo o que já tenho: a minha generosidade é tão ilimitada como o mar; e tão profundo como este é também o meu amor: quanto mais te dou, tanto mais me fica, porque uma e outro são infinitos.

William Shakespeare, Romeu e Julieta




Romeu + Juliet de Baz Luhrmann

sexta-feira, 26 de março de 2010

tal e qual

Com o sufoco do período quase a terminar e em plena quaresma, fica aqui um episódio bíblico em versão quase anedota muito a propósito destes dias (ainda que só mesmo os professores percebem verdadeiramente o estado de nervos de Jesus):

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:
Em verdade vos digo,
- Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
- Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?
André questionou:
- Temos que copiar isso para o papiro?
Simão perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Tiago, o Menor queixou-se:
- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!
Tiago, o Maior gritou:
- Cala-te, seu queixinhas!
Filipe lamentou-se:
- Esqueci-me do papiro-diário!
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas Iscariotes exclamou (Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre):
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?
Judas Tadeu reclamou:
- Podemos ao menos usar o ábaco?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
- Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos os fariseus, disse então a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!

... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

por tua conta e risco : FRANÇOIS SAGAT

Depois não me venham dizer que eu não avisei que o conteúdo era, como direi, interessante. Ou pornografia artística. Existe uma versão com censura, mas esta é muito mais... ok... é uma campanha, 'tá, e é por uma causa boa. Com François Sagat.



terça-feira, 23 de março de 2010

certeiro




[directed by André Carrilho; script by Spam Cartoon; animation by André Carrilho; sound design by José Condeixa; produced by João Paulo Cotrim and André Carrilho]

domingo, 21 de março de 2010

um poema para a vida «Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra»

Não sei se é a leitura melhor da Voz. Para mim é-o. Rui Morrison com uma voz esmagadora, muito mais do que a Pingo Doce. O incrível Álvaro de Campos: "Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação, / Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra, / Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim..." O resultado é o vídeo mais bem conseguido e tocante, que faz pensar muito na "estrada do sonho", na "estrada da vida".
«Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra» de Álvaro de Campos lido por Rui Morrison [cf. poema; cf. ainda esta versão de Jô Soares].



dia da poesia # 3

um poema para a vida «Liberdade»

«Liberdade» deve ser um dos poemas mais conhecidos de Pessoa. Trata-se de um poema interessante, mas Pessoa tem-nos muito melhores. E muito maiores. Além disso, deste poema saíram alguns chavões que me irritam, como "o melhor do mundo são as crianças", porque quase ninguém sabe contextualizar estas palavras. Aqui gosto mesmo é da leitura de Raúl Solnado, uma leitura conjugada com uma música excepcional, resultando um vídeo comovente. «Liberdade» de Fernando Pessoa por Raúl Solnado [cf. poema].



dia da poesia # 2

poesia • hoje é o dia

da poesia. E poucas coisas me movem mais que a poesia. Há o amor... mas, imaginemos, se o amor é a respiração, a poesia é o oxigénio. Como me é difícil escolher um poema, encontrar no youtube esta gravação satisfez-me por vários motivos; um dos principais é que me inspirou a fazer várias coisas com a poesia que de outro modo nunca teria feito. O outro é que me levou a procurar e a encontrar imensas gravações no Sapo (estão lá as leituras de que mais gosto e que partilharei a seguir). E dá-me também vontade de partilhar algumas dessas coisas que já fiz com alunos, mas não devo, não posso.
Trata-se de um episódio do programa Voz de 2005. Cada episódio era constituído pela leitura muito pouco ortodoxa de um poema de autor lusófono feita por uma figura pública. A produção coube às Produções Fictícias que pôs neste trabalho um cuidado estético a todos os níveis incomum. Apesar da qualidade não ser a melhor, acho que gostarão de ouvir o bonito Marco D'Almeida a dizer um dos poemas maiores da língua portuguesa, Cântico Negro de José Régio [cf. poema].




dia da poesia # 1

quarta-feira, 17 de março de 2010

lenços



Deve ser fruta da época, mas de tanto me assoar ando quase sem nariz (o que é bem difícil, dado o tamanho).

terça-feira, 16 de março de 2010

nobody’s innocent . everybody’s bisexual

Nobody’s innocent. Já tinham ouvido falar de Reead? Mas lembram-se deste vídeo, não? Muito pop, mas não deixa de ser engraçado este argelino que vive em Paris. Ele próprio participa nos vídeos (o tipo do chapéu). Everybody’s bisexual.










« Everybody has a secret
live every night as the last
and fuck the rest!
»





{visto aqui}

segunda-feira, 15 de março de 2010

delírio puro : o papel da escola

O papel da escola eu axo que é igual a um papel qualquer de imprensa A4. E de certeza que é. tem a mesma grossura e tudo. Agora se estão a falar, por exemplo, das folhas de Teste que é uma folha A3 duberada ao meio fazendo duas folhas A4, axo melhor que as folhas de teste sejam assim do que só uma folha A4, essas fichas que os professores dão são sempre folhas de formato A4 ou de formato A5 . Os testes As professoras metem sempre folhas de formato A4 mas quando são mais as professoras agrafam sempre as folhas e nunca fazem teste com folhas formato A5. Por isso eu axo que as folhas desta escola são iguais às das outras escolas ou de outras empresas.

delírio puro : não brinques comigo

domingo, 14 de março de 2010

eufonia

Mesmo não percebendo muito do processo legislativo, pelo que leio pela blogosfera, dá para entender que as coisas correm de feição em relação ao casamento (não, no que toca à adopção) e que o PR podia ter-se portado pior. Uma dúvida: há que começar a pensar numa data para o casamento, ou quê?!


The Hidden Cameras, Boys of Melody

cacofonia


The Hidden Cameras, Ban mariage

sexta-feira, 12 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

que fofas! adoro elas!




A aula é uma seca. Vai daí, as fofas boicotam-na, mas com muita pinta. Reparem como adoram os castigos.

quarta-feira, 10 de março de 2010




amanhecer

Só mesmo vendo para crer... mas pelo acordar do dia de hoje parece mesmo que o sol nos vai finalmente fazer umas visitas mais regulares. Afinal, haverá alguém que ainda não esteja farto de chuva?




{visto aqui}


terça-feira, 9 de março de 2010

singular ou... [dois]

Chimamanda Adichie e os perigos dos discursos únicos


Por ser branco, nunca liguei muito a certos discursos. Mas até eu devo estar a mudar. Aliás, acho que, mesmo indelevelmente, ultimamente estou a mudar muito. As questões raciais são um desses pontos que passaram a preocupar-me mais - assim como os direitos das mulheres. Talvez por causa dos discursos destas mulheres contadoras de histórias (há uma outra sobre quem falarei aqui depois). Por isso, descobrir esta comunicação da escritora nigeriana Chimamanda Adichie foi como ter tido uma daquelas revelações que mudam a nossa vida. Ou ter tido uma daquelas raras epifanias que ilumina o dia mais cinzento.
Aprende-se imenso com a voz às vezes trémula de Chimamanda, mas sempre senhora de si e da sua identidade. As suas palavras estão a par do discurso de Isabel Allende, ou mais ainda. Toda a gente devia ouvi-las e reflectir sobre o perigo da história única. As maiorias. As minorias. Para aprenderem algumas coisas e reconhecerem o perigo da generalização. Serve para quem tem «pele de chocolate». Serve ainda para constatarmos que é muito fácil apontarmos o dedo ao Outro, julgarmos o Outro, ostracizarmos o Outro. E mais uma vez um discurso fundamentado na experiência pessoal.
Percam algum do vosso tempo para ouvir mais este discurso fabuloso! Verão ainda que, tal como no discurso de Allende, a vossa reacção balançará entre o riso, a inspiração pura e o arrepio. Confiram o poder da(s) palavra(s). O poder da(s) generalização(ões). O poder de sermos, afinal, tão singulares. Espero ainda que estes dois discursos ajudem as mulheres a contornarem o destino e a não se esquecerem de ser!
Já agora, Chimamanda Adichie está publicada em Portugal pela Asa.

Pode ler-se na página do TED:
«As nossas vidas, as nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas. A romancista Chimamanda Adichie conta a história de como descobriu a sua voz cultural - e adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico.» »»


Pode ouvir-se nas palavras desta contadora de histórias:
«Todas estas histórias fazem de mim quem eu sou.
(...) A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é eles serem mentira, mas eles serem incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história.»




[É possível accionar facilmente
as legendas em view subtitles]

segunda-feira, 8 de março de 2010

singular ou... [um]

Isabel Allende a contar histórias de paixão



Por ser homem, nunca liguei muito a certas comemorações. Mas até eu devo estar a mudar... No Dia Internacional da Mulher, das mulheres das nossas vidas, a vosso favor, ganhem algum do vosso tempo a ouvir este discurso maior, perfeito e bem humorado desta contadora maior de estórias. É sobre mulheres, feminismos e paixão, e verão como balançarão entre o riso e o arrepio. Antes mesmo do vídeo, algumas frases soltas que Isabel Allende usa:
«Somente um coração destemido e determinado conseguirá a medalha de ouro.
(...) O coração é o que nos motiva e determina o nosso destino.
(...) As sociedades mais pobres e atrasadas são sempre aquelas que menosprezam as suas mulheres.
(...) O que eu mais temo é o poder com impunidade. Tenho medo do abuso de poder e do poder para abusar. Na nossa espécie, os machos alfa definem a realidade, e forçam o resto da matilha a aceitar essa realidade e a seguir as regras. As regras estão sempre a mudar, mas beneficiam-nos sempre.»

Portanto, não é só para ouvirem a Isabel Allende contadora e feminista!... É também para se deliciarem com o seu entusiasmo, para se comoverem com as histórias que relata e para pensarem um bocadinho!





[É possível accionar facilmente
as legendas em
view subtitles]

domingo, 7 de março de 2010

singular




[Não. Às vezes, é simplesmente demasiado tarde e pronto.]

Como já bem discorreram por aí (ainda que aconselhe esta entrada e mais esta), Um Homem Singular é fabuloso e essa classificação chega-me e sobeja-me.
«Nunca um filme tão contido foi tão explícito na enunciação do desejo»»
A rever muitas vezes e a atribuir-lhe sempre muitas estrelas.

sábado, 6 de março de 2010

convite irrecusável







Pelo 4º ano consecutivo, o nosso Pinguim organiza o jantar. Todas as informações para já necessárias estão disponíveis lá no seu whynotnow. Não se esqueçam de irem pensando seriamente no assunto e de irem reservando o dia 1 de Maio para o convívio no Guilho. Entretanto, senhoras e senhores, meninas e meninos, malta blogueira ou nem por isso, já temos os nossos bloquinhos prontos para assentar as vossas inscrições!











p.s.: O vídeo é de Hedi Slimane com improvisação do dinamarquês Oscar Nilsson




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

quando formos grandes, queremos ser assim : Alexander McQueen

Lee Alexander McQueen
[16 de Março, 1969 † 11 de Fevereiro, 2010]



Chego a casa e constato que Alexander McQueen foi hoje encontrado morto em casa. Tenho pena. Apesar de eu não falar muito de moda, gostava dele e das suas criações. Morreu hoje. Tinha 40 anos. Afinal, ainda se morre jovem por aí. Provavelmente de suicídio. E hoje descobri por este vídeo, um holograma tridimensional com Kate Moss projectado num desfile seu (outra versão).



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

quando formos grandes, queremos ser assim : Rosa Lobato de Faria

Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria
[20 de Abril, 1932 † 2 de Fevereiro, 2010]


Chego a casa e diz-me o Zé que morreu. Tenho pena. Muita! Afinal, além de muitas outras coisas por que se dividiu, escreveu um dos romances de temática homossexual/gay de que mais gosto. Falo de A Alma Trocada. Rosa Lobato de Faria foi também, como escreveu Eduardo Pitta, uma Senhora. Sem muito ruído, aproveito a ocasião para voltar a essas entradas antigas onde citei passagens do romance.
Entrada 1 ► ► Entrada 2 ► ► Entrada 3 ► ► Entrada 4 ► ► Entrada 5 ► ► Entrada 6 ► ► Entrada 7 ► ► Entrada 8 ► ► Entrada 9 ► ►
E de entre elas, destaco aqui as duas que se seguem:

Finalmente o prazer. Farrapos de fantasias eróticas de toda uma vida, numa espiral onde rodopiavam emoções, sensações, esquecimento próprio, loucura, aceitação do animal em mim, do grito, da fome, da liberdade de ser e saber que se é. Apesar. Mau grado. Não obstante. Que se lixe.
Finalmente o prazer. Tantas vezes sonhado, imaginado, desejado, pressentido. Puro e irracional. Irresponsável. A fúria da descoberta e depois a paz. Essa paz desconhecida, completa, apaziguadora. Pela primeira vez na vida, a plenitude.
Dormi sobre isto e acordei feliz.
Rosa Lobato de Faria » A Alma Trocada (Porto: Asa) » 2007 » p. 7



Cheiravas a feno e não sabias que o coração é um barco no tempo. Quando as aves do Verão demandarem o Sul virás devagar, abrirás a porta verde-escura e esperarás em vão pelo frémito do meu corpo. Não voltarei a passar o renque das azáleas, o muro onde o sol nasce, a chuva, para morrer nos teus braços.
Rosa Lobato de Faria » A Alma Trocada (Porto: Asa) » 2007 » p. 164

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

histórico

Fiquei triste por não poder ter estado na sessão plenária da AR de dia 8. Paciência. Mas passei a tarde com um daqueles sorrisos estúpidos na cara e que dão nas vistas. Também não sei explicar porque ainda não tinha escrito sobre o assunto. Talvez por a procissão ainda só agora estar a sair ao adro. Talvez por a legislação não mudar mentalidades. Talvez por eu andar a adiar várias questões que, pendentes, funcionam como uma bola de neve que acaba por me engolir. Se é certo que a legislação não muda mentalidades, acaba por ter um efeito muito positivo e dissuasor de comportamentos preconceituosos, ainda que o processo seja muito lento. A data é histórica, essa é que é essa. Corolário da luta/resistência de muitos que deram a cara pela causa que é de todos (ou devia ser). A aprovação na generalidade deixa-nos obviamente orgulhosos e faz-nos ver o futuro com outras cores.
Falta o ponto da parentalidade que não me é de somenos importância. Tenho esperança que também se resolva brevemente. Além disso, tornou-se pública a oposição do sr. presidente e a introdução de uma inconstitucionalidade por parte do PS que só pode resultar de burrice ou de jogada política (só espero que seja esta última hipótese).
E falta o resto. A igreja eriça-se. e arreganha os dentes. Os plataformistas contorcem-se. Os apocalípticos acham que desta é que é (mas foi no Haiti que a terra foi abaixo, como se a miséria atraísse a desgraça). Ainda antes do final de 2009, enviei um email redigido pela ILGA e que circulou por aí. Devo dizer que em geral fiquei sensibilizado com as respostas, pois nunca antes tinha recebido tantas (no total foram 14: sobretudo do BE, do CDS e do PS - a quantidade foi por esta ordem - e nenhuma do PSD ou do PC). Tantas respostas deviam ser um bom sintoma de uma mudança de paradigma da massa política que supostamente nos representa. Ou talvez não seja nada disso.
Mas, apesar de todos os reveses ou do pessimismo, estamos felizes e à espera de finalmente podermos passar de unidos de facto a cônjuges.

homo phobe

Porque se precisa de um pouco de evolução...



{visto aqui graças ao Graphic_Diary}

os dias comuns

Está frio… mas é muito bom sair do trabalho e ainda encontrar o rastro do sol sobre a água.

domingo, 17 de janeiro de 2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

contagem decrescente : corações enegrecidos




Por enquanto ainda não, mas amanhã espero podermos afastar todas as nuvens negras e estar em condições de comemorar mais um avanço.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

contagem decrescente : corações esfomeados




The Hungry Hearts. Conheci-as aqui e são maravilhosas. Adoro o cliché, o kitsch destas sete norueguesas (Tonje Gjevjon, Line Halvorsen, Ingeborg Kolle, Edith Roth Gjevjon, Amina Bech, Henriette Høyskel, Mona K.). E vestem quase sempre a mesma roupa (ou não têm dinheiro para outra ou é estilo ou não as despem sequer para tomarem banho). Façam o favor a vós mesm@s de as ouvir. Além do vídeo, elas estão no seu sítio e no myspace. »In Your Face« é qualquer coisa de extraordinário, mas a música que me interessa é »All The Things«.
Afinal, todas as coisas que se fazem por amor...

E não é o amor que mais interessa?

Para muita da arraia-miúda católica da sacristia nacional parece que não.
Pergunto então:
Que prazer se pode tirar de desejar uma sociedade com menos equidade?
Que prazer se pode tirar de querer rejuvenescer e prolongar a segregação tão ao gosto do Velho Testamento (por alguma razão se lhe chamou 'Velho')?
Que prazer se pode tirar de lutar pelo preconceito e propalar tão possantemente o ódio?
Que prazer se pode tirar de desejar e de querer e de lutar pela infelicidade dos outros?
Hipótese única: desejar que os outros sejam tão infelizes quanto ela (uma certa arraia-miúda, alguma com aspirações a pseudo-bem-pensante) é.






The Hungry Hearts, All The Things



Já agora, para quem ainda não o fez, quem quiser distrair-se um pouco mais tem de ouvir o Fórum TSF que o blogue ser gay divulgou, mas antes tome qualquer coisa potente para prevenir a acidez estomacal, já que a homofobia grassa até ao vómito nas opiniões da maioria dos intervenientes da primeira parte do programa.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

contagem decrescente : no homo









{visto aqui}





no homo fez-me lembrar em tudo os plataformistas. Mas não, por muito que esperneiem, sorriam e vomitem os seus preconceitos disfarçados de anelos de cidadania, esses não passarão!


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

POESIA | para começar bem o ano

Conheci a Viviane Mosé nem sei como. Sei que, em parte por culpa da Clarice Lispector, facilmente me apaixono por mulheres brasileiras. E não é só o requebro doce da língua. Foi o que aconteceu com a Viviane, por causa de um poema que se me colou à pele e que faço questão de obrigar os meus alunos a lerem e digerirem (falo da «Receita para lavar palavra suja» que já tinha posto aqui). O poema que para hoje escolho ficou guardado, a marinar durante muito tempo, mas hoje vem à tona para que também vocês se apaixonem pela Viviane e não deixem simplesmente que o tempo passe por vós e vos coma! Ah, como também eu gostava de remoçar... mas o tempo tem-me comido cá com uma pinta e logo por trás.
Pronto, tenham um bom ano!





Vida/tempo



quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina

sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)

acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando

Viviane Mosé



Um mix com o poema visto aqui
Outra versão que encontrei no youtube »»
Mais textos da grande capixaba Viviane Mosé »»

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Boas Festas

Com a perspectiva de 2010 vir a ser um ano memorável (embora esteja como S. Tomé: "Ver para crer"), prevêem-se boas festas (de casório) pelo país todo...



... e boas saídas e boas entradas e excelente 2010 é o que eu e o Paulo vos desejamos



visto aqui

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

(mensagem sem título)




Aproveitando a época e tal: boas festas para tod@s vós! Sim, festejem-se muito! {imagem com mensagem um}*{imagem com mensagem dois}*{imagem com mensagem três}*{imagem sem mensagem quatro} E deliciem-se com esta animação mais recente com o gato do Simão:





[também nós nos veremos por aí em 2010, somewhere over the rainbow ]



domingo, 22 de novembro de 2009

entendes?


{visto inicialmente aqui}


Entender tem em espanhol o significado que alinhar tem em português. Pelo que percebo, a música original é de Tontxu.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

post scriptum...

... sobre promessas que não se cumprem

prometo que um dia responderei às vossas perguntas e comentários!
mas para já: obrigado pelo reforço positivo e cada caso é um caso e eu - infelizmente - não sou nenhum herói. pronto, um dia - pra aí quando tiver tempo -, até explicarei porque comecei a fumar, sim!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sem fumo


{visto aqui}



Hoje é o dia do não fumador e quero partilhar isto: há 73 dias que não toco em tabaco. No meio, ficaram alguns dias, quando começaram as aulas, em que fumei 1 ou 2 cigarros. O mais engraçado é que nessa altura o meu corpo rejeitou o tabaco: soube-me mal, muito mal. E parei de fumar sem qualquer outra ajuda exterior; claro, tive o apoio do Zé, que tanto me chateou. Ele fica contente. E eu também. Pena continuar ansioso, ainda que cada vez menos. Também diminuí o número de cafés; ou seja, continuo acelerado, mas muito mais calmo. Depois de algumas tentativas para reduzir ou parar de fumar, espero que este seja mesmo o fim de um ciclo que durou cerca de 10 anos. Para quem fuma e pensar deixar-se disso, saiba que é possível... »»











segunda-feira, 16 de novembro de 2009

99 balões vermelhos




post scriptum: hoje há debate sobre o referendo a casamento entre homossexuais no Prós e Contras da RTP1. Se for tão bom quanto o de 16 de Fevereiro, estamos bem. Mas »casamento polémico«?... casamento polémico, o tanas! Em todo o caso, uma pausa para ver, sim!

sábado, 14 de novembro de 2009

escape me


Tiësto ft. C.C. Sheffield, Escape Me



post scriptum: desenganem-se, o felizes juntos não se tornou num blogue musical.
em consonância com a música, simplesmente, não há tempo nem disponibilidade para palavras. basicamente: não me apetece escrever. não me apetece falar de mim. ou de nós. falo(amos) pelas músicas, pode ser?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

boig per tu *

Sau, Boig per tu. Quina Nit [1996]




Ouvi esta música aqui, há algum tempo atrás. E acabou por se me agarrar à pele.

* Em catalão, claro: louco por ti {queriam uma tradução da letra?}.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

feel it in my bones


Tiësto ft. Tegan & Sara, Feel It In My Bones


Blow by blow, I didn't see it coming
blow by blow, sucker punch
rushes in, here to stay
rushes in, you are here to stay
what rushes into my heart and my skull
I can't control, think about it
feel it in my bones
what rushes into my heart and my skull
I can't control

Chorus:
I feel you in my bones
you're knocking at my windows
you're slow to lettin me go
and I know this feeling oh, so
this feeling in my bones

Left hook, I didn't see it comin
left hook, you've got dead aim
rushes out, run away
rushes out, you always run away
what rushes into my heart and my skull
I can't control, think about it
feel it in my bones
what rushes into my heart and my skull
I can't control

Chorus

I feel you in my bones
you're knockin at my windows
you're slow to letting me go
and I know this feeling oh, so
this feeling in my bones

I feel it in my bones
and then my skull feels pressure
I feel it in my bones
I feel it in my skull

Chorus

I take a breath, take a breath
with me blow by blow anekatips.com
take a break, take a break from you
you are here to stay
I take my heart out of my chest
I just don't need it anymore
take my hand up again
I just don't need it anymore
(repeat)

Chorus





E não, as meninas não são só boas gémeas idênticas!
Mais fotos »»
E o site oficial da Tegan and Sara »»

outro beijo



Este beijo é nacional, no cimo do Parque Eduardo VII. Nem menos queer nem com menos confraternização que o de Praga que ontem aqui pus.
Mas porque haviam de ter vandalizado a saia à moça? Moda nacional, pois.


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