sábado, 31 de julho de 2010

dar o nó

O Jorge e o Eduardo, depois de 38 anos juntos (a data na última foto dá conta do dia em que se conheceram), casaram. Caso para acrescentar «finalmente» (cf. este link + este).
Apetece-nos dizer que os homens quando nascem (também) é para casarem. As mulheres também. Tod@s. Quando quiserem e se quiserem.
Foi uma honra partilhar o momento com familiares e amigos.
Obviamente, desejamos aos recém-casados as maiores felicidades e, claro, o estrito cumprimento dos cinco deveres conjugais (respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência)...

Antes das fotos que confirmam os momentos mágicos, um antigo e irónico dístico do poeta:



Temos que baste: a pátria à janela

e a vontade na cama.

Eduardo Pitta »» Poesia Escolhida »» p. 128 [ mais ]










domingo, 18 de julho de 2010

antes de ╞ agenda

Para mais informação sobre os eventos, carregar nos cartazes/imagens.




de 22 de Julho a 3 de Outubro EXPOSIÇÃO COLECTIVA na SALA DO VEADO






de 23 de Julho a 26 de Setembro ANA VIDIGAL - MENINA LIMPA, MENINA SUJA

[Ana Vidigal, Menina limpa procura menina suja]
blogue






Decorre até 15 de Agosto PORTUGALARTE 10




Decorre até 3 de Setembro SETE SÓIS SETE LUAS





de 31 de Julho a 14 de Agosto ► FESTIVAL DOS OCEANOS






23 de Julho ► LINHA DE ÁGUA






Decorre até 27 de Julho FESTIVAL AO LARGO

sábado, 17 de julho de 2010

(títalo desconhecido)


Spiro, The Sky is a Blue Bowl



Esta entrada serve para agradecer ao Mike a partilha da música que aqui deixo hoje!
Serve também para agradecer novamente à Lara por me(nos) ter descoberto e ter comunicado isso mesmo. O poema que lhe dediquei é importante porque fala da importância para a nossa saúde de transformar as palavras em poema, não as guardando para nós. E ultimamente tenho tido dificuldade em expulsar as palavras...
Num destes dias, num acto mais de sono que de outra coisa, eis que carreguei no google reader no botão que automaticamente considerou todas as entradas como lidas; e deixei de saber o que queria comentar… o busílis é que tinha lá entradas muito antigas e que aguardavam pelo momento certo, aquele em que teria oportunidade para lhes dedicar a minha atenção. Paciência.
Por ora, já consegui despachar os principais emails em atraso e estou a tratar do assunto dos comentários: a seu tempo conseguirei chegar a bom porto, até porque, em princípio, as coisas começarão a amainar.







(este cartoon é da última campanha eleitoral, mas mantém-se cómico)

domingo, 11 de julho de 2010

Eugenio Bennato

«Che me fa fa’ st’ammore
tutta la vita a navigare
tutte le vele a consumare
tutte le isole a scoprire (...)»

Eugenio Bennato foi uma daquelas descobertas insubstituíveis do Sete Sóis Sete Luas. Incrível. Ritmo rápido. Às vezes lento e nostálgico. Absolutamente local. Tradicional. Absolutamente multicultural e universal. Tem vozes etíopes, marroquinas, crioulas, e de muitas outras origens à mistura. Excelente para colorir os dias. Bendita tarântula!




Sponda Sud


Che il Mediterraneo sia


Ritmo di contrabbando


Taranta power

domingo, 4 de julho de 2010

artista da semana : RUVÉN AFANADOR

Ruvén Afanador é colombiano e tem um daqueles nomes que, uma vez escutado, nunca mais se esquece.






Além do nome, também me parece pouco provável que se esqueçam das suas fotografias fortes. Foi a série/livro Mil Besos que me fez fazer esta entrada e ponho aqui só algumas dessas fotografias incríveis (há mais na página do fotógrafo).




domingo, 27 de junho de 2010

obrigado

Nos princípios da nossa relação, lembro-me de termos abordado a questão da "pertença" que o uso do possessivo pressupõe e de ele não assumir, para mim, um carácter castrador ou limitativo. Lembro-me da tua aversão ao uso da categoria gramatical "apensa às pessoas próximas" e de como me tenho esforçado para a evitar quando a ti me refiro ou assino cartões e bilhetes.
As coisas surgem e acontecem se e quando assim tiver que ser. Também foi assim com as alianças, lembras-te?
Talvez seja por isso que estamos mais fortes e unidos. Porque deixamos as coisas acontecerem, simplesmente.
Se sou o teu Zé, tu és o meu Paulo, porque estás e vais sempre comigo e não penso em mim sem pensar em ti. Deve ser isso o amor. Isso e as palavras doces que me escreves e dizes.
Que orgulho e alegria imensa por estar ao teu lado.

Já lavei a cara, já lavei o pé...

PS - Obrigado a tod@s pelos comentários e votos expressos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

coisinha simples para o meu Zé


Isabel Silvestre, Ó Zé


Eu, que tenho ligeira aversão aos possessivos apensos às pessoas próximas – como se fossem objectos –, passei a gostar, no entanto, de dizer o meu Zé.

E o meu Zé é especial – todos os zés e marias de todos aqueles que amam devem sê-lo (mas se até os que não têm zés ou marias têm dias especiais…).

Hoje é o dia do meu Zé, que por ser meu é superiormente especial. O dia em que as nuvens se curvaram para revelar o sol que iluminou, desde o primeiríssimo instante, os olhos de céu cheios do meu Zé – que são também o meu céu, afinal.

Hoje é o dia pacífico em que a bioquímica proporcionou que chegasse primoroso, inteiro, fiel, destro. Doce e azedo. Amargo e perfeitamente perfeito. Tal como o são os seres bons e belos... e imperfeitos. Portanto, existe nele o meu paraíso, mesmo que às vezes me esqueça disso. Mas acordo depois e regresso-lhe como filho pródigo.

Assim, tu que te tornaste a minha pátria, o meu latifúndio, a minha casa, a minha segunda pele, ouve-me: que todos os teus dias tenham a polpa da felicidade e possas colher em cada um deles sustento suficientemente saciante para transformar os espinhos do caminho no suave bálsamo das árvores rumorejantes e generosas.

Sabe que dobrar desta forma a vida contigo é ________!

Há dias assim. Dias cheios de toda a plenitude do mundo, em que partir é chegar com as mesmas, e afinal diferentes, mãos de todas as horas, mãos marcadas de tão cheias que estão, de tão carregadas que vêm.

Hoje é esse dia. Muitos parabéns, meu amor!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

palavras


Dustin O'Halloran, Opus 23 (animação de Marco Morandi)




GABRIELA CANAVILHAS
DISCURSO NA CERIMÓNIA DE HOMENAGEM - 20-06-2010
(...) Era uma vez um homem, que quando morreu, partiram 2 pessoas: saiu ele, de mão dada com a criança que foi – tal como o próprio José Saramago previu, nas suas próprias palavras.
Era uma vez e tantas outras vezes, o respeito à terra e aos homens, a luta contra as injustiças, a defesa dos direitos humanos, a denúncia contra a guerra do Iraque ou contra a ocupação palestiniana, as causas dos Sem Terra, do movimento anti-globalizante, da preservação do ambiente, ou do anti-clericalismo desassombrado.
Estas e tantas outras, foram as histórias com que o ateu místico, religioso laico, interrogador de Deus e dos homens, José Saramago, “comunista hormonal” nas suas palavras, questionou Portugal e o mundo incessantemente, directa ou metaforicamente.
A liberdade do pensamento define o criador: Saramago foi voz lúcida, inconformada, firme, insubmissa na luta contra a desigualdade entre os homens – esta sim “a verdadeira miséria”, dizia.
(...) Fiel ao seu compromisso com a consciência, usou a escrita para uma reflexão sobre as grandes causas da humanidade, edificando uma obra coerente, ousada, sólida, moldada pela ética, visando, sempre, a dignificação do Homem.
E fê-lo por vezes subvertendo normas - quer de narrativa (o seu estilo é inconfundível, nas suas frases longas e de pontuação singular), quer enfrentando dogmas - não tinha fé em Deus (mas certamente Deus teve fé nele). (...)





JOSÉ LUIS RODRÍGUEZ ZAPATERO
EL PAÍS - 19-06-2010
Tu abuelo, nos contaste, intuyendo el final de su existencia en la Tierra, fue diciendo adiós a los amigos, a su familia, a la naturaleza, porque quería estar lúcido y presente cuando la muerte llegara. Por eso, se abrazaba a los árboles que guardaban las páginas escritas de su vida.
Me llega la triste noticia de tu muerte y te evoco, el verano pasado, en la biblioteca de tu casa de Lanzarote. Vuelves a ser el perfecto anfitrión, el hombre cortés, inteligente, generoso, al que le gusta compartir la amistad. Me honra ser tu invitado. Pilar, tu compañera, tu cómplice, parece señalar en silencio a todos y cada uno de tus personajes en ti: al Ricardo Reis que se compadece de la soledad de los poetas y ayuda a no temer la memoria, a los inventores de artefactos angélicos que quieren enseñar a los seres humanos a volar "aunque les cueste la vida", a aquel alfarero que libra a los esclavos de una nueva caverna porque se niega a aceptar ciertas cegueras que imponen desigualdad y dolor.
Tú, que has sido también todos los nombres, no terminas aquí. 2010 es ya, para siempre, el año de la muerte de José Saramago, pero tus libros forman un maravilloso bosque de dignidad. Y yo me abrazo al árbol para mantener tu memoria.





MARIANO RAJOY
EL PAÍS - 19-06-2010
Con José Saramago desaparece un novelista enérgico, comprometido con la fuerza de la palabra. Sus libros son testimonio de ello. Intensos, arrebatados, desvelan la precisión visionaria de quien escribía desde dentro, invocando una pasión íntima que surgía de la imaginación, pero que no renunciaba a tener los pies en la tierra, palpando sus contradicciones y sus injusticias. Sé que no compartíamos el mismo horizonte político. Él creía en unos ideales que no son los míos, pero eso no impide que aprecie en su obra la convicción compartida de que la dignidad del hombre, más allá de las diferencias, siempre cuenta. Sus personajes mostraban esta forma de pensar. En ellos latía un aliento pesimista que dejaba abierta una puerta a la esperanza, a la espera de que el lector sacara sus propias conclusiones acerca de su conducta: de lo que hacía con su vida y de cómo lo hacía. El año de la muerte de Ricardo Reis, Memorial del convento o Ensayo sobre la ceguera son ejemplos de este proceder literario. Saramago fue uno de los grandes escritores del siglo XX y un gran amigo de España. El reconocimiento internacional que mereció su obra fue, también, un homenaje esperado al portugués: una lengua portentosa, bella y fértil desde sus orígenes; una lengua próxima, íntima, hermana, como el pueblo que la habla y que siente a través de ella.





DUARTE PIO
EXPRESSO - 19-06-2010
Falando em Viseu, na sessão de encerramento do XVI Congresso da Causa Real, sem nunca referir o nome de José Saramago, Duarte Pio, disse ser "simbólico que o país neste momento esteja a homenagear como um grande herói nacional um homem que é contra Portugal, que quis que Portugal deixasse de existir como país, que tem um certo ódio até à nossa raiz e que esse seja considerado o símbolo atual do nosso regime".




MANUEL ANTÓNIO PINA
JN- 21-06-2010
O oficioso "Osservatore romano", que o Vaticano costuma usar para atirar pedras escondendo a mão, achou que a morte de Saramago seria boa altura para o apedrejar, tanto mais que, agora, ele já não pode defender-se. O apedrejador de serviço meteu, por isso, mãos à vaticana obra e, mesmo não percebendo por que motivo terá Deus deixado Saramago viver até à "respeitável idade de 87 anos" e andar por aí a exibir uma "crença obstinada" não nos dogmas da Igreja mas nos do materialismo histórico, condenou-o às chamas do Inferno (infelizmente a Igreja já não tem poder para condenar gente como Saramago à fogueira na Terra). Também Cavaco tem queixas de Saramago mas, no seu caso, só protocolares pois, ao contrário do Vaticano, Cavaco não é rancoroso. Saramago não teve, de facto, o cuidado de acertar a data da morte com a agenda da Presidência, o que impediu o presidente de ir ao funeral. Saramago devia saber que Cavaco "gosta de cumprir promessas" e que prometera "à família que no dia 17 partiria com eles para a ilha de S. Miguel". Ora regras de concordância gramatical podem interromper-se, férias não.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

uma vida simples?



José de Sousa Saramago
[Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Lanzarote, 18 de Junho de 2010]

quinta-feira, 17 de junho de 2010

pois é

mais uma semana e fico livre de alunos. uma semana: só de amanhã a oito dias. bolas, nunca mais é sábado!


Jorge Fernando & Sam The Kid, Pois é

segunda-feira, 14 de junho de 2010

vҽnha maᴉs uma paɹábola do teṃpo em que os aṅimais falaṿam

Um elefante vê uma cobra pela primeira vez. Muito intrigado, pergunta-lhe:
- Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas!...
- É muito simples: rastejo, o que me permite avançar - responde a cobra.
- Ah... E como é que fazes para te reproduzires? Não tens tomates!...
- É muito simples - responde a cobra, já irritada - ponho ovos.
- Ah... E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!...
- Não preciso! Abro a boca assim, bem aberta, e com a minha enorme garganta engulo a minha presa directamente.
- Ah... Ok! Ok! Então, resumindo: rastejas, não tens tomates e só tens garganta... És chefe de quem?

terça-feira, 8 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

para a Lara

As aulas vão chegando ao fim. Pelo menos algumas. Mas continuo ainda sem tempo para deambular por aqui. Esta entrada é, então, e sem grandes explicações, para a Lara. Poderia dedicar-lhe Lispector, ou Colasanti, ou Viviane Mosé. Ou outra qualquer grande mulher escritora. Eis que não resisti a mais um poema da enérgica Viviane Mosé, desta vez trata-se da "Receita para arrancar poemas presos" em duas versões ao vivo. Não sei se já tinha dito, mas esta entrada é para a Lara por hoje simplesmente me ter feito sorrir mais do que é habitual.




“Receita para arrancar poemas presos”



A maioria das doenças que as pessoas têm

São poemas presos,
Abcessos, tumores, nódulos, pedras são palavras calcificadas,
São poemas sem vazão,
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado,
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima.

Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema.

Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.

Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de Espírito Santo.

Eu venho do Espírito Santo
Eu sou do Espírito Santo
Trago a vitória do Espírito Santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

curta

Para verem com muita atenção e até ao fim esta curta-metragem de Sinan Çetin! Quase dá vontade de rir. Corria o ano de 1934 na Turquia...









... e podem continuar com esta música (gregos Stelios Kazantzidis e Eleftheria Arvanitaki, Tsifteteli tourkiko):





... sem comentários!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

notas telegráficas

1 # Foi publicada A LEI que altera o código civil. »»



2 # Ferreira Gullar, com 80 anos, ganhou o prémio Camões. Gostei! »»
Narciso e Narciso

Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que ao outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.
(...)

Ferreira Gullar, Obra Poética. Quasi Edições, 2003, p. 393-394



3 # Clint Eastwood faz hoje 80 anos.



4 # A artista plástica Louise Bourgeois, nascida a 25 de Dez. de 1911, morreu a caminho dos 99 anos. »»

Louise Bourgeois, numa fotografia de Robert Mapplethorpe (1982)



4 # Esta entrada também segue sem comentários que não tenho nem para me coçar.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

festivalices

Esta semana regressam as festivalices da eurovisão. Portugal lá conseguiu apurar-se para a Final numa semi-final em que "em terra de cegos quem tem olho é rei".
Altura para lembrar Marie Myriam que foi o mais perto da vitória que Portugal já esteve... por assim dizer!...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

amor mágico





Amor Mágico de Lorena também podia chamar-se, tendo em conta o vídeo, as idades do amor e conta com a participação de Sergio Lara. Já ouvi melhor, mas, pronto, até foi concorrente ao festival espanhol da canção.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Sr. Silva e o calendário

Como é cruel o calendário!
Tantas voltas deram que acabaram por (ter que) dar o braço a torcer num dia - Dia Mundial Contra a Homofobia - em que a decisão tem muito mais peso do que (não) queriam que tivesse. Azarinho!...
De acordo com o Sr. Silva, o mal menor foi evitar o desvio de atenções da resolução dos "problemas que afectam gravemente a vida das pessoas" e não "inventarmos desculpas para a resolução dos problemas concretos dos portugueses."
Sr. Silva, tenho notícias para si: sou pessoa e sou português (e nem o senhor, com toda a ajuda que quiser e puder encontrar, nem ninguém, conseguirá alterar isso!), e para mim é um problema concreto que agora pode ficar resolvido quando puder garantir para mim e para o meu futuro marido direitos iguais aos que o senhor e a sua senhora têm.
Da Conferência Episcopal Portuguesa nem vale a pena falar, não seria de esperar outro tipo de atitude, mas seria bom que pensassem no que dizem quando afirmam que "A Igreja não tem atitudes discriminatórias contra ninguém (...)". Olhem que mentir é pecado, não é?
No CDS, parece que a ideia é que "uma coisa é defender direitos entre pessoas do mesmo sexo e outra coisa é institucionalizar esses mesmos direitos através do casamento." Ó simpáticos e limpinhos senhores, isto não bate a bota com a perdigota! Já ouviram falar na Declaração Universal dos Direitos do Homem? Assim mal acomparado era como se aqui há uns tempos os senhores se tivessem lembrado de dizer que o povo de Timor tinha direito à sua autodeterminação e outra coisa era oficializar a coisa... Ganhem juízo.
O dono da Madeira, claro, também mete o bodelho na questão. Diz que "se fosse primeiro ministro, coisa que felizmente não sou (sic), revogava logo esta lei." Pois, com certeza, olhe candidate-se que eu voto em si, desde que do seu programa eleitoral faça parte também a revogação de outras leis. Tenho várias sugestões...
E depois andam para aí umas coisas com verrugas que se armam em arautos da verdade. Santa ingenuidade ou maldade pura? Eu até estava na disposição de prescindir do que vai ser agora um direito meu se esses seres se vissem de novo privados do direito ao voto, a não poderem ausentar-se do país sem consentimento dos pais ou do marido, a verem contratos de trabalho resolvidos pelos maridos, etc., etc., como era no tempo da outra senhora.
Não querem, por acaso, proibir os casamentos interraciais, não? Ah, fraca e enferrujada memória!...


domingo, 16 de maio de 2010

17.05.2010 ☆ ouro sobre azul



Não ouvi o discurso, mas retive o essencial: CASAMENTO APROVADO! Este sim, é um dia profundamente histórico: subitamente, eis que o dia anti-homofobia se torna o nosso dia com menos descriminação. E o Zé já me disse que SIM! ☺

Gosto muito do electro-pop deste duo inglês. Já tinha posto
aqui um vídeo, mas a adesão parece ter sido nenhuma. Por isso insisto, olhem que vale a pena esperar que o vídeo cresça e ver/ouvir Better than love.






HURTS, Better Than Love

quarta-feira, 12 de maio de 2010

por falar nisso...

... tenho uma série de fotos e vídeos para escolher e pôr aqui. Mas não tenho tempo; enquanto em Fátima se reza, aqui trabalha-se. E está quase a terminar a exposição retrospectiva Sem rede / Netless da Joana Vasconcelos (encerra dia 18). Somos suspeitos, porque gostamos muito dela, mas temos de a recomendar muito, muitíssimo. Se não a foram ver, aproveitem estes dias! É como regressar ao mundo de Alice da nossa infância. Ainda que a maior parte (como por exemplo, a «Burka», «A noiva» ou esta «www.fatimashop») não partilhe dessa aura mágica... No vídeo, há umas meninas que acham que pode ser traumatizante. Para quem conhece o comércio religioso de Fátima, nem é assim tanto.



[respondendo já a uma dúvida do Maldonado: sim, quando pomos o coraçãozinho / nome felizes juntos, é porque as fotos são nossas]

terça-feira, 11 de maio de 2010

interrupção para » o visitante «


Direcção de Cristina Sampaio; guião de Spam Cartoon; animação de Estrela Lourenço; som de Paulo Curado; produção de João Paulo Cotrim e André Carrilho

segunda-feira, 10 de maio de 2010

bentinhos iiii

Mesmo sem tempo para comentar ou responder a comentários... mesmo não querendo prolongar a apostasia... não resisti a mais estas partilhas:




visto no melhor dos dois mundos


☆ ★ ☆ ★ ☆



visto no queer the pitch


☆ ★ ☆ ★ ☆



visto no womenage a trois


☆ ★ ☆ ★ ☆


sábado, 8 de maio de 2010

bentinhos iii


letra de Miguel Castro Caldas, interpretação de Rui Rebelo; como se pode ler na página do youtube, trata-se de uma canção de boas vindas ao dito cujo



Ainda vamos todos deitar papa pelos ouvidos!




sexta-feira, 7 de maio de 2010

bentinhos ii



Acho que sou alérgico. Se não é do pólen, só pode ser de... Bem, o Bento está a chegar e só espero que, para compor o quadro, também por cá, venha chorar pelas vítimas de pedofilia. Não sei, mas parece que vai ser mesmo lindo! A mim faz-me espécie estas condicionantes todas por causa da visita deste idoso, mas pelo menos terminaram as obras no Terreiro do Paço que ficou, como direi, estranho. E com uns acabamentos muito ultra-modernos a dar para o ah-temos-acabar-isto-já-que-vem-aí-o-bentinho. Enfim, deuses e deusas, dai-nos paciência!



[clicar para ver em tamanho maior]

terça-feira, 4 de maio de 2010

9

Mais ou menos infelizes da vida, cada um seguia o seu destino.

No entanto, todavia, contudo, naquela sexta-feira, dia 4 de Maio de há nove anos, eu e o Zé haveríamos de cruzar os nossos caminhos e de acertar agulhas para passarmos a avançar lado a lado.

Pode parecer que foi há muito tempo ou que foi muito difícil... Quando, afinal, é como se tivesse sido apenas ontem e tem sido duma simplicidade absolutamente desarmante. Mais: a relação tem-se conjugado com a mesma naturalidade com que respiramos e envelhecemos.


ɤɤ

[2 poemas de e. e. cummings]

# 1


i carry your heart with me eu levo o teu coração comigo


i carry your heart with me(i carry it in eu levo o teu coração comigo (eu levo-o no
my heart)i am never without it(anywhere meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
i go you go,my dear; and whatever is done que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
by only me is your doing,my darling) só por mim é obra tua, meu amor)
i fear eu temo
no fate(for you are my fate,my sweet)i want nenhum destino (pois tu és o meu destino, meu doce) eu quero
no world(for beautiful you are my world,my true) nenhum mundo (pois belo és tu meu mundo, a minha verdade)
and it's you are whatever a moon has always meant e és tu que és o que quer que seja o que a lua signifique
and whatever a sun will always sing is you e tudo o que um sol sempre cantará és tu


here is the deepest secret nobody knows aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(here is the root of the root and the bud of the bud (aqui está a raiz da raiz e o botão do botão
and the sky of the sky of a tree called life;which grows e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
higher than the soul can hope or mind can hide) mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
and this is the wonder that's keeping the stars apart e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas


i carry your heart(i carry it in my heart) eu levo o teu coração (eu levo-o no meu coração)
e. e. cummings [baseei-me na tradução de Regina Werneck]



# 2
Poema de e. e. cummings dito por Ana Carolina

segunda-feira, 3 de maio de 2010

o tempo

Ponto prévio: o tempo devia esticar para haver tempo para tudo!

Ponto um: o jantar passou; o pessoal do
Restaurante Guilho foi extraordinário, como já era de esperar: profissional e simpático como não podia mais. A nós, que estivemos na organização que é toda do Pinguim, conquistou-nos o coração!
De resto, gostei muito de toda a gente que não conhecia pessoalmente e gostei de rever todos os outros.

Ponto dois:
à falta de melhor, fica esta Sinead O'Connor que eu adoro e que era para ter estado aqui já ontem... todos os dias são dias das nossas mães!



Sinead O'Connor, This is to mother you

sábado, 1 de maio de 2010