domingo, 29 de maio de 2011

artista da semana :: Jamie Beck










Além de bonita, Jamie Beck é fotógrafa de moda e tem imensos autorretratos em estilo retro. Mas está a ficar conhecida por ter começado a intervir sobre o estatismo das fotografias, imprimindo-lhes pequenos movimentos que as tornam inusitadas, irreais e surpreendentes. É como olhar para o passado e achar que ele ainda se move em retrospetiva na nossa memória. Acho fascinante o resultado, além de que muda bastante o conceito associado ao formato .gif.




























































quinta-feira, 26 de maio de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

'Embeiçados'

Gosto da música, mas o vídeo é tão total e absolutamente fabuloso!


Clã, Embeiçados

terça-feira, 24 de maio de 2011

o amor

que caminhos, os do amor?
que palavra? que rumor?
que fado ou ruim desdita?
que raro lugar habita?

em que bom jardim desponta?
será a favor ou contra?
do lado esquerdo ou direito?
se é cérebro, será peito?

será quente já que é frio?
que forma, se é sem feitio?
viverá sem ter nascido?
morrerá sem ter vivido?

longe, longe, tão perto!
errado, mas sempre certo?
certo, mas sempre errado?
será urbano, nada prado?

tudo prado, nada urbano?
todo animal, nada humano?
será chuva sem deixar
de ser sol, permanente ar?

será noite, se é só luz?
que analgésico produz
tão forte e tamanha dor?
ah... os caminhos do amor!




paulo.xxxi.v.xxiv

domingo, 22 de maio de 2011

[...] e o convite!


Depois do convite feito, a imagem, que tem como base a foto da entrada anterior. Não se tinham esquecido do jantar, pois não? Já falta muito pouco!
Já agora, se puderem divulgar pelos vossos meios, a gerência agradece.
Outros pormenores seguirão no próximo fim de semana, num email endereçado aos interessados em participar nesta 5ª edição.



The Farm, All together now









Deixo o código para poderem divulgar a imagem do convite, já que desta forma é mais fácil e rápido para quem o quiser colocar no respectivo estaminé.
Para quem não percebe muito do assunto, basta copiar e colar o código html aonde quiserem, só têm de ajustar as dimensões da imagem (mudar o valor "WIDTH"). Podem fazê-lo aqui e depois copiam todo o código. Ou copiam todo o código e, depois, fazem a alteração. Não custa nada, mas em caso de dúvida perguntem.


(original com 700 x 419 || 330 kb)

sábado, 21 de maio de 2011

o original [...]

As fotos abaixo são na verdade a mesma que foi tirada aquando do terceiro jantar de bloguistas (e o primeiro no Guilho), a 9 de Maio de 2009. Os sapatos são obviamente de alguns dos participantes.
A foto alterada foi publicada numa entrada de agradecimento.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

coisas que eu sei

Sei pouco.
Sabemos sempre pouco para o tempo de que dispomos para aprender.
Mas sei que tenho de agradecer os comentários que fizeram à entrada que o Zé pôs sobre os 10 anos que fizemos.
Mas antes um desabafo: a semana foi tão intensa de trabalho que nem deu para me aperceber que já lá vão 10 anos. E quando digo 'intensa' não estou a ser eufemístico! Em duas noites seguidas, dormi 3h e meia, e mais horas tivesse o dia e maior seria a romaria. Confesso que ainda não me refiz totalmente e o atordoamento ainda se reflete no meu discurso e atos. Fora isso, tudo bem. Talvez seja muito exige nos pormenores. Sei que sim.
Além deste pormaior, estivemos a semana quase toda separados (e ainda bem, que de outra forma nem eu teria conseguido trabalhar tão intensamente). Ainda não comemorámos. Aliás, perfeito, perfeito seria casarmos neste ano redondo das nossas vidas. Mas ainda não chegou o momento. Os laços que nos unem já são suficientemente fortes.

Mais coisas que eu sei e das quais já nem costumo falar muito por aqui. Então:

Sei que
- há 10 anos, nenhum de nós imaginaria chegar até aqui. Como já noutras ocasiões referi, há muito que entrámos em velocidade cruzeiro: poucas coisas serão capazes de nos desviar da rota. Concluo: a questão de 'aonde havemos de chegar' ou 'até quando' não faz muito sentido. Havemos de chegar aonde nos esperam e 'para sempre' é muito tempo. E tempo nenhum.

Sei que
- há 10 anos, éramos muito mais jovens. A idade, o tempo não nos perdoam. Mas o tempo também nos ensinou a conhecermo-nos melhor. E concluo: se não consigo conhecer-me a mim próprio como é que hei de conseguir conhecer o Zé?... o conhecimento é sempre um jogo de estratégia, de aproximação, teste e tática. Gosto muito dele, mas ainda não o conheço a ponto de saber como reagir a algumas coisas que diz ou faz. O contrário (i.e., o Zé em relação a mim) é igualmente, ou mais, verdade. E concluo: dificilmente havemos de chegar a um ponto em que diremos 'Acabou a demanda, nada mais temos para descobrir um no outro'.

Sei que
- continuamos a não pertencer um ao outro. Melhor: pertencer até pertencemos, mas só parcialmente, porque nós pertencemos, antes de mais, a nós próprios. A independência é um valor (se assim lhe posso chamar) fundamental. A música da minha adolescência 'Nasce selvagem' (Resistência/ Delfins) continua a fazer todo o sentido! Ainda me arrepia. Se não se lembram, pesquisem que facilmente se reverão! E concluo: a infância, a adolescência, a família, os amigos, a escola, a sociedade, enformam-nos de um modo único, às vezes indelével, outras com uma força a que nos é impossível fugir. E esses traços estão sempre connosco, fazem com que sejamos nós próprios. De nós próprios. Se fôssemos uma propriedade, seríamos nós próprios o único titular.

Sei que
- a independência não pode impedir a negociação, a cedência, a comunicação. Afinal, o crescimento. Sei que a certa altura da nossa relação, decidimos crescer juntos. Crescer (como 'independência') é uma palavra-conceito fundamental. Se um dia decidirmos deixar de crescer, acabou. Deixará de haver caminho, rota, meta para percorrermos juntamente. Isto implica que, entretanto, tenhamos que pôr a nossa teimosia de parte e negociar e ceder. Às vezes, a comunicação entre nós é difícil e por isso andamos sempre a palpar terreno, a ver como podemos resolver alguma zona nebulosa. Acho que nunca deixámos nenhuma por dissipar. Concluo: para avançarmos, precisamos de percorrer etapas, algumas delas em que temos de ceder às perspetivas do outro. Ah, crescer é isso: abrir a nossa porta de entrada e permitir que o 'outro' entre em nós e passeie pelos nossos corredores, abra as portas e descubra, mais ou menos lentamente, os pormenores dos nossos (mais recônditos) recantos e aí deixe a marca da sua presença ou passagem (se não deixar, será absolutamente indiferente; se for indiferente não nos fará crescer em nenhum sentido = a zero, portanto = tempo perdido).

Sei que
- me custa dormir sozinho, mesmo que às vezes - quando juntos - não me apeteça dormir abraçado.

Sei que
- não precisamos de muitas palavras para comunicarmos. Só precisamos das palavras certas.

Sei que
- ensinei o Zé a gostar de fruta, a comer mais peixe e legumes, a gostar de plantas e de cores.

Sei que
- me obrigou a enfrentar alguns medos, a gostar de gatos, a ter o ouvido mais atento, a ser mais paciente e menos histriónico.

Sei que
- 10 anos é muito tempo. E que passou muito depressa!


Obrigado a tod@s pelos comentários!


Ah, e para concluir, também sei que
- viajamos sempre. E estamos sempre de passagem... (não se esqueçam vocês disso!)





(música: John O'Callaghan & Betsie Larkin, Impossible To Live Without You)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

o dia!

Um dos poemas de que mais gosto sobre "mãe".

Herberto Helder, A fonte II
(música de Rodrigo Leão, álbum Os Poetas)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

as máscaras ibéricas

Pelo sétimo ano consecutivo (este ano, um pouco mais cedo), acontece o festival da máscara ibérica. Passem pelo desfile (dia 30 - se quiserem consultar o programa) que vale muito, muito a pena.



quarta-feira, 27 de abril de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

a utopia

Isolem o título do poema de Ruy Belo ['Um dia não muito longe não muito perto'] e vejam o vídeo. Claro, aproveitem e recordem o poema:







Um dia não muito longe não muito perto

Às vezes sabes sinto-me farto
por tudo isto ser sempre assim
Um dia não muito longe não muito perto
um dia não muito normal um dia quotidiano
um dia não é que eu pareça lá muito hirto
entrarás no quarto e chamarás por mim
e digo-te já que tenho pena de não responder
de não sair do meu ar vagamente absorto
farei um esforço parece mas nada a fazer
hás-de dizer que pareço morto
que disparate dizias tu que houve um surto
não sabes de quê não muito perto
e eu sem nada pra te dizer
um pouco farto não muito hirto e vagamente absorto
não muito perto desse tal surto
queres tu ver que hei-de estar morto?

Ruy Belo, in Todos os poemas

segunda-feira, 25 de abril de 2011

a liberdade


Mário-Henrique Leiria, "Chamada geral"
avisam-se todas as polícias
fugiu um homem

tem
olhos muito abertos
duas mãos dois pés
caminha persistentemente

atenção
supõe-se que é perigoso

sinais particulares:
baixa-se com frequência
para fazer festas a um gato
apanha folhas caídas
antes que o varredor as leve
gosta de tremoços

atenção
GOSTA DE TREMOÇOS

repete-se
avisam-se todas as polícias
anda um homem à solta
à solta

atenção
tem-se como certo
que é
realmente perigoso

os aeroportos
já estão sob vigilância permanente
tudo está a postos
não poderá passar
por nenhuma fronteira
que seja conhecida

insiste-se
avisam-se todas as polícias
anda um homem em liberdade

atenção
em liberdade

delações muito recentes
permitem afirmar
que fala com frequência

todo o cuidado é pouco

consta também
embora sem referências concretas
que está sempre presente
nos locais os mais suspeitos
apela-se com insistência
para o civismo de todos os cidadãos
para a denúncia rápida e eficaz
há recompensa

atenção
anda pelo país um homem
livre

não se sabe o que fará

exige-se
a quem o vir
que atire imediatamente
é urgente

atenção
atenção
chamam-se todas as polícias
uma informação
da máxima importância
relatórios afirmam
que frequentemente
sorri com extrema virulência

repete-se o apelo
ATIREM PARA MATAR
NADA DE PERGUNTAS

in Novos Contos do Gin, 1978

domingo, 24 de abril de 2011

a vida


Peter Paul Rubens, 'Ressurreição'






Fernando Bayona - Circus Christi - 12 - Resurrección






Fernando Bayona - Circus Christi - 13 - Duda De Tomás






Rufus Wainwright, Hallelujah [para o significado de 'aleluia']





Boa Páscoa, gentes!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

a morte

Ricardo Flecha, "Cristo nos braços da morte"
(Medina del Campo, Valladolid)
[visto e lido aqui]





quinta-feira, 21 de abril de 2011

a cruz

Canto Russo - Видящи Тя висима, Христе



Nesta seleção de crucifixos estão alguns dos que mais nos impressionaram, desde os medievais (que vimos em Barcelona e Lucca), ao de Filippo Brunelleschi e de Michelangelo (ambos em Florença), e ainda os que havemos de ver no Escorial (de Benvenuto Cellini) e em Assis.







Volto Santo, Lucca (Itália) || Majestat Batlló, Barcelona






Filippo Brunelleschi, basílica de Santa Maria Novella (Florença)




Giotto, basílica de Santa Maria Novella (Florença)





Michelangelo Buonaroti, basílica do Santo Spirito (Florença)





Benvenuto Cellini, Escorial || Crucifixo de São Damião, Assis

segunda-feira, 18 de abril de 2011

convite / alteração

Esta entrada é uma cópia da outra. Mas há uma alteração fundamental que já perceberam no blogue do Pinguim: a data do jantar mudou para 4 de Junho.
De resto mantém-se tudo!










Como já vem sendo hábito, e pelo 5º ano consecutivo, o nosso Pinguim organiza o jantar. Todas as informações para já necessárias estão disponíveis lá no seu whynotnow. Entretanto, não se esqueçam de pensarem seriamente no assunto e de irem reservando o dia 4 de Junho para o convívio no Guilho.
Senhoras e senhores, meninas e meninos, malta blogueira ou nem por isso, o convite é para todos os que nos vão visitando e extensível às caras-metades, aos amigos e amigas. A quem já conhecemos e a quem gostaríamos de conhecer. Àqueles com quem já temos laços virtuais e menos virtuais de amizade. Aos novos. Aos tímidos (só para que saibam: não
comemos ninguém nas edições anteriores). Ah, e também aos que se foram desprendendo dos blogues e se dedicaram mais ao facebook e quejandos. O único requisito mantém-se: virem por bem!
Para já é só para saberem, contarem com o jantar e reservarem na vossa agenda. Lá mais para a frente divulgaremos o convite que eu hei-de fazer (assim que tenha tempo) e anotaremos as vossas presenças, ok?!
Queremos contar com todos vós!












[convites que fiz para as edições anteriores -
aquando do primeiro jantar, ainda não conhecíamos o Pinguim]




sexta-feira, 8 de abril de 2011

'o pipol e a escola'

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã? E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?



[Podia ser, mas não, não é de nenhuma aluno meu.
Recebido por email.]

quarta-feira, 30 de março de 2011

convite


Acid Girls, Lightworks






Como já vem sendo hábito, e pelo 5º ano consecutivo, o nosso Pinguim organiza o jantar. Todas as informações para já necessárias estão disponíveis lá no seu whynotnow. Entretanto, não se esqueçam de pensarem seriamente no assunto e de irem reservando o dia 21 de Maio para o convívio no Guilho.
Senhoras e senhores, meninas e meninos, malta blogueira ou nem por isso, o convite é para todos os que nos vão visitando e extensível às caras-metades, aos amigos e amigas. A quem já conhecemos e a quem gostaríamos de conhecer. Àqueles com quem já temos laços virtuais e menos virtuais de amizade. Aos novos. Aos tímidos (só para que saibam: não
comemos ninguém nas edições anteriores). Ah, e também aos que se foram desprendendo dos blogues e se dedicaram mais ao facebook e quejandos. O único requisito mantém-se: virem por bem!
Para já é só para saberem, contarem com o jantar e reservarem na vossa agenda. Lá mais para a frente divulgaremos o convite que eu hei-de fazer (assim que tenha tempo) e anotaremos as vossas presenças, ok?!
Queremos contar com todos vós!












[convites que fiz para as edições anteriores -
aquando do primeiro jantar, ainda não conhecíamos o Pinguim]




segunda-feira, 28 de março de 2011

Esta e grassas az novax opertnidadex

O piquenique

A Ministra da Educação foi convidada para participar num piquenique em sua honra, oferecido pelos alunos que passaram o 9º ano. Quando chegou ao local, estranhou ver um monte enorme de sacos cheios de um pó branco. Dirigiu-se ao rapaz que estava a preparar o churrasco e perguntou:
- O que é que está dentro daqueles sacos?
- É cal, senhora ministra.
- Cal? Mas para quê?
- Eu também não percebi, senhora ministra mas as ordens que recebi foi de comprar 102 sacos de cal!
Intrigada, a Ministra dirigiu-se ao responsável pelo piquenique (um antigo aluno seu que conseguiu evoluir tirando uma especilização no Programa das Novas Oportunidades) e perguntou-lhe o que é que pretendia fazer com tanta cal. Esse seu antigo aluno, espantadíssimo, comentou que não tinha encomendado cal nenhuma. Foram os dois ter com o rapaz que fizera as compras para esclarecerem o assunto.
- Olha lá, quem é que te mandou comprar estes sacos de cal?
- Foste tu, pá! Agora não te lembras? Ainda tenho aqui o papel que escreveste.
E exibiu a lista enorme de compras que lhe tinha sido dada. O antigo aluno mirou, tornou a mirar e disse:
- Eh pá... mas tu és mesmo burro! Não vês que me esqueci de pôr a cedilha? O que eu queria dizer era Çal! E não era 102 sacos mas sim 1 ó 2!

domingo, 27 de março de 2011

só duas coisas

1#
Não sei se já sabiam, mas vejam lá quem é que está de regresso e agora está aqui!









2#
Escutem este mix que descobri no It's been lovely. Combinação mais que perfeita! Lady Gaga + Madonna + David Guetta


mix de Robin Skouteris, Born To Express Love

terça-feira, 22 de março de 2011

'ao teu encontro'

Trentemøller, 'Miss You'



ao teu encontro



há mais oiro nas palavras
quando me beijas, colibri.

há mais encruzilhadas,
mais histórias pegadas
que segredos revelados, colibri.

nesse instante relâmpago,
há mais vidas a multiplicarem-se, colibri,
há mais sentidos em fuga
e músculos em contracção
porque todo o meu corpo
se multiplica em movimentos
imperceptíveis de luz e trevas
até à revelação inexprimível
de todo o meu gozo,
de todo o meu sentido existencial:
- existo para que me firas, colibri,
no âmago, na essência, no fogo
de silêncio e sangue vibrante.

e, agora, a uma esquina de ti, colibri,
humedeço os lábios e desapareço.



paulo | iv.iv.mmiii



segunda-feira, 21 de março de 2011

dia da poesia

A Naifa, 'Música' (poema de José Luís Peixoto)


«Música«
«como um raio a rasgar a vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma cidade secreta
a levantar-se do chão, como água, como pão,

como um instante único da vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma pétala dessa flor
a levantar-se do chão, como água, como pão,

assim nasceste no meu olhar, assim te vi,
flor a florir desmedida, instante único
a levantar-se do chão, a rasgar a vida,

assim nasceste no meu olhar, assim te amei,
vida, água, pão, raio a rasgar uma cidade secreta
a levantar-se do chão, flor a florir desmedida.«


José Luís Peixoto [1974-], in A Casa, A Escuridão. Lisboa: Temas e Debates

sexta-feira, 18 de março de 2011

trompe-l'oeil

À técnica artística usada para criar ilusões de ótica chama-se trompe-l'oeil (tradução literal do francês: engana o olho). Tal ilusão é conseguida em pintura e arquitetura através de truques de perspetiva.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Japão 日本



Tantos infortúnios juntos cheiram a apocalipse. Ou escatologia. Como há quase uma semana, ainda continuo a chorar ao ver algumas imagens de destruição maciça. Tenho pavor a desastres naturais. Somos demasiado frágeis! Em espécie de homenagem a gente tão, aparentemente, civilizada, e como a desgraça não atrai nada de positivo, aqui fica um vídeo com factos curiosos.

domingo, 13 de março de 2011

que parvo que eu sou...

... para dizer a verdade, não éramos assim tão poucos. Não foi só paisagem e desordem. Nada disso.
Começámos a tarde aqui:





.. e acabámo-la aqui:


sábado, 12 de março de 2011

(à) rasca

Em 1994 e nos anos seguintes, tive vergonha de ser associado à geração rasca, aquela em que cresci. A atitude daquele tipo que mostrou o rabo (e apesar de ter sido logo o rabo...) e levou à classificação por Vicente Jorge Silva quando era diretor do Público não me orgulhou por aí além (foi ele quem cunhou a expressão «geração rasca»).
Alguns anos depois, mais me envergonha (ou entristece?) continuar como continuo: na «geração à rasca», porque sou contratado há doze anos, porque tenho de ter mais do que um trabalho (já agora: um deles é a recibos verdes, numa empresa que paga a três meses - quando paga...), porque simplesmente não tenho carreira. E fiz eu uma licenciatura de seis anos para isto? Não, não foram quatro! Nem muito menos três! Foram seis... Eu mereço! Pior: sem qualquer perspetiva de que a situação se altere.
Protesto, pois, contra a deseducação deste desgoverno, contra o andar constantemente à rasca, e por estar a pagar o despesismo daqueles em quem eu não votei. De resto, continuo de esquerda, apartidário e sem sindicato.





domingo, 6 de março de 2011

"saltei um bocadinho"

Um voluntarioso rapaz alista-se na tropa e, passado o tempo da recruta, inscreve-se nos paraquedistas.
Após as primeiras lições sobre como saltar, feitas no solo, eis que o valente soldado embarca pela primeira vez num avião juntamente com uma dezena de colegas para o primeiro salto da sua vida.
No dia seguinte, telefonou para casa dos pais e o telefonema foi mais ou menos assim:
- Então, querido filho, saltaste? - perguntava o pai.
- Espere, vou contar como foi: quando chegámos à altura escolhida, abriu-se a porta e o sargento chamou-nos para o salto. Mais ou menos assustados, com uma pequena 'ajuda' do sargento, os meus colegas lá foram saltando todos até chegar a minha vez.
- E tu saltaste?
- Espere. Já lá chegamos. Disse ao sargento que não saltava porque tinha medo. Ele disse que eu saltava nem que tivesse que me dar um pontapé!
- E tu saltaste?
- Já lá vamos... Eu agarrei-me a tudo o que pude e o sargento chamou o copiloto, um tipo com 1.90, 120 kg de peso, e eu ainda me agarrei com mais força.
- E tu saltaste? - pergunta novamente o pai já impaciente...
- Estava amarelo de medo; então, o copiloto abriu o fecho do fato, mostrou-me uma pila de 30 cm que mais parecia um extintor e disse-me que ou eu saltava ou ma enfiava aquilo pelo cu acima!
- Então tu saltaste... claro!!!
- Bom… ao princípio saltei um bocadinho...

sexta-feira, 4 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

«acredita em mim: é só um rumor.
não sei escrever o vento, nem como se nasce outra vez.

nunca soube como se tece no piano a face vazia do tempo.

por favor, não perguntes:
pois eu não sei como germina um poema,
nem quantos dias cabem no teu rosto.

E como se conjuga a cidade e o adeus?

Perguntas, mas eu não sei o que é a morte.»
Ricardo Gil Soeiro, in Espera vigilante



quarta-feira, 2 de março de 2011

corretor ortográfico

Esta entrada serve para se atualizarem:

«A Microsoft disponibilizou uma atualização para os corretores de escrita das duas últimas versões do Office (2007 e 2010), de forma a que estes funcionem segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa


«As novas ferramentas podem ser descarregada de forma gratuita no site da gigante norte-americana - aceda aqui - e resultam de um trabalho desenvolvido por linguistas nacionais do Instituto de Linguística Teórica e Computacional e do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Microsoft em Portugal.

«O suporte da versão oficial no novo Acordo Ortográfico será incluído também nas ofertas de outros produtos da empresa e ainda nas ofertas puramente online (em modelo cloud), tanto nas já existentes como nas que se prepara para disponibilizar de futuro.»



Notícia colhida no Observatório da Língua Portuguesa

terça-feira, 1 de março de 2011

para quê mais palavras?

querem iludir-nos
e nós anuímos
ámen

esta caligem que nos mata
dia-a-dia
até exangues
não nos sobrar mais que
ódio e recalcamento
ámen

que bonitos somos
tão obedientes
ámen

e se recusares
queimam-te em mui reformado auto-de-fé
ainda em praça pública
para que sirva de exemplo
ámen

venha o prémio
da suma aquiescência
ámen



paulo.xxii.iv.mmiv