segunda-feira, 20 de agosto de 2007

..:: corrente d'ar ::..

Há um mês e tal que não andava de transportes públicos. Parece que já nem sei andar nesta cidade. Será do vento? Aproveitei para encontrar a Vânia e ir à Porto Editora comprar os manuais para o meu sobrinho: sempre ficam 15% mais baratos. Claro que acharam que eu não tinha pinta de professor e lá me fizeram a pergunta. Eu devo parecer um professor muito veraneante.

***

As crianças aos berros são um fenómeno marciano incompreensível: deixam-me de cabelos em pé, nervos aos pulos e uma vontade louca de esmurrar alguém: a avó obesa, a mãe andrajosa, o pai desdentado ou a própria criança.

..:: as cores do dia ::.. Vânia


Hoje revi a Vânia. Conheço-a desde o 12º ano, em Castelo Branco porque estivemos na mesma turma de latim. Nada de especial. Estranho foi encontrarmo-nos na primeira aula de Cultura Portuguesa na FLUL. Ficámos histéricos: era a primeira pessoa conhecida que cada um de nós encontrava naquele mundo novo e muito confuso. Juntos, sempre era mais fácil perceber como funcionava a faculdade e ultrapassar dificuldades burocráticas. E fizemos as cadeiras quase todas em conjunto, até o estágio era para ter sido, não fosse a arrogância da orientadora e os alunos cães de fila. Ficámos íntimos. Rimo-nos das macacadas que fazemos e fingimos que não aconteceu nada.
A V. é poliglota (ou troglodita, como ouviu o Zé no autocarro): fala italiano, inglês, espanhol e alemão (o latim não conta que é língua morta). Vive em Frankfurt, casada com um alemão. Desistiu disto com dificuldade (ou tem vindo a desistir), apesar da burocracia, da fantochada política, do estado do ensino… Concordamos numa coisa: o clima aqui é excelente, mas não salva a pátria.
Sempre lhe admirei a coragem e a maleabilidade (e a inteligência, claro). De vez em quando, vem cá matar saudades da família, encontramo-nos e matamos também nós as nossas. Falamos das nossas coisas. Ela fala-me do cosmopolitismo alemão, dos trabalhos de lá, dos muitos descontos e das múltiplas vantagens (nomeadamente, da protecção no caso de desemprego). Fala das regras e do civismo, dos bons trabalhos, dos excelentes e dos inimagináveis, mas também dos maus. Além disso, traz-me massapão que eu adoro.
Gostava de ser alemão (ou de saber alemão, embora España já fosse suficiente). Deve ser tão bom viver num país de gente civilizada.

..:: venha mais uma ::..

Perguntas e respostas

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Tenho 20 anos e ainda não tive relações sexuais porque gostaria que a 1ª vez fosse com um namorado fixo. O que acha?



A minha 1ª vez também foi com um namorado fixo. Amarrei-o à cama.

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O que fazer para surpreender um namorado tímido na primeira noite?



Apareça com um amante.

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Tenho um amigo que quer fazer sexo comigo mas ele tem um pénis de 24 cm.
Acho que vai ser doloroso, o que fazer?



Mande para cá que eu testo por si.

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Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?



Tire a roupa.

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Terminei com o meu ex. porque ele é muito chato e agora estou com outro, mas ainda gosto do ex. e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?



Quem era mesmo chato nesta história?

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Quero saber como enlouquecer um homem só nos preliminares.



Mostre umas fotos de uns BMW.

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Como enlouqueço meu parceiro numa relação na casa de banho?



Já usou desentupidor de pia?

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Como conquistar um homem que tem namorada?



Fique logo com os dois. Gente complicada...

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Saí com um gatinho e foi óptimo. Só que agora fico com medo de lhe ligar. Será que devo?



Depende. O gatinho sabe cagar na caixa de areia?

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Eu tenho 18 anos, mas adoro brincar com bonecas e com a minha irmã de 2 anos. Também entro na net e não me farto de ver cenas de sexo. O que devo fazer?



Passe numa sex shop e compre um boneco insuflável de boas proporções.

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Sou feia, pobre e chata. O que devo fazer para alguém gostar de mim?



Ficar bonita, rica e ser simpática. Obviamente.

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O rapaz com quem namoro é muito porreiro, mas está a dar sinais de ser alcoólico. O que devo fazer?



Não o deixe conduzir.

***

Por que, na hora do sexo, quando a gente está no vai e vem, na hora que o corpo entra em atrito, faz aquele barulho de quem está a bater palmas? Por que ficamos mais excitados nessa altura?



É porque parece que tem claque, está a ver? Da próxima vez grite para a malta.

***

Eu não tenho uma cara propriamente linda, apesar de ser normal e não ser feia. O que mais atrai os rapazes é o meu corpo. O que fazer para conseguir comer alguns gatos tendo em conta que tenho 13 anos?



Nesta idade você tem que comer Nestum, entende?

***

Tenho 28 anos e sou virgem, não aguento mais esta situação. Como mudá-la o mais rápido possível?



Está em Lisboa? Vá ao Intendente, de madrugada.

***

Sou virgem e aconteceu-me, pela primeira vez, fazer sexo oral. Acabei por engolir aquilo e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!



Claro que corre o risco de ficar grávida. E a criança vai sair pelas orelhas

***

A primeira vez dói? Qual a melhor posição para a mulher na primeira relação? Tenho 21 anos e ainda não tive sexo porque tenho medo de doer e não aguentar.



Dói tanto que você vai ficar em coma e NUNCA mais se vai levantar. Veja se deixa de ser fresca, ó Cinderela!

..:: evolução natural das espécies ::..

«Cientista italiano diz que humanidade será bissexual»

domingo, 19 de agosto de 2007

..:: trabalho à vista ::..

O Zézito recomeça o trabalho amanhã. Vou dar-lhe uma sugestão, pode ser que pegue:


Declaração de Baixa

Exmo. Sr. Chefe

Esta semana aconteceu-me algo que não esperava. Num espantoso acidente acabei por quebrar um osso. Por esse motivo não me verá nos próximos 30 dias pois a recuperação é lenta e exige repouso. Impossível aparecer e executar o meu trabalho.
Junto envio a radiografia que comprova a ruptura.

Com os melhores cumprimentos e desejando que isso nunca lhe aconteça,

O trabalhador


..:: domingo à tarde ::..

Vi no Renas e achei soberbo:

Oded Gross, It's All Because (The Gays Are Getting Married)

..:: artista da semana ::.. OLEG KULIK

Oleg Kulik, Kiev (1961)

© Oleg Kulik, from the series The Russian, 1999

© Oleg Kulik, from Fragments series, 2004

© Oleg Kulik, Lolita 1, 2, 3 and 4, 2000
© Oleg Kulik, from the series Nouveau Paradis, Museum of Nature, 2001

© Oleg Kulik, Sportswoman, 2002

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

..:: the world clock ::..

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..:: venha mais uma ::..

Quatro amigos encontraram-se numa festa, após trinta anos sem se verem. Uns copos daqui, conversa de lá e de cá até que um deles resolve ir à casa de banho. Os que ficaram, começam a falar sobre os filhos.
O primeiro diz:
- O meu filho é o meu orgulho! Começou a trabalhar como paquete numa empresa, estudou, formou-se em Administração, foi promovido a gerente da empresa, e hoje é o Presidente. Ficou tão rico, tão rico, que no aniversário de um amigo lhe ofereceu um Mercedes novinho.
O outro disse:
- Que maravilha! Mas o meu filho também é motivo de orgulho. Ele começou a trabalhar a entregar passagens. Estudou e tornou-se piloto. Foi trabalhar numa grande companhia aérea. Resolveu entrar de sociedade da empresa e hoje ele é o dono! Ele ficou tão rico que no aniversário de um amigo lhe deu um 737 de presente!
Falou o terceiro:
- Estão ambos de parabéns! Mas o meu filho também ficou muito rico. Ele estudou, formou-se em engenharia, abriu uma construtora e deu-se tão bem que ficou milionário. Ele também deu um presente para um amigo que fez anos há pouco tempo. Ele construiu-lhe uma casa de 500m2!
O quarto amigo que entretanto chega da casa de banho, perguntou:
- Qual é o assunto?
- Estamos a falar do orgulho que temos dos nossos filhos. E o seu? O que é que ele faz?
- O meu filho é gay, ganha a vida a fazer programas.
E os amigos disseram:
- Fogo, que decepção...
E ele respondeu:
- Qual quê... ele é o meu orgulho, é um grande sortudo! Sabem que no último aniversário, ele recebeu uma casa com 500m2, um avião 737 e um Mercedes, tudo presentes de três bichonas que ele anda a comer!

..:: here we are, back to the desert of real ::..

Voltámos. Vimos cansados, cheios de cultura e natureza. Eu venho cheio de românico. O Zé de desfiladeiros, rios com nomes estranhos e vacas e cavalos a pastar, alheios a quem passa. Cantabria nos mata. Merece ser visitada, revisitada, com tempo e paciência para andar para trás e para a frente, por caminhos ínvios, paisagens de cortar a respiração, aldeias que parecem perdidas no tempo. Um mundo à parte. Os Picos da Europa são deslumbrantes. Achamos que as pessoas que por lá vivem nem devem saber a sorte que têm em acordar de manhã e ver tanta natureza. Mas no Inverno deve ser um tédio de neve e frio…
Para quem gosta de românico (eu descobri imenso e cada vez mais me apaixono por este estilo), a província de Palencia e a Cantábria são um manancial interminável, nem sempre divulgados como deve ser. As igrejas rupestres, por exemplo, no município de Valderredible não são fáceis de descobrir. Ah, e estávamos tão perto que ainda demos um salto ao fantástico Guggenheim de Bilbao.
As Astúrias foram de passagem, mas uma decepção enorme. Talvez porque apanhámos bom tempo na Cantábria e assim que entrámos no Principado começou a chover, parecia um Inverno interminável. Além disso, apanhámos quase tudo fechado (ah, esse foi o nosso trauma: apanhar sítios fechados: abrem lá pelas 10h, fecham lá para a 1 ou 2 horas e só reabrem entre as 3, 30 e as 4h e fecham entre as 7 e as 8 horas). Nem sabemos como os próprios espanhóis têm paciência para um encerramento tão longo. Portanto, foi bater com o nariz na porta um montão de vezes. Vimos por fora e pronto. Ficou o registo fotográfico. Ainda havemos de voltar às Astúrias, mas como rimou o Zé: em Oviedo, não nos verão lá tão cedo! Além disso, a cidade é horrorosa e com um sinalização do pior.
Depois de 10 dias de viagens e 2800 e tal quilómetros, cá estamos. Já seleccionei e legendei 1448 fotografias, embora falte fazer uma selecção para apresentar aqui.

Locais que visitámos e gostámos (altamente recomendáveis, portanto):
# Românico em Palencia (destaque para Frómista e Aguilar del Campoo)
# Românico em Valderredible
# Alto Campoo
# Fontibre, onde nasce o Ebro, um dos maiores rios da Península e de onde vem o nome dos Iberos.
# Embalse del Ebro
# Estelas de Barros
# Colegiata de San Pedro de Cervatos, com as figuras erótico-obscenas (sim, sim, com sexo e tudo. Mui didáctico. Que raro!)
# Colegiata de San Martín de Elines, o pároco que nos fez a visita era muito engraçado e até chamou a atenção para os pormenores obscenos; vendeu-me um livro e autografou-o, o pior foi perceber o meu nome (que difícil...)
# Iuliobriga em Retortillo (Eça fala de um Retortilho no conto «O Tesouro». Será o mesmo?)
# Colegiata de Santa Cruz de Castañeda
# Santillana del Mar, onde se situa a gruta de Altamira, fechada para o público, mas com o museu ao lado com réplicas (tínhamos bilhetes pré-comprados, mas demorámos mais do que pensávamos e quando chegámos desistimos: a fila era interminável)
# as Coevas el Soplao (= Sopro) merecem uma visita por causa das formações excêntricas deslumbrantes e raras (também convém marcar previamente)
# o teleférico de Fuente Dé foi a minha vitória pessoal que tenho vertigens e o desnível de 750 metros ainda me tirou o sono. Valeu mesmo a pena!
# Monasterio de Santo Toribio de Liébana, lugar santo, apresenta o maior pedaço da cruz onde Cristo terá sido crucificado. Havia visita guiada, mas de teor religioso. Desistimos!
# Santa María de Lebeña, aqui apanhámos a guia mais simpática e bem informada de todos os sítios que visitámos
# Catedral de León, aqui vimos pela primeira vez uma informação em português: a pedir donativo para a manutenção da catedral...
# Catedral de Ciudad Rodrigo, o Portal do Perdão merece uma atenção especial

..:: meia-noite nos jardins do bem e do mal ::..

O silêncio é total. Há estrelas e luzes a piscar na serra em frente (da central eólica). Já todos apagaram as luzes, excepto o ti Manel que deve ter adormecido na cozinha. A noite tem uma frescura quase húmida. Talvez por causa da proximidade do rio. Um cão ladra. Apago o cigarro. Amanhã, Lisboa.

domingo, 5 de agosto de 2007

..:: encerramos para férias ::..

Nestes dias, houve arrumações, coisas que foram para o lixo, estantes novas, livros ordenados e arrumados. Tirámos pó, descobrimos objectos perdidos e outros inúteis. No meio disso tudo, apareceu-me um recado que a Kika me deixou numa ardósia que me deu há uns anos atrás: »Quanto maior é o grau de conhecimento, menor é o grau de felicidade! Aguenta-te!« E mais nada! Agora, aproveitando que metade do país adormeceu ou foi para a praia, vamos para fora. Sem computador, sem net, sem televisão nem jornais, sem outro contacto que não seja o telemóvel, sem areia nem praia, à deriva, com máquina fotográfica em riste, com calções, chinelos, t-shirts apertadas e muita vontade. Deixamo-vos imensas coisas para ver/ ler/ ouvir. Voltamos brevemente. Beijos aqui e ali e abraços apertados.

A Victoria a pensar nas férias dela.

..:: anda cá, ouve este ::.. IVRI LIDER

The Man I Love


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Bo (Let's)


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Bo (English Version) עברי לידר


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Ivri Lider, Jesse

..:: delírio puro ::..



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Alvaro Prado, Maldito Corazon

Maldito Corazon - Alvaro PradoColocado por jief75



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Tomboy, Ok 2B gay

OK 2B GAY - TOMBOY
Colocado por jief75


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American Idol, Angry Reaction

..:: artista da semana ::.. JOÃO VILHENA

Sei que nasceu em 1978, em Lisboa. Conheci-o através da Egoísta e da Umbigo. As fotos são soberbas.

© João Vilhena

Mais informações sobre João Vilhena aqui e aqui.

..:: quando formos grandes queremos ser assim ::.. Boris Vian

[10 de Março, 1920 – 23 de Junho, 1959]

..:: venha mais uma ::..

A Monga mandou-me esta anedota:

Os pais do Zézinho convidaram um casal amigo para um jantar lá em casa.
Sabendo como era o seu filho, o pai do Zézinho chama-o e pede-lhe encarecidamente para ele não fazer comentários acerca das orelhas do filho do casal amigo, que pura e simplesmente não tinha as ditas.
Na hora marcada, o casal amigo chegou e, nisto, o Zézinho corre logo para a porta para verificar se efectivamente o rapaz tinha ou não orelhas, e realmente constatou que era mesmo verdade: o rapaz não tinha orelhas. Durante o jantar o Zézinho não tirava os olhos do rapaz, até que não conseguiu resistir e perguntou-lhe:
- Tu vês bem?
- Vejo - respondeu inocentemente o rapazinho.
- Deus te conserve a vistinha, porque se um dia tens de usar óculos estás f*****!!!

..:: palavras que nos salvam ::.. Vinicius de Moraes

Elegia lírica


(...)
A minha namorada é tão bonita, tem olhos como besourinhos do céu
Tem olhos como estrelinhas que estão sempre balbuciando aos passarinhos...
É tão bonita! tem um cabelo fino, um corpo menino e um andar pequenino
E é a minha namorada... vai e vem como uma patativa, de repente morre de amor
Tem fala de S e dá a impressão que está entrando por uma nuvem adentro...
Meu Deus, eu queria brincar com ela, fazer comidinha, jogar nai-ou-nentes
Rir e num átimo dar um beijo nela e sair correndo
E ficar de longe espiando-lhe a zanga, meio vexado, meio sem saber o que faça...
A minha namorada é muito culta, sabe aritmética, geografia, história, contraponto
E se eu lhe perguntar qual a cor mais bonita ela não dirá que é a roxa porém brique.
Ela faz coleção de cactos, acorda cedo vai para o trabalho
E nunca se esquece que é a menininha do poeta.
Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer ir à Europa? ela diz: Quero se mamãe for!
Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer casar comigo? Ela diz... — não, ela não acredita.
É doce! gosta muito de mim e sabe dizer sem lágrimas:
Vou sentir tantas saudades quando você for...
É uma nossa senhorazinha, é uma cigana, é uma coisa
Que me faz chorar na rua, dançar no quarto, ter vontade de me matar e de ser presidente da república.
É boba, ela! tudo faz, tudo sabe, é linda, ó anjo de Domremy!
Dêem-lhe uma espada, constrói um reino ; dêem-lhe uma agulha, faz um crochê
Dêem-lhe um teclado, faz uma aurora, dêem-lhe razão, faz uma briga...!
E do pobre ser que Deus lhe deu, eu, filho pródigo, poeta cheio de erros
Ela fez um eterno perdido...


Vinicius de Moraes

[ler mais aqui]

..:: perdidos&achados ::..

004# hoje, eu sou um raio prestes a desistir de sê-lo

..:: a mulher dos nossos sonhos ::.. Monica Bellucci

[30 de Setembro, 1964]

..:: o homem dos nossos sonhos ::.. Gael García Bernal

..:: pormenores ::..

Se não tiverem mais nada que fazer, podem tentar descobrir o que estava escrito antes do desenho. Nem eu sei.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

..:: topónimos ::..

Recebi por email esta fotografia:
O que muita gente não sabe é que antes da Picha (e depende do sentido), há a Venda da Gaita.


Às vezes, passamos por lá. Confiram no mapa (fica perto de Pedrógão Grande, interior do distrito de Leiria):

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

..:: retrovisor ::.. GAUDENZIO FERRARI

Vale a pena clicar para ver os detalhes do fresco de Gaudenzio Ferrari na Igreja de Santa Maria delle Grazie, em Varallo Sesia, Itália (1513). Mais reproduções do artista aqui.

..:: palavras que nos inquietam ::.. Marina Colasanti

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as
cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a
amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na
hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.

E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje
não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que
pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata
dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a
temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

..:: ciao playlist ::.. Victoria I

A nossa gata chama-se Victoria... Ainda temos de ver se conseguimos descobrir uma playlist que possibilite ouvir mais do que 30 segundos em todas as músicas. Esta que colocámos vem do Imeem. Tem a vantagem de ser muito fácil de manejar, mas a não autorização dos artistas leva a que só se consiga um cheirinho de algumas das músicas. Paciência. Se alguém souber de alguma que funcione melhor... aceitamos ajuda. Esta é a primeira e seguirá ao ritmo de uma por mês.


»» playlist

+ Cocteau Twins, Bluebeard. Four - Calendar Café [1993]
+ Sandra, Forever. Wheel of Time [2002]
+ The Hidden Cameras, The Man That I Am With My Man. The Smell Of Our Own [2003]
+ Versão desconhecida, Forever Young
+ Aselin Debison, Somewhere Over The Rainbow/ What A Wonderful World. Sweet Is the Melody [2002]
+ Gustavo Santaolalla, Opening. Brokeback Mountain [2005]
+ Josh Groban, February Song. Awake
[2006]
+
Dulce Pontes & Ennio Morricone, O Amor a Portugal. Focus [2003]
+
Wim Mertens, Struggle for Pleasure. Partes extra Partes [2006]
+ 3T, Stuck on You.
Sex Appeal [2005]
+ Baz Luhrmann, Everybody's Free (To Wear Sunscreen). Something for Everybody [2004]
+ Patti Smith, Because the Nigth. Land 1975-2002 [2004]
+ Rodrigo Leão, Cinema. Cinema [2006]
+ Rihanna, Umbrella. Good Girl Gone Bad [2007]
+ Nelly Furtado, All Good Things (Come to an End). Loose [2006]
+ Enigma, Principles of Lust. MCMXC A.D.
[1990]
+
Ana Carolina & Seu Jorge, É Isso Aí (The Blower's Daughter). Ana & Jorge Ao Vivo [2007]
+ Tiësto, Driving to Heaven. Elements of Life [2007]
+ The Hidden Cameras, Boys of Melody. The Smell Of Our Own [2003]
+ Aimee Mann, Wise Up. Magnolia [2000]

..:: quando formos grandes queremos ser assim ::.. James Dean

[8 de Fevereiro, 1931 — 30 de Setembro, 1955]