domingo, 4 de novembro de 2007
..:: artistas da semana ::.. PIERRE ET GILLES
Pierre et Gilles
Pierre Commoy [La Roche-sur-Yon, 1950]
Gilles Blanchard [Havre, 1953]

© François Rousseau, Pierre & Gilles, Paris, 2000
Pierre Commoy [La Roche-sur-Yon, 1950]
Gilles Blanchard [Havre, 1953]

© François Rousseau, Pierre & Gilles, Paris, 2000
Conhecem-se desde 1976 e começam a trabalhar em conjunto no ano seguinte. Acaba de sair uma nova monografia publicada pela Taschen: Double Je, 1976-2007.
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© Pierre et Gilles, St. Gilles, 1989 + St. Pierre, 1989 + Le Totem, 1993
© Pierre et Gilles, Rossy de Palma, 1991 + Fleurs de Shanghai (Mireille Mathieu), 2005


© Pierre et Gilles, La tentation d'Adam (Johan), 1986 + La Fanny
© Pierre et Gilles, Le garçon attaché (Charly), 1993 + Les jolis voyous (Enzo), 1996


© Pierre et Gilles, Midnight Cow-boy (Aiden Shaw), 1995 + Jeff Striker, 1991


© Pierre et Gilles, Lola, 1992 + Le Garçon Papillon (Kevin), 1993


© Pierre et Gilles, Saint Sébastien, 1987 + Neptume (Karim), 1988

© Pierre et Gilles, Lola, 1992 + Le Garçon Papillon (Kevin), 1993




© Pierre et Gilles, Le Petit Communiste (Christophe), 1990 + L'esclave (Laurent) 2002


© Pierre et Gilles, Gai Paris (Jean-Paul et Andréas), 1988 + Les amoureux (Johan et Léo), 1998
© Pierre et Gilles, 2 be 3, 1998 + Le Petit Jardinier (Didier), 1993


© Pierre et Gilles, L'escale - L'ange bleu (Sacha), 2003 + Glory hole (Charly), 1994
..:: a minha maior ficção... ::..
… sou eu. Tento não respirar para não te acordar, mas o chão denuncia-me. Não te quero acordar. Avanço no escuro para esquecer porque tenho os olhos rasos de. Não consigo adormecer assim, mal vejo o que escrevo e lembro-me como a noite era a minha cama. Não sei se desenho bem as letras, mas espero depois conseguir decifrar o que agora registo. Recordei-me que ler é uma actividade incrível, tão perigosa como escrever: o que é uma vantagem pode ser a perdição: entrar nas histórias que desconhecidos escrevem sobre nós, para nós, connosco lá metidos, nus em sentimentos e intimidades. Histórias que me comovem, porque me tocam no sabugo, no âmago da minha noite. É talvez por isso que não invento histórias, porque a maior ficção que conheço sou eu próprio, inventando-me, reescrevendo hora a hora, segundo a segundo e mal.
Finalmente, os meus olhos adaptam-se à escuridão. Bom, talvez não! Não tenho medo do escuro (excepto, quando acordo de um pesadelo na escuridão total, aí perco-me e posso entrar em pânico), nem dos mortos que hoje me visitam, mas dos vivos.
E é assim que, neste encontro com o universo dos outros, me afogo e diluo, como sempre imaginei partir: sem ondas, sem ninguém notar e tudo ficará “como estava. // Nem homens cortaram veias, /Nem o Sol escureceu, / Nem houve Estrelas a mais... […] / Não houve nada de novo / […] As nuvens não se espantaram, / Não enlouqueceu ninguém...” (Sebastião da Gama » Serra-Mãe: Poemas» Lisboa: Ática » 1996).
Súmula: Os Cadernos Secretos de Sébastian; A Outra Margem; dia de Finados; Olhos de Cão.
Com as aulas de dificuldade 0 e cansaço físico total (na vã tentativa de educar mais do que transmitir conhecimentos), regresso lentamente ao prazer de ler por ler, a meu bel-prazer, sem resistências ou contra-relógios, ao ritmo de um por dia seria o ideal, mas também não aguento. Vêm-me à cabeça algumas tarefas em atraso. Sorrio, sinto o frio que vem lá de fora. O último cigarro e depois mergulharei junto de ti. Amanhã é outro dia e nada de novo debaixo do sol. A linha de comboio continua a seduzir-me. Com efeito, Luís Filipe Rocha tem toda a razão ao pôr na boca de Luís/Carla, que o Miguel Innersmile cita e a Lili corrobora: "Somos todas muito trágicas, e até um pouco mórbidas". E nada mais havendo a dizer.

E é assim que, neste encontro com o universo dos outros, me afogo e diluo, como sempre imaginei partir: sem ondas, sem ninguém notar e tudo ficará “como estava. // Nem homens cortaram veias, /Nem o Sol escureceu, / Nem houve Estrelas a mais... […] / Não houve nada de novo / […] As nuvens não se espantaram, / Não enlouqueceu ninguém...” (Sebastião da Gama » Serra-Mãe: Poemas» Lisboa: Ática » 1996).
Súmula: Os Cadernos Secretos de Sébastian; A Outra Margem; dia de Finados; Olhos de Cão.
Com as aulas de dificuldade 0 e cansaço físico total (na vã tentativa de educar mais do que transmitir conhecimentos), regresso lentamente ao prazer de ler por ler, a meu bel-prazer, sem resistências ou contra-relógios, ao ritmo de um por dia seria o ideal, mas também não aguento. Vêm-me à cabeça algumas tarefas em atraso. Sorrio, sinto o frio que vem lá de fora. O último cigarro e depois mergulharei junto de ti. Amanhã é outro dia e nada de novo debaixo do sol. A linha de comboio continua a seduzir-me. Com efeito, Luís Filipe Rocha tem toda a razão ao pôr na boca de Luís/Carla, que o Miguel Innersmile cita e a Lili corrobora: "Somos todas muito trágicas, e até um pouco mórbidas". E nada mais havendo a dizer.

2 de Novembro
..:: palavras que nos salvam ::.. Sebastião da Gama
O Menino Grande
Também eu, também eu.
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...
Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho;
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.
Vida!,
não me venhas roubar o meu tesoiro:
não te importes que eu ria,
que eu salte como dantes.
E se eu riscar os muros
ou quebrar algum vidro
ralha, ralha comigo, mas de manso...
(Eu tinha um bibe azul...
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios...
A minha Mãe ralhava assim como quem beija...
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede...)
Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe...
Sebastião da Gama »» Itinerário Paralelo
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
..:: a civilização japonesa ::..
Vi na Sic, li na TV Globo, mas vejam também Save Japan Dolphins (end the annual drive fishery slaughter). Fico chocado com esta "civilização"!
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
~~ A Outra Margem ::..
Este post é escrito a duas mãos. Foi um turbilhão. Ficámos colados à cadeira até acenderem a luz, com os nossos corações comprimidinhos. Confesso (Paulo) que chorei desde a actuação dos c o r v o s (quase no início) e que estão em grande destaque no filme. Confesso (Zé) que chorei mais do que devia e esperava (sim, o Paulo é propenso ao choro). Não temos muito a acrescentar às palavras de Eduardo Pitta que sintetizou bem o espírito do filme. Só mais um epíteto: comovente. O Vasco é incrível, i.e., tanto o actor como a personagem, que dá uma lição de humanidade às bestas humanas.
Sobre o filme e mais reacções:
Mente Assumida »» Assumidamente
Special K »» O Melhor dos Dois Mundos
Luís Galego »» Infinito Pessoal
Boss »» Renas e Veados
Will »» Looking for Grace
..:: os c o r v o s que pairam ::..
Por causa de A Outra Margem, lá fui repescar c o r v o s, com o coração comprimido. Comprimidíssimo.
..:: as cores + palavras que nos salvam ::.. Álvaro de Campos
Vale a pena passar por Consiliense e ver as fotos da tristeza tiradas por Evelyn. Por outro lado, e para animar, a selecção de nus feita pela Denise no Rabiscos e Garatujas.
*****
Hoje estou triste como um barco negro ao sol.
Minha alegria foi-se embora com as malas.
Meu coração anda por casa do silêncio
Abrindo as portas e espreitando para os quartos.
E tudo isto, que não tem nenhum sentido,
É o sentido essencial da minha vida...
Lembro-me bem do seu olhar.
Ela atravessa ainda a minha alma
Como um risco de fogo na noite.
Lembro-me bem do seu olhar. O resto...
Sim o resto parece-me apenas com a vida.
Ontem, passei nas ruas como qualquer pessoa.
Olhei para as montras despreocupadamente
E não encontrei amigos com quem falar.
De repente vi que estava triste, mortalmente triste,
Tão triste que me pareceu que me seria impossível
Viver amanhã, não porque morresse ou me matasse,
Mas porque seria impossível viver amanhã e mais nada.
Fumo, sonho, recostado na poltrona.
Dói-me viver como uma posição incómoda.
Deve haver ilhas lá para o sul das cousas .
Onde sofrer seja uma cousa mais suave,
Onde viver custe menos ao pensamento,
E onde a gente possa fechar os olhos e adormecer ao sol
E acordar sem ter que pensar em responsabilidades sociais
Nem no dia do mês ou da semana que é hoje.
Abrigo no meu peito, como a um inimigo que temo ofender,
Um coração exageradamente espontâneo
Que sente tudo o que eu sonho como se fosse real
Que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta,
Canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.
Dai-me rosas e lírios,
Dai-me flores, muitas flores,
Quaisquer flores, logo que sejam muitas …
Não, nem sequer muitas flores, falai-me apenas
Em me dardes muitas flores.
Nem isso… Escutai-me apenas pacientemente quando vos peço
Que me deis flores…
Sejam essas as flores que me deis…
Ah, a minha tristeza dos barcos que passam no rio
Sob o céu cheio de sol!
A minha agonia da realidade lúcida!
Desejo de chorar absolutamente como uma criança
Com a cabeça encostada aos braços cruzados em cima da mesa,
E a vida sentida como uma brisa que me roçasse o pescoço,
Estando eu a chorar naquela posição.
O homem que apara o lápis à janela do escritório
Chama pela minha atenção com as mãos do seu gesto banal.
Haver lápis, e aparar lápis, e gente que a; apara à janela é tão estranho!
É tão fantástico que estas cousas sejam reais!
Olho para ele até esquecer o sol e o céu.
E a realidade do mundo faz-me dores de cabeça.
A flor caída no chão.
A flor murcha (rasa branca amarelecendo)
caída no chão…
Qual é o sentido da vida
(que sentido tem a vida?)
Álvaro de Campos »» Poemas de Álvaro de Campos »» edição de Cleonice Berardinelli, Série Menor »» INCM »» 1992 »» pp. 267-269
..:: pensamento do dia ::..
Frase apanhada ontem na paragem do bus: Se o esperma fosse luz, o cu dos portugueses era uma discoteca.
~~ diz que é uma espécie de estatuto do aluno ~~
Afinal, o que era já não é, a julgar pela notícia do Público.
Acho que estes "romanos" andam todos doidos e precisam de férias, já que a taxa de abzentismo dos seus neurónios é cada vez mais elevada. O melhor é mesmo pensar na solução que preconizo há muito: abrir nos hipermercados e lojas de bairro secções de Cursos, como há a secção dos detergentes, etc. Já estou a ver o filme: ao fim-de-semana (de preferência chuvoso) vai a família inteira escolher o curso que a sua criança ostentará orgulhosamente. Um dos aspectos mais positivos desta metodologia é a poupança de dinheiro. Todos os Professores e demais envolvidos no processo educativo deixariam de ser necessários. Srª Ministra, faça as contas e fale com o seu chefe. Verá que ainda é promovida!
PS. Já agora, por favor, diga que vai da minha parte para ver se me calha qualquer coisa...
..:: ciao playlist ::.. Victoria IIII

A escolha continua a ser de 1 música por dia, mais ou menos ao sabor do momento e a lista abaixo irá, portando, sendo actualizada.
+ c o r v o s, várias de Post Scriptum [2007]
+ Shirley Bassey, Where do I begin+ Uxía, Verdes são os campos. Estou Vivindo No Ceo [1996]
+ Rufus Wainwright, Vicious World. Want One. [2003]
+ Rufus Wainwright, Release the Stars. Release the Stars. [2007]
+ Sainkho, Tanola Noamds. Out of Tuva [1993]
+ Oliver Serano Alve, The Secret Score: Chenresie, Flame of Peace and Compassion. Wisdom & Compassion [1998]
+ Uxía, Vou-me eu, fermosa. Estou Vivindo No Ceo [1996]
+ Aselin Debison, Somewhere Over The Rainbow/ What A Wonderful World. Sweet Is the Melody [2002] »» ouvir
+ Faithless, Don't leave. Reverence [1997] »» ouvir
+ Madredeus, O Sonho. Electrónico [2002]
+ Eleftheria Arvanitaki & Filippos Pliatsikas, EHO XEHASI T'ONOMA MOU. ENA VROHERO TAXI [2002] »» ouvir
+ Jorge Palma, Encosta-te a Mim. »» ouvir
+ Saint Etienne, Action. Finisterre [2002]
+ Shirley Bassey, Where Do I Begin. The Remix Album... Diamonds Are Forever [2000] »» ouvir
+ Trilok Gurtu, Remembrance. Remembrance [2002] »» ouvir
+ Lisa Gerrard, Immortal Memory. Immortal Memory [2004] »» ouvir
+ Wim Mertens, Struggle for Pleasure. Partes extra Partes [2006] »» ver e ouvir
+ Rodrigo Leão, Gabriel Gomes (poema de e declamado por Herberto Helder), No Sorriso Louco das Mães. Os Poetas: Entre nós e as Palavras [1997]
+ Alphaville, Forever Young. Forever Young [1984] »» ouvir
+ Rita Lee, Longe daqui. Santa Rita de Sampa [1998]
+ Rodrigo Leão, Queria de ti um país (poema de e declamado por Mário Cesariny). Os Poetas: Entre nós e as Palavras [1997]
+ Røyksopp, What else is there? The Understanding [2005] »» ouvir
+ Quinta do Bill, Se te amo. No trilho do sol »» ouvir
+ Shirley Bassey, Where do I begin+ Uxía, Verdes são os campos. Estou Vivindo No Ceo [1996]
+ Rufus Wainwright, Vicious World. Want One. [2003]
+ Rufus Wainwright, Release the Stars. Release the Stars. [2007]
+ Sainkho, Tanola Noamds. Out of Tuva [1993]
+ Oliver Serano Alve, The Secret Score: Chenresie, Flame of Peace and Compassion. Wisdom & Compassion [1998]
+ Uxía, Vou-me eu, fermosa. Estou Vivindo No Ceo [1996]
+ Aselin Debison, Somewhere Over The Rainbow/ What A Wonderful World. Sweet Is the Melody [2002] »» ouvir
+ Faithless, Don't leave. Reverence [1997] »» ouvir
+ Madredeus, O Sonho. Electrónico [2002]
+ Eleftheria Arvanitaki & Filippos Pliatsikas, EHO XEHASI T'ONOMA MOU. ENA VROHERO TAXI [2002] »» ouvir
+ Jorge Palma, Encosta-te a Mim. »» ouvir
+ Saint Etienne, Action. Finisterre [2002]
+ Shirley Bassey, Where Do I Begin. The Remix Album... Diamonds Are Forever [2000] »» ouvir
+ Trilok Gurtu, Remembrance. Remembrance [2002] »» ouvir
+ Lisa Gerrard, Immortal Memory. Immortal Memory [2004] »» ouvir
+ Wim Mertens, Struggle for Pleasure. Partes extra Partes [2006] »» ver e ouvir
+ Rodrigo Leão, Gabriel Gomes (poema de e declamado por Herberto Helder), No Sorriso Louco das Mães. Os Poetas: Entre nós e as Palavras [1997]
+ Alphaville, Forever Young. Forever Young [1984] »» ouvir
+ Rita Lee, Longe daqui. Santa Rita de Sampa [1998]
+ Rodrigo Leão, Queria de ti um país (poema de e declamado por Mário Cesariny). Os Poetas: Entre nós e as Palavras [1997]
+ Røyksopp, What else is there? The Understanding [2005] »» ouvir
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