domingo, 13 de julho de 2008

..:: artista da semana ::.. AGNOLO BRONZINO

Agnolo Bronzino (conhecido também por muitos outros nomes)
[Florença, 17 de Novembro, 1503 - Florença, 23 de Novembro, 1572]


Sendo que me centro sobretudo na fotografia, decidi mudar um pouco e dedicar-me à pintura. Como gosto sobretudo da “bella maniera” italiana que deu, como sabem, origem ao termo maneirismo, lembrei-me da Alegoria da Luxúria de Agnolo Bronzino.
O maneirismo é um movimento artístico que surgiu dentro do classicismo renascentista, opondo-se à sua proporcionalidade, equilíbrio e harmonia, evoluindo posteriormente para o barroco. É relativamente fácil identificar uma obra maneirista pois estas são muito estilizadas: as cores fortes e normalmente um pouco artificiais, as posições complicadas ou impossíveis dos corpos e das roupagens, muitas vezes fazendo um ondeado artificial e nada "realista"; são frequentes os corpos serpenteados, alongados, inspirados em Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e Rafael (também se diz que maneirismo vem do facto de se dizer pejorativamente que os artistas maneiristas pintavam “a la maniera de…”). Fazem parte do maneirismo obras como as de El Grego, Tiziano, Correggio, Tintoretto, Giorgione, entre muitos outros.
Este movimento não se limita à pintura, pois abrange também a arquitectura e a literatura, por exemplo. Na literatura, Camões é o nosso grande maneirista (cf. Aguiar e Silva, Camões: Labirintos e Fascínios), tratando temas como uma consciência muito forte da efemeridade do tempo, o desconcerto do mundo, o amor sofrido e contraditório, etc. De facto, o maneirismo agrada-me porque não advoga mais o equilíbrio anteriormente perorado, mas antes reflecte a instabilidade da vida, do mundo e dos sentimentos.
Reparem bem nos rostos, nas suas posições (não é postura!, minha gente, postura têm as galinhas, valeu?), nas mãos amaneiradas (estão a ver de onde vem o epíteto, não?), nos corpos alongados e em forma de S (de Vénus, de Cristo e de São João, por exemplo), nos anjinhos a torcerem-se todos, no azul contrastante, nos panejamentos ondulantes, na barriga proeminente de Andrea Doria e os factores de instabilidade tematizados: o tempo, o pecado, a dor, a morte...
Desfrutem (e podem ver aqui mais pinturas maneiristas).



© Bronzino, Alegoria da Luxúria ou Vénus, Cupido, Loucura e Tempo (1540-1545)


© Bronzino, Alegoria da Alegria, 1564 | Estudo de perna esquerda com panejamento (c. 1545–50)


© Bronzino, Nu masculino visto detrás (1540–46) | Nu masculino sentado (Estudo para o Martírio de São Lourenço, 1565–69)


© Bronzino, Deposição de Cristo (1545) | Deposição (1565)


© Bronzino, Pietà (c. 1530)


© Bronzino, Noli me tangere (1561)


© Bronzino, São Sebastião (1525-28) | São João Baptista (1550-55)


© Bronzino, Retrato de Cosimo I de Medici como Orfeu (c. 1538-40) | São Mateus (c. 1525)


© Bronzino, Retrato de Andrea Doria como Neptuno (1550-55) | Retrato de Ludovico Capponi (1551)


© Bronzino, Retrato de Ugolino Martelli (c. 1537) | Retrato de um jovem (c. 1540)


© Bronzino, Retrato de Maria de' Medici (1551) | Eleonora de Toledo com o seu filho Giovanni de Medici (1544-45)


© Bronzino, Retrato de Cosimo I armado (1545) | Retrato de Laura Battiferri (1555-60)

sábado, 12 de julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

..:: de marquês a porn star : MARTIN MAZZA ::..



Martin Mazza
[15 de Outubro, 1975]



Já se devem ter cruzado com este moço, nascido marquês, tornou-se num dos mais conhecidos (ou o mais conhecido) actores porno gay espanhol, estudou na opus dei (cruzes, credo, canhoto) onde descobriu como realmente gostava de rapazes (confiram a entrevista muito engraçada, o 2º vídeo). Como escreveu no seu site, não teve problemas em assumir-se, teve problemas foi com a tradição familiar de linhagem nobre e, consciente portanto do que era e valia, fez-se à estrada e delineou o seu próprio caminho. Admiro-o pela coragem (fisicamente, não me diz muito que gosto de corpos bem delineados mas não de hipérboles musculadas com pernas), porque além de parecer um tipo simpático, é consciente. Regista ele no seu site: “Nevertheless, I still have many battles to win.”














quinta-feira, 10 de julho de 2008

..:: despedidas : alunos e alunos ::..

Este ano só tive turmas de CEF. As aulas foram terminando em datas diferentes. Como é meu hábito, entro a matar e só depois vou soltando a corda. Só muito tempo depois é que percebem que eu até sou capaz de sorrir com eles (e deles também). Parece que descobrem a pólvora. Às vezes, acabo o ano a chorar. Este ano, não foi excepção. Quando os alunos se agarram a mim, nem sei o que fazer. Também chorei e tive de reagir, sob pena de não ter lenços suficientes para todas as lágrimas e para os que ameaçaram começar a chorar também. Não sei porque acontece. Talvez porque o pessoal não gosta de despedidas e sabem que para o ano não me terão lá. Eu odeio despedidas, sobretudo quando a relação é boa. Não me posso queixar, apesar das faltas disciplinares. Perguntam-me se vou ter saudades. Porque não continuo na escola. Confesso que tenho sempre saudades, mais não seja da estabilidade.
Já acabei as aulas. Nesta derradeira turma, as saudades são recíprocas (ironia), nem me despedi sequer. E costumo despedir-me sempre com postais, poemas ou emails. Os postais costumam levar poemas ou citações de que gosto; o poema costuma ser “Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya” de Jorge de Sena e o email costuma seguir com um vídeo. As entradas abaixo incluem esse poema e esse vídeo. Em Setembro, haverá mais, espero eu, mas nada é garantido.



Agora, um ano depois de ter começado e apesar de ainda me sentir cansado, deu-se o regresso à minha normalidade virtual.

..:: usem protector solar ::..

o vídeo
sobejamente conhecido, mas segue na mesma. A tradução pode ser acompanhada aqui. Eu acho-o soberbo.



..:: palavras que nos salvam ::.. Jorge de Sena

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya



Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamando Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.


Lisboa, 25-6-1959



Jorge de Sena »» in Metamorfoses

..:: senhora da matemática ::..



Recebido por email, o original está no caos do jardim

quarta-feira, 9 de julho de 2008

..:: o amigo e o amado ::..

Depois da euforia, vamos lá ao que interessa e que já tinha prometido há uma semana: o etéreo:


autobiografia | sexualidade | mística


Autobiografia, sexualidade e mística são as temáticas (não estou certo se lhes poderei chamar assim) que mais me entusiasmam nos textos. Apesar de não interessar a muita gente, apetece-me aflorar a mística, porque gosto da poesia presente nesses textos que recorrem a um discurso forte, altamente metafórico, poético ainda que não lírico. E místico não tem nada que ver com esotérico, muito menos com Alexandra Solnado; místico é o desejo de união com o Absoluto (repito, não tem mesmo nada que ver com esta supra-referida Alexandra). Entre os místicos, lembrar-se-ão da medieval Hildegard von Bingen (beata católica e santa anglicana), de São João da Cruz ou de Sta Teresa de Ávila (cf. esta citação).


Gravuras e música de Hildegard von Bingen [1098-1179]
Discover Sequentia!



Grande parte da mística funda raízes no incrível Cântico dos Cânticos (que bem conhecem e de onde já citei aqui e aqui) e usa um discurso muito erótico (e sexual). Talvez por isso e pela simbólica, goste tanto dos místicos, seres privilegiados tão próximos de Deus. No Dicionário dos Símbolos, Chevalier e Gheerbrant registam na entrada “Sexo”:
«A sexualidade simboliza a procura de unidade, o apaziguamento da tensão, a realização plena do ser. Por isso os poemas místicos utilizam a linguagem erótica, para tentar exprimir a inefável união da alma com o seu Deus»
(p. 607)

Esta ideia tem sido o meu ponto de partida para as leituras e estudos que tenho feio de textos desta índole.



Bernini, Beata Ludovica Albertoni e o Êxtase de Sta Teresa

Recentemente, iniciei a leitura de Livro do Amigo e do Amado do medieval beato catalão Ramon Llull (1232/33-1315/16) que se baseia no protocolo de leitura em que o Amado é Deus e o Amante, neste caso, o “fiel e devoto cristão”. É assim que devem ser lidos os seguintes excertos, e desculpem-me os puristas e os alienados das minhas tendências mundanas, mas não lhes consigo dissociar o sentido erótico. Em todo o caso, o carácter religioso/sagrado redime-lhe a ousadia. Apetece-me lembrar que se perdoa o mal que faz pelo bem que sabe. Além disso, todo o livro é um hino ao amor a Deus, que é, afinal, um amor humano, muito humano. Blanquerna, o autor ficcionado a quem Ramon Llull atribui a autoria do livro, redigiu tantas "metáforas morais" quantos os dias do ano. De entre elas, escolhi 15; leiam-nas bem e confessem lá que não se revêem em nenhuma:

1. Perguntou o amigo ao seu amado se havia nele alguma coisa por amar, e o amado respondeu que aquilo que poderia multiplicar o amor do amigo era amar. (p. 12)

2. Os caminhos pelos quais o amigo procura o seu amado são longos, perigosos, povoados de considerações, de suspiros e de choros, e iluminados de amor. (p. 12)

5. Disse o amigo ao amado: «Tu que enches o Sol de resplendor, enche o meu coração de amor.» Respondeu o amado: «Sem a plenitude do amor os teus olhos não estariam em pranto, e tu não terias vindo a este lugar para ver o teu amante.» (p. 12)

6. Experimentou o amado o seu amigo para ver se o amava perfeitamente; e perguntou-lhe que diferença havia entre a presença e a ausência do amado. Respondeu o amigo: «Como entre a ignorância e o esquecimento, o conhecimento e a recordação.» (pp. 12-13)

44. Pois são os fogos que aquecem o amor do amigo: o primeiro é feito de desejos, prazeres e cogitações; o outro é composto de temor, sofrimento, lágrimas e choros. (pp. 18-19)

53. Andava o amigo por uma cidade como louco, cantando o seu amado; e perguntaram-lhe as gentes se perdera o juízo. Respondeu que o seu amado lhe tirara a vontade, e que ele lhe dera o seu entendimento; por isso lhe tinha ficado tão somente a memória com que recordava o seu amado. (p. 20)

58. Andava o amigo desejando o seu amado e encontrou dois amigos que saudaram com amor e choros, e abraçaram-se e beijaram-se. O amigo desmaiou: tão fortemente lhe lembraram os dois amigos o seu amado. (p. 21)

59. Pensou o amigo na morte e teve medo até que se lembrou do seu amado. E gritou para a gente que estava à sua frente: «Ah, senhores! Amai, para que não temais a morte nem os perigos, honrando o meu amado.» (p. 21)

61. «Diz, louco: se te desamasse o teu amado, o que farias?» Respondeu e disse que amaria para que não morresse, porque o desamor seria a morte, e o amor é a vida. (p. 22)

69. Os caminhos do amor são longos e breves porque o amor é claro, puro, nítido, verdadeiro, subtil, simples, forte, diligente, resplandecente e abundante de novos pensamentos e antigas lembranças. (p. 23)

116. Encontraram-se o amigo e o amado e foram testemunhas do seu encontro, saudações, abraços, beijos, lágrimas e choros. E perguntou o amado ao amigo sobre o seu estado, e o amigo ficou embaraçado na presença do seu amado. (p. 32)

234. O amor é mar agitado de ondas e ventos que não tem porto nem costas. Perece o amigo no mar e no seu perigo perecem os seus tormentos e nascem as suas obras. (p. 53)

295. Chamava o amado o seu amigo e ele respondeu-lhe, dizendo: «Que desejas, amado, que és olhos dos meus olhos e pensamento dos meus pensamentos, e perfeição das minhas perfeições e amor dos meus amores, e ainda princípio dos meus princípios?» (p. 64)

341. Cogitou o amigo sobre a morte e teve pavor até que se lembrou da cidade do seu amado, da qual a morte e amor são portas e entradas. (p. 73)

357. Estava o amigo coberto de amor por dentro e por fora e andava à procura do seu amado. Dizia-lhe o amor: «Onde vais, amante?» Respondeu: «Vou para o meu amado para que tu sejas maior.» (p. 76)


Ramon Llull »» Livro do Amigo e do Amado »» tradução de Dimíter Ánguelov e revisão de Artur Guerra »» Cotovia »» 1990


terça-feira, 8 de julho de 2008

..:: one year on ::..







Há exactamente um ano abrimos assim:







Isto é novidade para nós. Mas cá vamos: o Zé há já algum tempo que me tinha dito para criarmos um blogue. Eu não fui muito na ideia por falta de tempo. Agora que as aulas já foram... comecei a brincar um bocado. Sou fiel leitor de alguns blogues e acho que também temos alguma coisa a dizer. Mais, apeteceu-me expressar o orgulho de estarmos juntos, de sermos felizes, de podermos partilhar os nossos dias.
















Vê-se logo o motivo para finalmente me ter decido a criar um blogue: o orgulho de nós mesmos. Da nossa relação. No fundo, houve três acontecimentos decisivos que me fizeram sair do limbo, a saber:
1# O Europride, em Madrid, ao qual não fomos mas que acompanhámos;
2# Shortbus, esse filme máximo e a música Boys of Melody que foi o móbil para chegar aos The Hidden Cameras, tendo depois conhecido 'The Man That I Am With My Man (estou sempre a contar isto…), mas que me deu motivação e mote para criar o FeeJay, nome colhido obviamente no filme Happy Together.
3# O aniversário do meu homem que tinha praticamente acabado de acontecer. Basicamente, apeteceu-me falar de como éramos (e somos) felizes (espero que não soe a egoísmo descarado). Os nossos amigos sabiam disso, mas quis ir mais longe. Não imaginava que podia ter chegado onde já chegámos.

Um ano depois, a conclusão óbvia: ok, um ano não é grande coisa. E não é mesmo! Mas também já é muita coisa: fazemos demasiadas entradas, são já 772 (dá uma média de mais de duas entradas por dia), muitas confissões e partilha, tal como nós gostamos. Lembrei-me de uma frase que costumo dar a propósito das homónimas: NÓS FORMAMOS NÓS FORTES. E mais nada. O melhor (ou pior, depende da perspectiva) é que continuo a achar que tenho (temos) tanto para dizer, mostrar, denunciar e revoltarmo-nos, etc., que a imagem do vómito corresponde bem ao que fazemos. E demoramos tanto a responder aos comentários que é uma vergonha, eterna mea culpa.

Embora não prometendo nada, vamos tentar impor alguma regularidade, recuperar o artista da semana, pôr gajos e gajas, citações, vídeos (mas a maioria pô-los-ei no código secreto, já que fui convidado para participar lá), as nossas fotos, etc., em dias mais ou menos pré-estabelecidos. Vamos ver por quanto tempo aguentarei(emos) a regularidade.





Entretanto, muito mudou no template, no sidebar, nos blogues que visitamos, até na minha fotografia do perfil (acho que já tinha explicado minimamente: estou em andamento, de passagem e de partida. Sempre). Em pelo menos três vezes, isto esteve para ir ao ar sem retorno (ai, a maldita auto-estima!). Não foi. Também porque o espaço não é só meu, embora eu o usurpe com grande pinta. E, pronto, lá resistiu um ano. Irregular, mas resistiu. Obrigado por virem cá. Nós, felizes juntos (ou FeeJays), curvamo-nos perante vós e agradecemos muito as vossas visitas e comentários! Um brinde, felizes juntos!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

..:: post scriptum ::..

Minha gente, estou quase em transe... Estou a responder aos últimos comentários de enfiada. TODOS! Só para avisar: não estranhem as coisas estranhas que vão acontecer nas próximas horas por aqui, ok!
Beijos e abraços

~~ memória do lugar : Bruxelas ~~

À falta de oportunidade, eis só agora as minhas fotos de Bruxelas (e não só) e dois vídeos do gay pride (que foi a 17 de Maio).










[p.s.: a 2ª-feira, dedicá-la-emos predominantemente às imagens feitas por nós mesmos]

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

..:: desafio : eu por mim próprio ::..

Falta de tempo ou inspiração levam a isto: a demorar a responder aos desafios em que nos (me) metem. Desta vez, foram o Arms (ok, agora é que reparei na data: 23 de Maio, não estou atrasado nem nada…) e o Pinguim (a 23 de Junho. Vá lá que não respondi só a 23 de Julho ☺). Agradeço-vos a amabilidade, mas já deviam saber que às vezes o tempo não me abunda e, além disso, vejam lá se começam a desafiar o Zé! (eu sei, estou sempre a reclamar de alguma coisa…)

Bem, apesar das variantes, o desafio leva mais ou menos ao mesmo e, por isso, vou fundi-los para matar logo os dois coelhos com uma só cajadada. O problema começa com a selecção dessas seis palavras, conceitos, características. Não por me faltarem, mas por ter sido invadido por uma imensidão delas. Pus tudo ao barulho.

Passo o desafio. O motivo é que vos quero mesmo conhecer ainda melhor. Há uns meninos que não têm blogue e por isso se têm escapado! Não é justo, obviamente! Agora, os escolhidos são os seguintes (desconheço se algum de vós já respondeu a este desafio ou sequer se não costumam responder a desafios):

Menin@s, podem escolher a versão que quiserem, a do Arms, a do Pinguim, ou a minha que funde as duas.

Então, por ordem alfabética, cá estou eu:


Auto-estima

Devia estar no fim, mas o “A” fez com que ficasse logo aqui a abrir a coisa. Pois, tenho uma auto-estima muito baixa e é uma das características minhas mais evidentes talvez por ter uma consciência bastante boa do que sou e do que valho, a que falta à maioria das pessoas que se promovem com uma energia que mais soa a egolatria que outra coisa qualquer e não sabem nada de nada além de cagarem postas de pescada. E às vezes pode até parece que também sou assim, mas relativizo tudo o que faço ou conquisto. Enfim, um dia, o amor próprio há-de ser do meu tamanho e o sorriso há-de deixar de ser uma máscara.


Bom ouvinte

Nem sempre, mas habitualmente sou perspicaz e uso da minha intuição para perceber as coisas (sim, às vezes, o cérebro também me pára). Percebo bem quando os outros precisam de falar, quando precisam de falar e não conseguem, ou afirmam que não querem falar, apresentam um não que quer dizer sim. Gosto de ver nos olhos, nas expressões faciais e corporais o que lhes vai na alma, estados que habitualmente absorvo. Nem sempre me é fácil livrar deles, e fico bastante agoniado com isso. Normalmente, acerto a traçar um retrato psicológico das pessoas e a ir ao cerne da questão. E também gosto mais de ouvir do que falar – só nas aulas e noutras situações específicas é que gosto de dominar com o meu discurso. Mas, minha gente, eu também preciso de falar de mim. Só que há uma diferença: no meu raciocínio está sempre presente que as pessoas não têm de levar com os meus problemas (problemas? Quais problemas? Eu não os tenho, se comparasse com a fome em África, a sida na Ásia, a tortura, a Palestina, etc.). E por que raio tenho eu de levar com os problemas dos outros?… bem, cá está o meu mau feitio. Pelo menos, sorrio muito.


Generosidade

Às vezes, penso mais nos outros que em mim. Prefiro prejudicar-me a prejudicar quem gosto. Não deve ser masoquismo mas simplesmente altruísmo. Já expliquei há muito tempo que a generosidade é um mal familiar, dos progenitores: o meu pai era assim, a minha mãe continua assim, os meus avós eram assim, adeptos inconscientes do “é dando que se recebe” franciscano. Gosto de pensar que serei recompensando e, mesmo que o não seja, não fico de má consciência com os meus actos. E sorrio com o sorriso dos outros.


Humildade

Nunca tive espaço para ser mais do que simples e modesto. A humildade reflecte-se sobretudo no que faço diariamente. Nada de muito especial, mas é-me uma característica importante: quase sempre fico insatisfeito com o que faço, coisa normalzinha podia ter ficado muito melhor. Perfeccionista, acho eu. Apesar disso, sorrio.


Nervosismo

Pessimista nato, acho que está sempre tudo mal, que vai correr mal, etc. Como detectou a Denise, masco pastilha elástica freneticamente, movo-me nervosamente. Ok, sou um pouco complicado, compulsivo, obsessivo, e impaciente (sobretudo com a burrice, a teimosia, as postas de pescada, gente convencida à toa; também odeio gente que não é objectiva e pragmática a transmitir o que quer dizer). Em algumas coisas, tenho razões físicas para ser pessimista, mas noutras nem por isso. Estas são as alturas do sorriso amarelo, do não me chateiem que isso não está famoso! É muito fácil perceber quando estou assim.


Tolerância

Para vencer o meu próprio conservadorismo natural, compreendi muito cedo que tinha de deixar a minha intransigência de parte, o que nem sempre é fácil. Ajudou-me o facto de gostar de aprender, de ouvir o que os outros têm para dizer, de perceber que sendo flexível ganhava mais. Consigo encontrar argumentos para a parte e para o seu oposto - não sei onde tenho balança, mas deve ter alguma influência em mim. Em geral, não gosto de posições extremadas, mas do consenso, do diálogo bilateral. Apesar disso, continuo a ser teimoso, resistente, impositivo da minha vontade. Mas sorrio com os outros e dos outros (sim, sim, tenho uma língua bem afiada, certeira).


Pronto, já está. Acho que as principais características estão aqui, mas quem me conhece melhor pode dizer o que acha que, como já sabem, eu sou tolerante (não abusem!) e até tenho alguma auto-ironia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

..:: a mulher dos nossos sonhos ::.. Victoria Abril

Victoria Abril (Victoria Mérida Rojas)
[Madrid, 4 de Julho, 1959]

site | iMDb | wikipédia



fotografia © Alvaro Villarrubia











[p.s.: a 6ª-feira, dedicá-la-emos predominantemente aos gajos e gajas da nossa eleição]

quinta-feira, 3 de julho de 2008

..:: suficientemente retrógada? ai é, é! ::..


visto aqui

Em resposta, confiram esta iniciativa da Sara.


Adenda: mesmo com lentes adequadas, não consigo vislumbrar nenhum progresso nestas palavras, aquele que Serzedelo diz existir. Bem, devo ser eu que além de pitosga vivo noutro mundo (obrigado, Unfurry).

quarta-feira, 2 de julho de 2008

..:: vamos à leitura ::..



Há uns anos, Daniel Pennac elencou dez princípios acerca da leitura a que chamou "os direitos inalienáveis do leitor". Estão em Como um Romance, por cá editado pela Asa. Pedagogicamente, é um romance especial e muito interessante, mas é interessante para qualquer um, mesmo fora do contexto da educação. Devo dizer que encontrei, então, nestes direitos uma espécie de justificação para a minha liberdade como leitor. Não se esqueçam deles e leiam muito, e quem tiver filhos dê o exemplo e ponha-os a ler, é que, às tantas chegam-nos, a nós professores, uns meninos e meninas com um nível de iliteracia que é de fazer chorar as pedras da calçada e nós sozinhos não fazemos milagres.



Os direitos inalienáveis do leitor
por Daniel Pennac

1
O direito de não ler

2
O direito de saltar páginas

3
O direito de não acabar um livro

4
O direito de reler

5
O direito de ler não importa o quê

6
O direito de amar os "heróis" dos romances

7
O direito de ler não importa onde

8
O direito de saltar de livro para livro

9
O direito de ler em voz alta

10
O direito de não falar do que se leu






[p.s.: a 4ª-feira, dedicá-la-ei predominantemente aos livros, às leituras e às citações]

terça-feira, 1 de julho de 2008

~~ :) ~~

Alguém me sabe dizer onde posso arranjar aparelhómetros destes?

Cheira-me que por cá também teriam muita saída.

..:: passeio à senhora da asneira ::..



No meio do calor, lá vou eu todo contente para a última reunião de avaliação. Chego em cima da hora, mas não há problema. Começa a perguntar-nos a directora de turma: alguém viu a xxx? Ninguém a tinha visto. Esperámos mais um pouco, telefonema para a frente, telefonema para trás: em casa ninguém atende e o telemóvel desligado. Bom presságio. Entretanto, uma hora depois de termos enchido chouriços, decidimos debandar. Volto uma hora mais cedo para casa, mas a reunião terá de ficar para outro dia, se a xxx não se lembrar de voltar a faltar. Ficámos furiosos, obviamente, até porque há uma semana que se sabia que ia ser hoje e há uma semana, noutra turma, só apareceu uma hora depois do início previsto. Além da irresponsabilidade, é a falta de consideração pelos colegas. E não me venham com histórias, mas é também de professores deste calibre que se enche essa categoria de professor titular. A esta, e à nossa custa, bem lhe devem ter ardido as orelhas! E, como não tenho o número dela, já levou com um email bem simpático para ver se arranja uma agenda (bem, a senhora podia ser minha mãe... não tenho paciência com gente assim).

..:: anda cá, ouve este ::.. PATRICK WATSON


Patrick Watson, "The Great Escape"

Bad day, looking for a way,
home, looking for the great escape.
Gets in his car and drives away,
far from all the things that we are.
Puts on a smile and breathes it in
and breathes it out, he says,
bye bye bye to all of the noise.
Oh, he says, bye bye bye to all of the noise.

Doo doo doo doo doo noo noo

Hey child, things are looking down.
That’s okay, you don’t need to win anyways.
Don’t be afraid, just eat up all the gray
and it will fade all away.
Don’t let yourself fall down.

Doo doo doo doo doo noo noo

Bad day, looking for the great escape.
He says, bad day, looking for the great escape.
On a bad day, looking for the great escape,
the great escape.