domingo, 8 de junho de 2008

..:: « ver claro » ::..

Ver Claro


Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Eugénio de Andrade [19 de Janeiro, 1923 - 13 de Junho, 2005]

7 comentários:

  1. Eugénio de Andrade, sempre bem recordado...
    Abraços.

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  2. E de saborear, já agora!... :)

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  3. É bem verdade, pelo menos a mim a poesia costuma iluminar a alma.
    Um abraço.

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  4. Até parece que foi o SP que postou este poema - tem vários tipos de letra com ele curte fazer lá no sítio peludo.

    Vitor

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  5. Pinguim, houve um motivo para o ter recordado aqui, nesta altura. quando vires o filme que fiz, perceberás.

    Max e Catatau, claro, os bons são sempre uma bênção. este poema em particular é um bofetada ao facilitismo!

    Kapitão, ainda bem!

    Special, é disso mesmo que se trata: de nos iluminar o interior.

    Vítor, obrigado pelo teu comentário. sim, o SP inspirou-me nos tamanhos diferentes das letras, a intenção foi muito direccionada, salientando algumas palavras-chave.


    outro abraço a todos!

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