Ora bem, a confusão começou quando me pediram na escola ideias para um dia de poesia | quando me pedem ajuda, os meus olhos brilham e os neurónios entram em erupção | surgiram-me umas quantas ideias | todas foram aceites, ainda que modificadas, depois | uma delas inspirada na iniciativa que o
Imperador apresentou | mãos à obra: escolher poemas, programar turmas, ajustar horários | nunca fiz uma coisa desta envergadura | desconhecia o resultado | apesar de nem sempre o fazer, gosto de magicar alguma coisa especial, mas normalmente só costumo envolver os meus alunos | este ano, tive a oportunidade de fazer mais e armei-me em especial de corrida | começa a saga: gravações, fotocópias, opiniões | o desafio: filmar o máximo possível da escola: vou às aulas das minhas colegas de grupo | uma enormidade, claro está | posteriormente lembrei-me dos professores e dos funcionários, tudo ao molho e fé em deus ||
dia 5 (segunda-feira): fotocópias | testes | preencho fichas de avaliação de uma turma | por não ter conseguido uma câmara digital, recorro à minha máquina fotográfica com vídeo pequeno mas suficiente | constato afinal que a captação de som da câmara até nem é má | siga ||
dia 6: carrego o passe | faço gravações | reunião de avaliação | aula de condução no final do dia | janto com a
Inês e com a
Sofia nos Tibetanos | desde Janeiro que não o fazíamos, bolas | chego a casa e faço mais testes ||
dia 7: desmarco explicação | troco uma aula | faço muitas gravações | diz-me a Ana que eu trabalho muito bem sob pressão | estou exausto e desanimo-me (enfureço-me também) numa turma de insubordinados | assino os papéis das férias: 25 dias | deixo testes a fotocopiar | faço mais cópias dos poemas para distribuir a quem os vai ler (10, inicialmente) | vou a casa | adormeço ao computador | acordo em cima da aula de condução | corro | vá lá que é perto | a aula de condução não corre lá muito bem | depois do jantar apressado: Pina Bausch no CCB | excelente ||
dia 8 (quinta-feira): pago a renda | vem a Aida para uma vídeo-chamada que não se concretiza | levo um filme sobre poesia para mostrar aos alunos | o Zé vem almoçar a casa | passo pela escola de condução para marcar o exame | uma saga de uma hora e lá chega um dia possível | que seja! | não vou a tempo da aula de substituição que dou hoje às 15h30m | apanho um táxi com motorista simpático, inteligente e bom conversador | gostei do tipo | são-me desmarcadas algumas gravações para hoje e sexta-feira, o que implicará fazê-las na semana seguinte | bolas | chego a casa, ligo o portátil Acer… nada | morreu | nada de acordar para a vida | merda | merda | merda | preciso do computador! | deste! | tenho o de recurso: o portátil Toshiba da e-escola, uma merda lenta com Vista | não me adaptei nem ao Vista nem à lentidão do seu processador | tenho de instalar programas | mais um dia em que me deito tarde e outro em que acordo de madrugada ||
dia 9: hoje também dou uma aula de substituição | passo o final do filme que comecei a mostrar ontem | os miúdos chateiam-me e levam uma seca descomunal | é assim: conforme tocam, assim eu danço | já deviam ter percebido essa parte | tenho que escrever uma crónica para domingo | ah, a falta de inspiração | respondo finalmente ao convite para o Restô | ui, esse deve ser carote | que não | desmarcam-me uma aula de condução e eu desmarco outra | marco mais 5 | mais dinheiro deitado fora porque sou um nhurro nervoso que não aprendeu com o número de aulas regulamentares | que seja | está visto que o orçamento mensal não vai chegar até ao próximo ordenado | começo a seleccionar músicas possíveis | mostro o resultado de uma primeira montagem a alguns colegas | as reacções são muito boas | ok, posso continuar e a partir daqui é só para surpreender | descarrego a trial version do Adobe Premiere | não percebo muito e começo às apalpadelas | o Premiere torna o Toshiba ainda mais lento | enfurece-me até às lágrimas ||
dia 10: deixo uma mensagem de parabéns ao Francisco errado | não desfaço a barba | monto os dois primeiros clipes | gosto do resultado surpreendente | afinal, o Premiere é fantástico | o precessador é que é lento e acaba-me com a paciência | começo o terceiro clipe (agora, já tenho 16 planeados) | há que me despachar a correr para o jantar do X | chegamos 15 minutos atrasados | parabenizamos o aniversariante que leva com uma caixa de Weetabix | é o costume quando estamos inspirados | conhecemos a Sónia e o
Graphic, revejo o
Rainha do Nada, tantos anos depois (
7 para ser exacto) | subimos para o paquistanês | comida boa | companhia boa | cigarro atrás de cigarro com o Rainha, ao frio | esclarecido o mal-entendido, comigo em modo acelerado | chegamos a uma pontinha do presente | conversei pouco com o
Graphic! | no final do jantar, seguimos para casa: o cansaço não permite divagações festivas | a boleia santa do amigo
Pinguim que nos pôs ao corrente de novidades bloguísticas e nos incentivou (obrigou?) a ler o
post do Socrates | assim será | não escrevi a crónica, sinto-me mal quando falho um compromisso ||
dia 11 (domingo): acordo cedo | inspiro-me no imperador
Tongzhi e na mensagem (linda) do Zé a dizer-me que me ama em português com sotaque inglês | deixo uma mensagem no blogue a avisar a
minha falta de tempo | levamos o lixo para a reciclagem e tomamos o café, como procedemos todos os domingos | o Zé vai para o pai | já em casa, escrevo a merda de um texto | tenho a noção disso | combino o programa para o dia da poesia lá na escola com a delegada de português | dou-lhe conta do andamento das montagens que já fiz e que faltam fazer, ainda sem o computadorzinho Acer lindo | neste, nem nas teclas certas acerto | raiva | e três dias depois algum conformismo | monto um dos clips mais complicados, por ser longo | confirmo: as músicas que selecciono combinam, não na perfeição, mas combinam | faço o jantar (nas últimas refeições tem sido o Zé) | deitamo-nos tarde, o Zé tem esperado por mim | estou exausto, adormeço num ápice | afinal o café nunca me tirou o sono ||
dia 12: para não variar, acordo mais cedo do que precisava | o telemóvel descarregado fica em casa | vou pôr o computador a arranjar | afinal, a loja não abre às 9h, mas às 10h | espero, tenho tempo | o tipo que me atende, sorri | ok | percebo que não seria fácil | talvez no final do dia esteja a funcionar | ai, espero bem que sim, a bem da minha sanidade mental | preciso de estar na escola às 12h para nova ronda de filmagens | engraçado como os alunos reagem às gravações: com resposta rápida, tímida, de indiferença, de entusiasmo contagiante | há turmas que são um consolo, outras uma decepção | ando exausto | dia cinzentão | não tenho tempo para sentir a pressão do exame de condução lá mais para o final do mês | lembro-me: só corrigirei os testes depois de dia 21 | os meninos têm de esperar, o motivo é nobre ||
dias 13 e 14: termino as gravações com o poema lido por professores e funcionários | gosto de saber que a ideia é bem acolhida | recebo um par de emails de duas colegas que nem conheço muito bem mas que me enchem o ego | ponho o vídeo de divulgação da iniciativa no dailymotion | bem, não me quis armar em realizador, mas ao fim e ao cabo foi o que fui
chego exausto ao fim deste texto, registado no caderninho de apontamentos a 14 de Maio e, por falta de ocasião, só agora aqui aparece | não fica por aqui a explicação do meu silêncio virtual, desenvolvimentos nos próximos dias | a seguir, o vídeo de onde me surgiu a ideia