sexta-feira, 27 de junho de 2008

..:: e agora, José? há tantas estrelas no meu céu ::..




Não sei muito bem o que escrever sobre este homem.
Já expliquei como o conheci, como o adoro (reparem: mais ainda do que amo), como a minha vida seria absolutamente diferente sem ele. Não tenho bola de cristal para saber como seria, mas, melhor, presumo ser absolutamente impossível.



E o amor é coisa que não se agradece. Eu agradeço todos os dias. Sinto um orgulho imenso por ele, uma alegria desmedida por poder estar a seu lado e lhe dar a minha vida. Quarta-feira foi o seu dia, embora todos os dias sejam dele e meus.




Eu sei que o Zé não gosta muito dele (eu idem), mas esta música é, digamos, especial (e desculpem as imagens, não encontrei melhor com esta versão...):

Pedro Abrunhosa & Sandra de Sá, Eu não sei quem te perdeu

domingo, 22 de junho de 2008

..:: and I'm gay ::..

Read this doc on Scribd: and I'm gay



E tenho uma pergunta (duas, melhor dizendo) para a qual gostaria de ter possíveis respostas: o que precisamos de ouvir/fazer durante o processo de reconhecimento e, depois, para aceitar a orientação homossexual sem traumas? O que pode ser decisivo para que tudo corra bem (ou pelo melhor)? Eu e muita gente mais por aí agradece a vossa opinião e partilha!

..:: cantiga d'escarnho [IV] ::..




E eu digo mal, com'ome fodimalho, *
quanto mais posso daquestes fodidos
e trob'a eles e a seus maridos;
e un deles mi pôs mui grand'espanto:
topou comigu'e sobraçou o manto
e quis en mi achantar o caralho.

Ando-lhes fazendo cobras e sões
quanto mais poss'e and'escarnecendo
daquestes putos que s'andan fodendo;
e ũũ deles de noit'asseitou-me
e quis-me dar do caralh'e errou-me
e (er) lançou depois min os colhões.



Uma sátira contra os homossexuais, numa cantiga de escarnho (a última que aqui publico) de Pero da Ponte de meados do Séc. XIII »» in Cantigas de Escárnio e Mal-Dizer »» comentários de Carlos Miranda, seguindo a proposta de Rodrigues Lapa »» Sacavém »» Palimpsesto »» p. 137


* ["(...) Pero da Ponte, que se confessa autor de diatribes poéticas contras os homossexuais, descreve a vingança de que foi alvo da parte de dois pederastas que, violentando-o, quiseram, por desforço, provar-lhe a sua virilidade." Natália Correia, que também adaptou esta cantiga, in Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica »» 3ª edição »» Antígona/ Frenesi »» 2000 »» p. 44]



sexta-feira, 20 de junho de 2008

~~ revolucionário ou quê? ~~




Estou a dar em revolucionário ou estas coisas deviam mesmo ter consequências graves para os (des)governantes?


GASÓLEO A 0,80€ PARA OS IATES
O Governo democrático e maioritário do PS tem por hábito, quando é confrontado com realidades, apontar os canhões para o PSD, seu parceiro do «Bloco Central de Interesses». Mas agora todos ficam a saber: os que têm iates e embarcações de recreio, através do Artº 29 do Cap. II da Portaria 117-A de 8 de Fevereiro de 2008, beneficiam de gasóleo ao preço que pagam os armadores e os pescadores. Assim, todos os portugueses são iguais perante a Lei, desde que tenham iates... É da mais elementar justiça que os trabalhadores e as empresas que tenham carro a gasóleo o paguem a 1,42€, e os banqueiros e empresários do 'Compromisso Portugal' o paguem a 0,80€, e é justo, porque estes não têm culpa que os trabalhadores não comprem iates!!!

Porreiro pá !...

Recebido por e-mail. Obrigado MJ.

~~ houverem? ~~

Por muito que aquela senhora se esmifre a afirmar o contrário, continuo a achar (e a confirmar!) que se tem caminhado no sentido de facilitar a vida aos estudantes na cega intenção de mostrar bons (melhores) resultados. Isso, a mim, preocupa-me. E penso que deve preocupar todo e qualquer cidadão consciente. Afinal, estamos hoje a formar os homens e mulheres que governarão este país (?) quando formos mais velhotes. Perguntas de escolha multipla no exame de Língua Portuguesa?!... Ah, esqueci-me por momentos. Naturalmente que ministros, secretários e afins sabem muito mais disto do que os Professores que acompanham o dia-a-dia dos seus alunos nas escolas. Perdoe-me, minha senhora! Permita, no entanto, que lhe lembre algo que deve ter esquecido (digo eu!). É que o verbo "haver", quando significa "existir" é impessoal. Isto quer dizer que não se conjuga em todas as pessoas, mas sim apenas na terceira pessoa do singular. Transcrevo aqui as suas palavras durante a sua recente entrevista na SIC:
"... há uns quantos pessimistas de serviço neste país... muito pessimistas. O que acontece é que o país tem que estar sempre mal e os alunos têm que ser sempre maus. Quando os resultados são, por si, maus e houverem fla fragilidades nos conhecimentos nas competências, aí está a prova que o país está mal. Como o país não pode melhorar são as provas que estão erradas". Abstenho-me de comentar a afirmação, mas não posso deixar de aproveitar o seu exemplo para ilustrar a explicação. O verbo "haver", aqui, significa "existir", certo? Portanto conjuga-se APENAS na terceira pessoa do singular: "houver". Se não percebeu, diga que eu explico outra vez. A não ser que isto que anda a fazer seja intencional e a sua pretensão seja diminuir os conhecimentos do "povo" para que "deslizes" como o seu passem imperceptíveis. Será?
Confiram aqui no quarto vídeo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

..:: escola e avaliação ::..

Há já uns meses, que, visitando a página da DGRHE, só posso concluir que estão a gozar comigo. A página abre com esta bela fotografia:



Não pertenço à carreira, aliás, nem professor sou. Claro, porque haveria de ser? Entretenho alunos, finjo que aulas, deve ser isso, mão de obra barata que tem de ser avaliada como professor. Se não entrar em 2009 (o que é mais do que provável), vou fazer o quê? Passar mais quatro anos a tapar buracos e a mendigar migalhas ao ME? No meio disto tudo, só me apetece fugir. Para que serve ser um profissional bom ou mediano? Se calhar, está na hora de ir pensando mesmo em mudar de profissão/actividade, trabalho, já que a compensação não corresponde às exigências deste.
Bem, depois de oito relatórios de auto-avaliação segundo o modelo anterior, um por cada escola onde passei, esta ficha de auto-avaliação com 14 perguntas é canja (masoquistas que quiserem conferir, força). Ou seja, não dói mas faz mossa e para o ano que vem vai piar mais fininho. Este ano, isto é um pró-forma-burocrático-mete-nojo de uma senhora birrenta. Entreguei-o ontem, dia bafejado pela chatice e neura: cheguei às 8h e saí de lá às 21h porque as funcionárias queriam fechar a escola para se irem embora. No meio disto tudo, ainda deu para desabafar um bocado com a Kika e chegar a casa com umas trombas do tamanho do mundo. Hoje, o bom humor continua, mas pelo menos descobri o Sam Sparro e uns quantos remixes que me aliviaram um bocado.

..:: anda cá, ouve este ::.. SAM SPARRO




Digam lá que o tipo não é giro! Já o tinha visto aqui, mas não liguei muito, ontem, num gratuito que estava lá na escola, fiquei intrigado com aqueles olhos. Sam Sparro parece estar na berra e tem cá um piquinho a azedo que é obra (ah, ok: ele é assumidamente gay).





site | myspace | wikipedia | entrevista











Black and Gold

Sam Sparro, Black and Gold (Phones Hard as Diamonds remix)



Cottonmouth












Making of de Black and Gold

cf. também aqui


Making of de Cottonmouth, directed by Mariah Garnett



Pequeno documentário de Sam Sparro durante COCHELLA 2007


quarta-feira, 18 de junho de 2008

..:: palavras que nos salvam ::.. Joaquim Cardoso Dias

MITOLOGIA



finjo que acredito em ti: amo-te
e sem o saber todos os sonhos
caíram no fim das tuas palavras
antes da única verdade
se ter ferido encostada tanto
ao meu peito




Joaquim Cardoso Dias »» O Preço das Casas »» Lisboa »» Gótica »» 2002 »» p. 29

terça-feira, 17 de junho de 2008

..:: testa a tua tendência política ::..

Comigo não me deu nenhuma novidade (cf. imagem), mas se tiverem dúvidas sobre a vossa, testem-se em 20 perguntas, aqui »»


segunda-feira, 16 de junho de 2008

..:: oxitocina ::..

Eu que não sou nada dado a verdades absolutas, encaro as teorias essencialistas com o mesmo cepticismo com que desbarato as construcionistas. Umas e outras têm virtudes, é um facto (se tiverem curiosidade podem ler esta brevíssima súmula). Na essencialista, incomoda-me sobremaneira o gosto por buscar na biologia a justificação de comportamentos, identidades, orientação, etc., como se houvesse o tal gene, a tal molécula, a tal hormona que justifica tudo. Por outro lado, tem a vantagem de aos cépticos (tentar) demonstrar que é impossível escapar à natureza, a mesma que (supostamente) Deus nos dotou.
Sem muito a ver (e até porque o assunto é muito mais complexo), lembrei-me disto a propósito da oxitocina, uma hormona já conhecida há algum tempo e sobre a qual a NotíciasMagazine de dia 15 apresentou um texto inicialmente publicado na New Scientist com alguns pontos interessantes, fundamentando nesta hormona o facto das pessoas ficarem juntas por muito tempo. A este propósito é de ler o artigo de J.L. Pio Abreu no Destak, de onde transcrevo o seguinte parágrafo: «Temos então uma base científica para um fenómeno há muito conhecido: as pessoas (e as comunidades) que reprimem o fluir da sua sexualidade são também as menos tolerantes e mais violentas. Mas também é preciso cuidado com os excessos: como se demonstrou recentemente, a tendência para aceitar, sem pestanejar, as propostas do gestor de contas, é muito maior após a inalação experimental de oxitocina».
Aquilo que eu já tinha escrito sobre o tacto e o afecto sempre é verdade e a hormona prova-o:
«Já lhe chamaram a hormona do amor, a carícia química, confiança líquida. Atinge o pico no orgasmo, faz [com] que um abraço carinhoso “derreta” todo o stress e aumenta a generosidade quando é ministrada como medicamento. A oxitocina é a pura essência do afecto, o químico cerebral que constrói carinhosamente os laços de pais para filhos, de amante para amante, de amigo para amigo, e em breve as suas potencialidades poderão ser exploradas para expandir o seu poder» (NotíciasMagazine, p. 42);
«‘Sem oxitocina, os animais têm amnésia social’, garante o investigador Larry Young»;
«Acima de tudo, parece que a libertação de oxitocina no cérebro tem como função fazer [com] que os contactos sociais dêem prazer. Sem esta hormona, as espécies que socializam não funcionariam. E isto, claro, também é aplicável à espécie humana. As investigações apontam todas para o facto de a oxitocina desempenhar um papel fundamental em muitas áreas da vida humana, incluindo interacções sociais, amorosas e de filiação/paternidade»;
«(…) Zak e a sua equipa demonstraram que pessoas a quem foi dada esta hormona se tornaram substancialmente mais generosas e confiantes ao desempenhar tarefas que implicavam partilhar dinheiro com indivíduos que não conheciam» (NotíciasMagazine, p. 43)

Só posso chegar a uma conclusão: eu e o Zé produzimos muita oxitocina. De outra forma, porque nos haveria de custar tanto a separação, o ficarmos longe, afastados? Mas, então, e os sentimentos? Bem, pelo menos, agora, parece que a natureza ajuda. E fico feliz por saber que sou uma pessoa menos agressiva e intolerante, o que só pode ser pela produção maciça de oxitocina.
Por outro lado, penso nos amigos e só chego a uma conclusão: tenho saudades do toque, de estar convosco, de vos sentir. Repito: o tempo não ajuda, mas pelo menos ficam a saber que gosto muito de vós e que tenho toneladas de oxitocina e espero que vós também, a bem da estabilidade afectiva!



Vem isto tudo, ainda, a propósito do meu Pinguim e do seu Dejanito. Eu sei que não é nem foi intencional, mas quem não me conhece fica a saber que eu tenho um dom/defeito que não consigo controlar: aperceber-me e absorver a energia das pessoas que estão ao meu redor. Não é um dom/defeito muito desenvolvido, mas tenho-o devido a uma sensibilidade talvez mais amplificada do que será comum. “Agarro” essa energia com uma pinta que até me deixa fulo e posso, pois, ficar eufórico, esfusiante, o que não é mau, claro. O pior mesmo é quando é o contrário. E não sei como lidar com isso, por a energia não fluir, ficar cá retida. Ah, pois é: fiquei enrugado, esmagado. Tivesse eu o dom de transformar esse energia e teria um pouco mais de divino e, sendo mais divino, teria a felicidade na mão para a oferecer em doses generosas aos meus próximos. Então, a separação, que custa mais que tudo (e eu sei-o tão bem), seria pêra doce e nunca mais pedra no sapato das emoções violentas. A culpa recai na malvada oxitocina que nos faz querer estar juntos, em presença. Espero não estar a ser demasiado “esotérico”, “metafísico”… no fundo, quem se ama só quer estar junto, por muita habituação que haja à ausência física.
Hoje, que já me deu para a choradeira, repito: gosto muito de vós! Apetece-me lançar o meu abraço e abarcar-vos, sentir o vosso pulso emocional e dizer-vos que se a vida é bela é graças ao amor. E mais nada. Ah, e aos orgasmos, obviamente (já agora, menos solitários do que os do vídeo).

domingo, 15 de junho de 2008

..:: cantiga d'escarnho [III] ::..



Fernan Díaz é aquí, como vistes,
*
e anda en preito de se casar;
mais non pod'ò casamento chegar
- d'ome o sei eu, que sabe com'é;
e, por aver casament', a la fé,
d'ome nunca vós tan gran coita vistes.

E por end'anda vestid'e loução
e diz que morre por outra molher;
mais este casamento que el quer,
d'ome o sei eu que lho non daran;
e por este casamento (d)el, de pran,
d'ome atal coita nunca viu cristão.

Ca d'Estorga atá San Fagundo
don'á que a de Don Fernando torto,
ca por outro casamento anda morto
d'ome o sei eu, que o sabe já;
e se este casament'el non á,
d'om'atal coita nunca foi no mundo.



Cantiga de escarnho (sátira contra os homossexuais) de Airas Perez Vuitoron »» in Cantigas de Escárnio e Mal-Dizer »» comentários de Carlos Miranda, seguindo a proposta de Rodrigues Lapa »» Sacavém »» Palimpsesto »» pp. 141-142



* [Esta cantiga sugere que Fernão Dias, que andava a preparar o seu casamento, tratava de um "casamento d'ome" que não foi consentido.]



sexta-feira, 13 de junho de 2008

..:: 13 de junho :: antónio de lisboa (pádua?) ::..

Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo
(ou Fernon Martin di Bulhon y Tavera Azeyedo)
ou
Santo António de Lisboa
ou
Santo António de Pádua
[Lisboa, 15 de Agosto de 1195 † Pádua, 13 de Junho, 1231]



..:: 13 de junho :: al berto ::..


Alberto Raposo Pidwell Tavares
[Coimbra, 11 de Janeiro, 1948 † Lisboa, 13 de Junho, 1997]


Depois da homenagem que já lhe deixei pelas palavras de outros (cf. aqui e aqui), cá está mais um poema, um dos que faz parte de WordSong.
free music


Recado

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte

vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer – vai por este campo
de crateras extintas – vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite

deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
ergueram-se na vertigem do voo – deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração – ouve-me

que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna – o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite.

não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira – não esqueças o ouro
o marfim – os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço


Al Berto »» in Horto de Incêndio »» Assírio & Alvim »» 1996 »» p. 9

..:: 13 de junho :: fernando pessoa ::..


Fernando António Nogueira Pessoa
[Lisboa, 13 de Junho, 1888 † Lisboa, 30 de Novembro, 1935]


Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que os outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.

Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...


Fernando Pessoa

quinta-feira, 12 de junho de 2008

..:: aqui vamos nós ::..



Graças ao Sto António, lá vamos poder ir à minha aldeia. Quem for para os santos, divirta-se muito, mas eu já não tenho muita paciência para confusões. A emissão continua a partir de lá das montanhas.

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

terça-feira, 10 de junho de 2008

~~ as vozes ~~



Ontem fomos ver (ouvir) o concerto das Le Mystère des Voix Bulgares. São um coro de vozes femininas, especialmente dotadas, criado há mais de 50 anos com o objectivo de enriquecer a herança do folclore búlgaro com harmonias e arranjos que realçam os seus maravilhosos timbres e ritmos irregulares. Sem recorrer a quaisquer artifícios (também porque não precisam deles), as vozes límpidas transportam-nos para dimensões apenas limitadas pela capacidade do espectador. É um quadro sonoro que se abre numa imensa explosão de cores. Em 1975, o produtor suíço Marcel Cellier lançou o primeiro disco sob o nome Le Mystère des Voix Bulgares, com o qual as revelou ao Mundo. Seguiram-se mais oito, um dos quais, o Volume II, foi galardoado com um Grammy em 1994. Simplicidade, humildade e a pureza do instrumento voz humana fizeram da noite de ontem uma das melhores dos últimos tempos. Já perceberam que viemos de "alma cheia", certo?



Já o fiz particularmente, mas aqui ficam os parabéns públicos ao grupo e, já agora, à Incubadora d'Artes pela ideia e pela coragem de nos terem oferecido esta possibilidade. Aqui fica o programa e alguns vídeos.





Polegnala e Todora




..:: anda cá, hoje tens de ouvir esta ::.. DULCE PONTES


Dulce Pontes, O Amor a Portugal

domingo, 8 de junho de 2008

~~ cruzes, credo! ~~

Haverá cura para isto?
Talvez a Informática seja coisa do Demo, mas não será também do dito escrever (e publicar!) mau português? O pronome oblíquo átono usado (neste caso, o fenómeno é conhecido, como todos sabem, por ênclise) está errado porque obedecer não é transitivo directo e, logo, não selecciona um pronome pessoal complemento directo mas indirecto. Isto é, não se obedece "uma coisa", obedece-se "a alguma coisa". Ora aprendam que o Mestre nem sempre está de bom humor!

Anúncio lido no DN de 08 de Junho de 2008.

..:: « ver claro » ::..

Ver Claro


Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Eugénio de Andrade [19 de Janeiro, 1923 - 13 de Junho, 2005]

sábado, 7 de junho de 2008

..:: ver claro ::..

o fim das gravações | as montagens | o produto final: 58 minutos, 16 clipes, um por poema, seguindo um princípio de continuidade e funcionando, portanto, individualmente e em conjunto | o dia da exibição foi ameaçado por uma greve na função pública | vá lá que deu para abrir a escola | na sala e hora marcadas, alunos e professores foram aparecendo | gente a mais para aquela sala | não me conseguia fazer ouvir, mas tinha algumas palavras a dizer | disse | começou e não era audível porque as colunas eram más | receei o pior | houve momentos em que os alunos se riram quando apareceram certos colegas seus | a partir de certa altura, perceberam que aquilo não era uma brincadeirinha e houve um silêncio, senão total, pelo menos quase total | aplaudiram efusivamente a aluna que cantou, e muito bem | o último poema/clipe era especial: lido quase exclusivamente por professores e funcionárias | interrompi para informar que aquele poema lhes era (alunos) dedicado, uma espécie de testamento para o seu futuro | tive uma colega que veio agarra-se a mim | houve quem tivesse chorado (e não estou a exagerar!) | eu que já conhecia aquilo de trás para a frente, sabia que tinha de me controlar | um homem não chora… | consegui, mais não fosse para não ter mais professores a chorar à frente dos alunos | portanto, gostei do resultado | todos os que viram e têm visto, gostaram | uma espécie de documentário poético em jeito de despedida da escola | uma colega propõe fazer cópias do filme, contactar uma empresa para o fazer | estou sem tempo ou vontade para isso | o Executivo propõe-me que seja eu a fazê-lo | pode ser: 100 | só me deu trabalho, mais nada | que bom, gosto mesmo de ser otário | recebo reacções inesperadas, por email, telefone, em presença | dizem-me que quando decidir sair do ensino que vá para realizador | só para rir | uma funcionária recebe-me com dois beijos entre o eufórico e o apaixonado | diz-me que o que fiz tem de sair dos muros da escola | concordo | mas isso, ultrapassa-me em absoluto | primeiro, tenho de descansar a cabeça, dormir dois ou três dias, até os neurónios voltarem ao sítio | sinto que deve e tem de ser divulgado de outra forma além daquela que foi e tem sido feita na escola | acontece que algumas velhas vozes do Restelo não deram vazão à minha ideia inicial de criar uma conta oficial no Youtube ou Dailymotion | fiquei desiludido, desmotivado | em todo o caso, decidi contornar ligeiramente a coisa | as injecções massivas de auto-estima, por causa do filme e do texto lido na Antena 1, encheram-me o ego | rejuvenesceram-me | entretanto, perdi conta à confusão dos dias: o Zé na Bélgica | o computador que bloqueia com uma insistência de louco | a consulta de urologia que serviu para confirmar o que o outro urologista já me tinha dito | siga para bingo | a carta de condução | não tenho lido nada, o que faz com que o cérebro hiberne, pare algures entre a mediocridade e a limitação vocabular | é verdade: ando ainda com a visão perturbada (mas já menos que nas últimas semanas) e o discurso desconexo | noto-o ainda na cara e alguns risos dos alunos e colegas | o portátil Acer sem arranjo | vá lá que o disco ficou intacto | decidi: vou comprar uma torre e que se lixem os portáteis | quando for rico, compro um Mac | estou ainda a descomprimir e não sei quando voltarei a visitar regularmente @s que não desistiram de nos visitar aqui | O VOSSO APOIO TEM SIDO ESSENCIAL (até para manter o felizes juntos, que, em momentos de crise existencial e/ou de tempo, uma das primeiras coisas que me ocorrem é logo acabar com ele) | em todo o caso, as coisas tenderão a normalizar-se por aqui | Maio chega ao fim enevoado | afinal, ainda há mundo | vem o sol e a luz radiante que me animam sobremaneira | se quiserem conferir uma pontinha da minha carolice, digam-me, por email, que eu mando as coordenadas | beijos e abraços apertados


(...)
Does that make me crazy
Does that make me crazy
Does that make me crazy
Possibly
(...)

Well, I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me

My heros had the heart, to put their lives out on the limb
And all I remember, is thinking I want to be like them
Hmm mmm
Ever since I was little
Ever since I was little it looked like fun
And its no coincidence I've come
And I can die when I'm done

Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Possibly

quinta-feira, 5 de junho de 2008

..:: interrupção para uma longa coçadela ::..

Eis alguma arqueologia dos meus dias, palavras num efeito de torrente, isto é, num elogio do banal quotidiano. Menin@, coragem!



Ora bem, a confusão começou quando me pediram na escola ideias para um dia de poesia | quando me pedem ajuda, os meus olhos brilham e os neurónios entram em erupção | surgiram-me umas quantas ideias | todas foram aceites, ainda que modificadas, depois | uma delas inspirada na iniciativa que o Imperador apresentou | mãos à obra: escolher poemas, programar turmas, ajustar horários | nunca fiz uma coisa desta envergadura | desconhecia o resultado | apesar de nem sempre o fazer, gosto de magicar alguma coisa especial, mas normalmente só costumo envolver os meus alunos | este ano, tive a oportunidade de fazer mais e armei-me em especial de corrida | começa a saga: gravações, fotocópias, opiniões | o desafio: filmar o máximo possível da escola: vou às aulas das minhas colegas de grupo | uma enormidade, claro está | posteriormente lembrei-me dos professores e dos funcionários, tudo ao molho e fé em deus || dia 5 (segunda-feira): fotocópias | testes | preencho fichas de avaliação de uma turma | por não ter conseguido uma câmara digital, recorro à minha máquina fotográfica com vídeo pequeno mas suficiente | constato afinal que a captação de som da câmara até nem é má | siga || dia 6: carrego o passe | faço gravações | reunião de avaliação | aula de condução no final do dia | janto com a Inês e com a Sofia nos Tibetanos | desde Janeiro que não o fazíamos, bolas | chego a casa e faço mais testes || dia 7: desmarco explicação | troco uma aula | faço muitas gravações | diz-me a Ana que eu trabalho muito bem sob pressão | estou exausto e desanimo-me (enfureço-me também) numa turma de insubordinados | assino os papéis das férias: 25 dias | deixo testes a fotocopiar | faço mais cópias dos poemas para distribuir a quem os vai ler (10, inicialmente) | vou a casa | adormeço ao computador | acordo em cima da aula de condução | corro | vá lá que é perto | a aula de condução não corre lá muito bem | depois do jantar apressado: Pina Bausch no CCB | excelente || dia 8 (quinta-feira): pago a renda | vem a Aida para uma vídeo-chamada que não se concretiza | levo um filme sobre poesia para mostrar aos alunos | o Zé vem almoçar a casa | passo pela escola de condução para marcar o exame | uma saga de uma hora e lá chega um dia possível | que seja! | não vou a tempo da aula de substituição que dou hoje às 15h30m | apanho um táxi com motorista simpático, inteligente e bom conversador | gostei do tipo | são-me desmarcadas algumas gravações para hoje e sexta-feira, o que implicará fazê-las na semana seguinte | bolas | chego a casa, ligo o portátil Acer… nada | morreu | nada de acordar para a vida | merda | merda | merda | preciso do computador! | deste! | tenho o de recurso: o portátil Toshiba da e-escola, uma merda lenta com Vista | não me adaptei nem ao Vista nem à lentidão do seu processador | tenho de instalar programas | mais um dia em que me deito tarde e outro em que acordo de madrugada || dia 9: hoje também dou uma aula de substituição | passo o final do filme que comecei a mostrar ontem | os miúdos chateiam-me e levam uma seca descomunal | é assim: conforme tocam, assim eu danço | já deviam ter percebido essa parte | tenho que escrever uma crónica para domingo | ah, a falta de inspiração | respondo finalmente ao convite para o Restô | ui, esse deve ser carote | que não | desmarcam-me uma aula de condução e eu desmarco outra | marco mais 5 | mais dinheiro deitado fora porque sou um nhurro nervoso que não aprendeu com o número de aulas regulamentares | que seja | está visto que o orçamento mensal não vai chegar até ao próximo ordenado | começo a seleccionar músicas possíveis | mostro o resultado de uma primeira montagem a alguns colegas | as reacções são muito boas | ok, posso continuar e a partir daqui é só para surpreender | descarrego a trial version do Adobe Premiere | não percebo muito e começo às apalpadelas | o Premiere torna o Toshiba ainda mais lento | enfurece-me até às lágrimas || dia 10: deixo uma mensagem de parabéns ao Francisco errado | não desfaço a barba | monto os dois primeiros clipes | gosto do resultado surpreendente | afinal, o Premiere é fantástico | o precessador é que é lento e acaba-me com a paciência | começo o terceiro clipe (agora, já tenho 16 planeados) | há que me despachar a correr para o jantar do X | chegamos 15 minutos atrasados | parabenizamos o aniversariante que leva com uma caixa de Weetabix | é o costume quando estamos inspirados | conhecemos a Sónia e o Graphic, revejo o Rainha do Nada, tantos anos depois (7 para ser exacto) | subimos para o paquistanês | comida boa | companhia boa | cigarro atrás de cigarro com o Rainha, ao frio | esclarecido o mal-entendido, comigo em modo acelerado | chegamos a uma pontinha do presente | conversei pouco com o Graphic! | no final do jantar, seguimos para casa: o cansaço não permite divagações festivas | a boleia santa do amigo Pinguim que nos pôs ao corrente de novidades bloguísticas e nos incentivou (obrigou?) a ler o post do Socrates | assim será | não escrevi a crónica, sinto-me mal quando falho um compromisso || dia 11 (domingo): acordo cedo | inspiro-me no imperador Tongzhi e na mensagem (linda) do Zé a dizer-me que me ama em português com sotaque inglês | deixo uma mensagem no blogue a avisar a minha falta de tempo | levamos o lixo para a reciclagem e tomamos o café, como procedemos todos os domingos | o Zé vai para o pai | já em casa, escrevo a merda de um texto | tenho a noção disso | combino o programa para o dia da poesia lá na escola com a delegada de português | dou-lhe conta do andamento das montagens que já fiz e que faltam fazer, ainda sem o computadorzinho Acer lindo | neste, nem nas teclas certas acerto | raiva | e três dias depois algum conformismo | monto um dos clips mais complicados, por ser longo | confirmo: as músicas que selecciono combinam, não na perfeição, mas combinam | faço o jantar (nas últimas refeições tem sido o Zé) | deitamo-nos tarde, o Zé tem esperado por mim | estou exausto, adormeço num ápice | afinal o café nunca me tirou o sono || dia 12: para não variar, acordo mais cedo do que precisava | o telemóvel descarregado fica em casa | vou pôr o computador a arranjar | afinal, a loja não abre às 9h, mas às 10h | espero, tenho tempo | o tipo que me atende, sorri | ok | percebo que não seria fácil | talvez no final do dia esteja a funcionar | ai, espero bem que sim, a bem da minha sanidade mental | preciso de estar na escola às 12h para nova ronda de filmagens | engraçado como os alunos reagem às gravações: com resposta rápida, tímida, de indiferença, de entusiasmo contagiante | há turmas que são um consolo, outras uma decepção | ando exausto | dia cinzentão | não tenho tempo para sentir a pressão do exame de condução lá mais para o final do mês | lembro-me: só corrigirei os testes depois de dia 21 | os meninos têm de esperar, o motivo é nobre || dias 13 e 14: termino as gravações com o poema lido por professores e funcionários | gosto de saber que a ideia é bem acolhida | recebo um par de emails de duas colegas que nem conheço muito bem mas que me enchem o ego | ponho o vídeo de divulgação da iniciativa no dailymotion | bem, não me quis armar em realizador, mas ao fim e ao cabo foi o que fui


chego exausto ao fim deste texto, registado no caderninho de apontamentos a 14 de Maio e, por falta de ocasião, só agora aqui aparece | não fica por aqui a explicação do meu silêncio virtual, desenvolvimentos nos próximos dias | a seguir, o vídeo de onde me surgiu a ideia




terça-feira, 3 de junho de 2008

..:: palavras que nos salvam ::.. Viviane Mosé

Receita pra lavar palavra suja


[aconselho que acompanhem com o poema declamado, basta clicar aqui que abre o windows media]




Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio-dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,
que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente
sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo,
a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo,
sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode,
o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite,
não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.


Viviane Mosé »»

segunda-feira, 2 de junho de 2008

~~ TGV ~~

É cada vez mais agradável viver neste país! Hoje, engalanado e filosófico, o chefe do governo lançou o concurso público para a construção da linha Lisboa-Madrid. O que ele não disse foi o seguinte:

- a viagem entre Évora e Lisboa (30 minutos) vai custar 30 euros;

- a viagem entre Toledo e Madrid (25 minutos) custa 12,5 euros.

Como dizia " o outro", é fazer as contas...!
Y viva España! Olé!

~~ olhar p'rò perto ~~

O momento em que esta notícia surge é, no mínimo, curioso. Todos seguimos o caminho da Phoenix até Marte, planeta distante e misterioso. Porém, por cá ainda há segredos por revelar. Leiam e surpreendam-se.

Lido inicialmente aqui.

..:: « a boca na broca » ::..


Read this doc on Scribd: a boca na broca

In NS 125 de 31 de Maio de 2008.

~~ diga? ~~

Tive que ler duas vezes. Afinal o senhor tem 81 anos!

In NS 125 de 31 de Maio de 2008.

domingo, 1 de junho de 2008

~~ Madonna ~~


Confesso que assisti à chegada da senhora à cena musical mundial com alguma desconfiança. Todavia, com o passar do tempo, fui-me rendendo ao seu profisionalismo e dedicação à música. Madonna é hoje uma referência inevitável. À música juntam-se todas as outras componentes de um espectáculo. Se se pode duvidar, por vezes, da qualidade da primeira, há que dar a mão à palmatória no que toca às seguintes. É isso que espero (esperamos) ver na Bela Vista em Setembro. O acesso à festa já está garantido. Custou o que já se sabe e uma hora na fila. Cheira-me que vamos por lá encontrar muitas das almas amigas do FJ, certo?

..:: entre o cá e nenhum lá ::..

Maio foi um mês bizarro: cheio de coisas muito boas e de outras que nem sei como classificar. Ando a modos que cansado, farto, chateado. É fácil de perceber: há já algum tempo que não me dava a macacoa… Mais uma vez, veio e em força. Acaba por passar. Em compensação, continuo cheio de trabalho e com uma forte sensação de que nada vale a pena, embora receba sinais de que não é bem assim. Mas que adianta, se a auto-estima não ajuda? Espero conseguir falar das coisas nos próximos dias, por agora a minha cabeça ainda rodopia em sensações estranhas, entre o cá e nenhum lá.